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Análises clínicas: o que é, o que estuda e com o que trabalha

Dois clínicos trabalhando com microscópio

Você, certamente, já fez algum tipo de exame de análises clínicas. Afinal, eles são solicitados por profissionais de saúde com certa frequência.

Os testes laboratoriais são úteis para diagnosticar uma doença, verificar o avanço dela ou definir o tratamento adequado para um problema.

Além disso, também servem como medida preventiva.

O check-up anual, por exemplo, é uma das formas de detectar sinais e prevenir o aparecimento de enfermidades mais graves.

Chega a ser surpreendente o que um material biológico coletado pode mostrar a nosso respeito.

Um frasco de urina e alguns mls de sangue podem determinar, por exemplo, o seu nível de glicose. E, dessa forma, ajudar no diagnóstico de doenças, como o diabetes.

Para que os testes clínicos atendam ao propósito, é importante que sejam realizados de maneira adequada, com extremo rigor.

É aí que entra o trabalho do profissional de análises clínicas, que estuda as amostras coletadas e fornece as informações para que os médicos interpretem os resultados.

Ficou interessado no assunto? Quer saber mais sobre análises clínicas?

Então, confira o conteúdo que preparamos para você!

Boa leitura!

Análises clínicas: o que é?

Análises clínicas é o nome dado à área da saúde em que um material biológico é recolhido de um ser vivo com o intuito de saber mais informações sobre ele.

A realidade mais próxima à nossa é o exame laboratorial, em que um objeto de análise (sangue, urina, fezes e outros) é coletado de nós e investigado por profissionais capacitados.

A análise clínica também é aplicada aos animais.

Um médico veterinário pode solicitar exames para avaliar a saúde dos bichos de estimação ou das espécies de grande porte.

Os biólogos, da mesma forma, podem recolher amostras para realizar diagnósticos moleculares e ambientais.

Quais são os exames de análises clínicas?

análises clínicas, Microscópio e tubos de ensaio em cima de uma mesa
Quais são os exames de análises clínicas?

Existe uma infinidade de exames de análises clínicas que podem ser realizados em laboratórios especializados.

Vamos conhecer a seguir os principais.

É bem provável que você já tenha realizado pelo menos um deles.

Exames bioquímicos

São exames feitos para investigar o funcionamento do metabolismo em seu organismo.

Entre os mais importantes e conhecidos dentro desta modalidade estão:

Glicose

Para analisar o nível de glicose em nosso sangue, são feitos testes de glicemia (realizado em jejum), curva glicêmica (sobrecarga oral de glicose), glicose na urina (exame menos invasivo que os dois anteriores), hemoglobina glicada (mensura o nível médio de glicose nas últimas 12 semanas) e insulina.

Colesterol

Para avaliar a quantidade de colesterol no sangue são feitas análises de colesterol LDL (mensura o colesterol ruim), colesterol HDL (colesterol bom, que combate o LDL) e colesterol total (leva em conta os dois tipos de colesterol).

O colesterol está diretamente ligado ao risco de doenças cardiovasculares.

Triglicerídios

Triglicérides são as principais gorduras presentes em nosso organismo e que funcionam como reserva de energia.

O exame tem a finalidade de medir o nível deles no sangue.

Exames hematológicos

Estes exames investigam condições e doenças que possuem relação com o sangue e suas frações.

São exemplos de exames hematológicos:

Hemograma

É o exame mais completo, que traz a contagem de glóbulos brancos, vermelhos e plaquetas.

Com o resultado, é possível diagnosticar anemias, leucemias e linfomas, entre outras doenças relacionadas à insuficiência da medula óssea e a falta de ferro, por exemplo.

Hematócrito

Este exame faz parte da série vermelha do hemograma e serve para o diagnóstico da anemia.

Normalmente, o aumento de hematócritos está ligado ao aumento de produção de hemácias, doenças pulmonares e problemas com o funcionamento da medula óssea.

Hemossedimentação

Serve para verificar a presença de infecções e inflamações no nosso organismo.

No entanto, sozinho, não é um exame capaz de afirmar o diagnóstico de maneira definitiva, pois sofre alteração com facilidade.

Neste caso, é indicado realizá-lo em conjunto com outros exames complementares.

Plaquetas

Avalia como está a coagulação do sangue.

Sua contagem é fundamental para o diagnóstico de doenças.

A quantidade elevada pode estar relacionada à doenças como a leucemia.

Por outro lado, quando inferior à taxa de referência, tem ligação com problemas infecciosos, como a dengue.

Exames hormonais

Como o próprio nome sugere, os exames hormonais ajudam a verificar como está a nossa produção de hormônios.

Alguns exemplos de testes mais conhecidos são:

TSH

Sua dosagem ajuda a avaliar o funcionamento das glândulas hipófise e tireóide.

Dependendo da contagem, o paciente pode ser diagnosticado com hipotireoidismo ou hipertireoidismo.

FSH

Colabora para o diagnóstico da doença chamada hipogonadismo primário, em que os testículos dos homens ou os ovários das mulheres não produzem quantidade de hormônio suficiente, tanto na puberdade precoce, quanto na andro ou menopausa.

Estradiol

Ajuda a avaliar a puberdade precoce nas meninas, bem como a suspeita de tumores que produzem estrógenos.

Testosterona livre

Exerce, a grosso modo, o mesmo papel que o estradiol nas mulheres. No entanto, o exame de testosterona, além de analisar a puberdade precoce ou tardia nos homens, serve também para diagnosticar defeitos testiculares.

Cortisol

O nível de cortisol no organismo ajuda no diagnóstico de doenças em que as glândulas suprarrenais produzem hormônios demais (hiperfunção) ou de menos (hipofunção).

Vale ressaltar que a dosagem de cortisol varia durante o dia, por isso é necessário fazer uma equivalência no resultado do exame.

Exames imunológicos

Servem para ver como está a defesa do nosso organismo frente a doenças infecciosas.

Alguns exemplos de exames imunológicos mais comuns são:

Dengue

A presença dos anticorpos IgM e IgC ajudam na detecção da doença.

O primeiro mostra infecções atuais e recentes, enquanto o segundo aparece nos primeiros dias de recuperação da doença.

Chikungunya

Três exames de sangue ajudam no diagnóstico da doença.

São eles: sorologia, Reação em Cadeia da Polimerase (PCR), ou em tempo real (RT‐PCR), e isolamento viral.

Toxoplasmose

O diagnóstico da doença é bem parecido com o da dengue, pois conta com o auxílio dos anticorpos IgM e IgC.

Hepatite C

O exame para o diagnóstico de hepatite C deve ser feito logo no aparecimento dos primeiros sintomas.

A presença ou não do anticorpo anti-HCV é que vai ajudar a detectar a doença.

No entanto, testes complementares são necessários para confirmar a presença do vírus.

Exames microbiológicos

São testes em que as secreções do corpo, como urina e orofaringe, são usadas para detectar a presença de doenças bacterianas infecciosas.

Entre os exames microbiológicos mais comuns está o:

Exame de coloração de Gram

A técnica consiste na colocação de um reagente na urina coletada.

Então, se houver a presença de bactérias na amostra, essas mudarão de cor, facilitando a identificação.

É possível, ainda, distinguir as espécies.

Exames parasitológicos

São testes que procuram encontrar a presença de micro-organismos, como protozoários e vermes, em nosso corpo.

Entre os exames parasitológicos mais comuns que existem, destacam-se três:

Parasitológico de fezes

Tem como objetivo encontrar, com o auxílio de microscópios, parasitas intestinais, seja por meio de seus ovos ou suas larvas.

Pesquisa de sangue oculto

Busca encontrar rastros de hemoglobina no material fecal.

Coprocultura

Verifica a existência de algum indício parasitário em suas fezes.

Uroanálises

São testes que utilizam a urina como material de coleta para identificação de doenças ou problemas de saúde.

Entre os exames de uroanálise, os principais são:

Fósforo na urina

O nível de fósforo na urina ajuda a diagnosticar e monitorar doenças que causam o desequilíbrio desse elemento e de cálcio em nosso organismo.

Ácido úrico na urina

A dosagem de ácido úrico na urina serve para analisar o funcionamento dos nossos rins.

Caso o nível esteja muito alto, é possível que o paciente venha a sofrer com cálculos renais.

Gonadotrofina coriônica – pesquisa na urina

Conhecido como hCG, a presença desse hormônio em grandes quantidades pode significar duas coisas: gravidez ou tumores raros.

Curso de análises clínicas

análises clínicas, Mãos manipulando Microscópio
Curso de análises clínicas

Viu só quantos exames laboratoriais? Isso que nem citamos todos.

Agora, se você quiser ser um especialista no assunto ou atuar na área, precisa investir na sua capacitação.

O curso técnico em análises clínicas, por exemplo, é um bom começo.

Essa formação profissionalizante de nível médio, segundo o Ministério da Educação, deve ter 1.200 horas/aula e uma infraestrutura que atenda às necessidades específicas da área.

São requisitos básicos para um curso técnico em análises clínicas: laboratórios de microbiologia e bioquímica, unidades de atendimento, biblioteca com leituras específicas para a formação e sala de informática.

O que se estuda em análises clínicas?

No curso de análises clínicas, você vai contar com disciplinas teóricas e práticas, além de estágios supervisionados para executar todo o conhecimento adquirido.

Entre as matérias e os conteúdos ministrados aos estudantes, destacam-se:

  • Biologia (estudo da vida)
  • Fisiologia (estudo de como o corpo humano funciona)
  • Química (estudo dos processos químicos de maneira geral)
  • Bioquímica (estudo dos processos químicos nos organismos vivos)
  • Hematologia (estudo do sangue e seus componentes)
  • Parasitologia (estudo das relações entre os parasitas e outros organismos)
  • Imunologia (estudo dos sistemas imunológicos dos seres vivos)
  • Microbiologia (estudo da vida dos micro-organismos)
  • Urianálise (estudo da urina e seus componentes)
  • Citologia (estudo das células e dos tecidos)
  • Biossegurança (conjunto de ações para proteger a saúde do paciente e do profissional)
  • Gestão de laboratório (como administrar um laboratório de análises clínicas).

Especialização em análises clínicas

Mãos manipulando Microscópio
Especialização em análises clínicas

Agora, se você já possui alguma formação na área da saúde, como, por exemplo, biologia, biomedicina, bioquímica, medicina veterinária ou farmácia, pode fazer um curso de pós-graduação em análises clínicas.

Opções no mercado não faltam.

Tanto em relação às universidades quanto às modalidades de curso em si.

Existem, inclusive, entidades que oferecem a alternativa de ensino a distância, que pode ser uma solução mais prática para você.

Quanto aos tipos de especialização em análises clínicas, separamos alguns dos cursos disponíveis em faculdades nacionais:

  • Análises clínicas e microbiologia
  • Análises clínicas e toxicológicas
  • Biomedicina clínica
  • Medicina veterinária com ênfase em análises clínicas
  • Farmácia clínica.

Pós-graduação em farmácia clínica

Uma das possibilidades na área é a de especialização em farmácia clínica.

Essa pós-graduação, voltada para a área da saúde, oferece todas as condições ao profissional que pretende ter um contato humanizado e mais próximo com o paciente.

Além de solicitar e realizar exames laboratoriais, o farmacêutico clínico exerce um papel fundamental no que diz respeito ao uso racional de medicamentos.

Por meio de seu conhecimento aprofundado sobre os fármacos, aliado à sua proximidade com os enfermos, ele tem muito mais propriedade na hora de prescrever medicações e, consequentemente, obter mais assertividade no tratamento e na prevenção de doenças.

Mas você deve estar se perguntando: onde eu posso me especializar em farmácia clínica?

A resposta é simples. Na UPIS – Faculdades Integradas, uma instituição de quase meio século de tradição e compromisso com o ensino de qualidade.

Além da especialização em farmácia clínica, a UPIS conta com 86 cursos de ensino superior no portfólio.

É a única universidade de Brasília com cursos de graduação, pós-graduação e MBA que possuem certificação internacional de qualidade, o ISO 9001.

Agora, retomando o assunto sobre a formação em farmácia clínica, cabe completar o tópico, esclarecendo que o curso conta com uma grade curricular completa e carga horária de 360 horas/aulas.

Você vai ter acesso a disciplinas como:

  • Fitoterapia
  • Homeopatia
  • Prescrição farmacêutica e prática clínica.

Além de muitas outras matérias que preparam você para o mercado de trabalho.

É, sem dúvida, uma oportunidade única de investimento no futuro e na carreira dos sonhos.

Mais detalhes podem ser consultados no site. Lá, também é possível solicitar a matrícula.

Você vai quer que, além do ensino de qualidade, a UPIS tem opções que cabem no seu bolso.

Mercado de trabalho de análises clínicas

Pelo fato de profissionais com formações diversas atuarem com análises clínicas, é certo dizer que as oportunidades no setor são disputadas.

No entanto, a pluralidade dos locais de trabalho suaviza essa concorrência.

Mesmo que a carreira tome o rumo de clínicas e laboratórios, nada impede que um técnico em análises clínicas trabalhe como consultor na indústria alimentícia, cosmética ou farmacêutica.

Segundo levantamento da plataforma de empregos Glassdoor, a remuneração média de um técnico em análises clínicas está estimada em R$ 1.533 por mês.

Na pesquisa do site Catho, o panorama é quase o mesmo. A média salarial gira em torno dos R$ 1.400 mensais.

Ainda de acordo com o portal, os estagiários recebem, em média, R$ 670 por mês.

O site Trabalha Brasil, por sua vez, oferece um estudo mais completo.

No endereço eletrônico é possível consultar a média salarial proporcional à experiência do profissional e o porte da empresa em que trabalha.

No caso de um jovem trainee iniciando a carreira em uma empresa pequena, o salário médio chega até R$1.100, segundo o portal.

Por outro lado, um profissional de nível master atuando em uma multinacional, por exemplo, pode ter um rendimento mensal médio próximo aos R$ 2.700. Ou seja, uma diferença de quase R$ 1.600.

Todos esses levantamentos foram baseados na carreira de técnico em análises clínicas, que é um emprego de nível médio.

Agora, ao analisar a média salarial de um farmacêutico clínico, por exemplo, os valores sobem bastante.

Conforme a Glassdoor, os rendimentos ultrapassam a casa dos R$ 4.200, quase o triplo da estimativa para o técnico em análises clínicas feito pela plataforma.

Uma especialização pode aumentar o salário em até 118%, dependendo do cargo e da qualificação.

Isso só comprova que, como em qualquer carreira, quanto mais capacitado o profissional for, maiores são as suas chances de conquistar o emprego dos sonhos e ser valorizado nele.

Principais funções de quem atua com análises clínicas

Dois clínicos trabalhando com microscópio
Principais funções de quem atua com análises clínicas

Para encerrar, vamos conferir as principais atividades de um profissional que trabalha com análises clínicas:

Realizar a leitura laboratorial

Cabe ao profissional analisar e emitir os pareceres a respeito dos resultados dos exames.

É a partir desta leitura que os médicos irão se guiar para prescrever medicamentos e escolher o tratamento mais adequado.

Orientar os pacientes

Alguns exames possuem orientações específicas, como, por exemplo, ficar um determinado número de horas em jejum.

Essas regras precisam ser informadas aos pacientes para que o resultado não seja comprometido.

Coletar amostras e materiais

A parte operacional também é feita pelos profissionais em análises clínicas.

Ou seja, eles são responsáveis por recolher as amostras de fezes e urina e coletar localmente os materiais, como o sangue, por exemplo.

Garantir o funcionamento dos equipamentos

A manutenção, a calibragem e a operação dos equipamentos laboratoriais são de responsabilidade do técnico em análises clínicas.

Manter o ambiente de coleta higienizado

Para evitar qualquer tipo de contaminação, recomenda-se que o profissional deixe o local de coleta e o recolhimento de amostras completamente limpo e organizado.

Usar materiais descartáveis

O técnico em análises clínicas, em hipótese alguma, deve reutilizar seringas, agulhas e potes práticos sob o risco de contaminar as amostras e/ou transmitir alguma doença para os pacientes.

Ajudar no diagnóstico de doenças

Especialmente em caso de doenças de protozoários, o profissional de análises clínicas exerce um papel importante no diagnóstico.

Conclusão

Este artigo tratou sobre análises clínicas, uma área extremamente relevante no cuidado com a saúde, além de ser uma carreira que oferece aos profissionais inúmeras possibilidades de realização.

Você pode ser biomédico, médico veterinário, farmacêutico, biólogo ou técnico e, ainda assim, escolher o caminho dos exames laboratoriais.

E, mesmo que você não tenha o objetivo de atuar com análises clínicas, é muito importante conhecer os principais exames laboratoriais e entender para que servem.

Afinal, eles são indispensáveis para diagnosticar doenças.

Lembre-se de que é fundamental realizar testes clínicos periodicamente para investigar o funcionamento do seu organismo e prevenir possíveis problemas.

Com a saúde não se brinca!

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Obrigado pela companhia e até a próxima!

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