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Tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas: o que é e como fazer

Trator aplicando defensivos agrícolas

Os agrotóxicos, volta e meia, são manchetes dos noticiários. Logo, é bem possível que você já tenha ao menos ouvido falar sobre eles.

Mas e sobre tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas, você tem alguma ideia do que se trata?

Caso sua resposta seja negativa, não tem problema.

Mesmo alguns produtores rurais e empresários ligados ao agronegócio podem ter dificuldades em entender sobre o assunto.

Seja como for, é um tema importantíssimo e que trataremos neste artigo.

Vamos abordar o que é a tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas, a maneira correta de se aplicar, os principais erros cometidos no manejo e as diferentes formas de administração.

Ficou curioso? Então, permaneça com a gente, e boa leitura!

O que é tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas?

Trator aplicando defensivos agrícolas
O que é tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas?

Quando falamos em tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas, a primeira coisa que nos vem à mente é o ato de administrar o produto visando o controle de pragas, não é mesmo?

De maneira prática, é isso mesmo.

Mas, se formos analisar a fundo, é um processo um pouco mais complexo.

Na verdade, trata-se de uma interação entre a cultura (a plantação), a praga, a doença causada, a planta invasora, o produto em si, o equipamento usado na aplicação e o ambiente.

Tudo isso com o intuito de realizar um controle eficiente, a um custo baixo e com o menor impacto possível ao meio ambiente. Ou seja, sem gerar contaminações ao ecossistema.

Outra definição – esta mais técnica – que compõe a tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas é saber gerenciar o tamanho das gotas e o volume da calda pretendido na administração do produto.

E para qual objetivo? Para que o resultado do controle seja satisfatório e não aconteça a chamada deriva.

O que é deriva?

Deriva nada mais é do que o conteúdo da aplicação que não atinge o alvo desejado.

Ou seja, a parte do produto que é desperdiçado durante ou após a administração do agrotóxico.

Existem dois tipos de deriva, que são:

  • Aquela em que o defensivo não acerta a cultura e atinge o solo, por exemplo.
  • E aquela em que até acerta a plantação, mas erra o foco. A praga, no caso, está na folha, e o produto atinge a raiz.

A deriva é afetada por diversos fatores, como o tamanho das gotas despejadas, a distância entre o alvo e o maquinário de aplicação, a metodologia usada, o vento, a velocidade na administração e a volatilidade do produto.

Porém, também existem maneiras de diminuir a deriva, o que é importante para reduzir o desperdício na aplicação de defensivos agrícola.

Entre essas medidas, está administrar o produto no horário ideal (no período da manhã), em condições climáticas e ambientais recomendadas (falaremos sobre isso mais à frente) e fazendo uso de formulações, de tipos de bico e de pressão adequados.

Importância da tecnologia de aplicação

Trator aplicando defensivos agrícolas
Importância da tecnologia de aplicação

As pragas são as principais inimigas do homem do campo e sua plantação.

E vamos trazer um número que ajuda a entender essa afirmação.

Segundo levantamento feito pela European Crop Protection Association (ECPA), cerca de 40% da produção global de alimentos é desperdiçada.

Normalmente, isso ocorre em função de doenças causadas por fungos, insetos, plantas daninhas e nematóides.

Caso os agrotóxicos fossem proibidos, esses números poderiam mais do que dobrar, chegando perto de 85%.

E é justamente aí que entra a importância da tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas.

Para garantir não só a eficiência no processo de administração de agrotóxicos, como também a rentabilidade e a sustentabilidade da cultura.

Eficiência

O produtor rural deve atacar os problemas de forma pontual, sem prejudicar áreas que não estejam sendo atacadas por pragas.

Ou seja, a operação é muito mais eficiente.

Com o Manejo Integrado de Pragas (MIP), por exemplo, é possível monitorar o estágio em que a praga está e, então, esperar a “ação de controle” (momento propício para aplicar o defensivo).

Além disso, existem aplicativos que possuem a função de georreferenciamento, a qual mostra geograficamente quais os pontos de amostragem já foram coletados e qual é o estágio em que se encontra cada ponto da plantação.

Rentabilidade

Quando o produtor sabe exatamente onde está o problema, ele economiza, porque atua de forma pontual.

Ele só gasta onde realmente precisa, evitando o desperdício de dinheiro, tempo, produto e mão de obra.

Por falar em desperdício, um levantamento feito pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), mostrou que o MIP reduz em até 50% o uso desnecessário de defensivos.

Sustentabilidade

Ao analisar bem a situação da plantação, o produtor pode escolher o tipo defensivo agrícola ideal.

Isto é, aquele que seja eficaz no que se pretende e que cause menos problemas à sua saúde das pessoas e ao meio ambiente.

Nesse sentido, sempre que possível, deve-se preferir os agrotóxicos da classe IV, que são menos tóxicos e nocivos.

A classificação toxicológica acontece em uma escala decrescente, segundo a qual a classe I é considerada a mais danosa, e a IV, a menos.

A pulverização com precisão também ajuda na sustentabilidade, uma vez que o solo é menos afetado, e a água não é tão desperdiçada.

Tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas

Drone aplicando defensivos agrícolas
Tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas

O tema tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas é amplo e cheio de particularidades.

E, por isso, pode gerar muitas dúvidas, inclusive para aqueles que estão acostumados a lidar com agrotóxicos diariamente.

Você, por exemplo, conhece a diferença entre pulverização e aplicação? Ainda que, muitas vezes, sejam usadas como sinônimo, a verdade é que são processos diferentes.

E mais, você sabia que existem condições climáticas ideais para a administração dos agrotóxicos?

Siga conosco, pois vamos tratar sobre esses tópicos na sequência.

Diferença entre pulverização e aplicação

A pulverização é um processo mecânico em que o defensivo é diluído, normalmente, em água.

Depois, ocorre uma transformação dessa substância líquida em gotas ou partículas.

Já a aplicação é o ato de depositar as gotas no alvo desejado, com todos os pré-requisitos necessários (falaremos mais sobre isso mais à frente) para que o objetivo seja cumprido com sucesso.

Ou seja, elas não são processos iguais, mas complementares.

Primeiramente, vem a pulverização. Em seguida, a aplicação.

Condições ambientais no momento da aplicação

Para que a tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas tenha um desempenho melhor e traga resultados mais assertivos, é fundamental contar com as condições climáticas ideais.

Vamos entender quais são elas.

Temperatura

No que diz respeito à temperatura, a mínima tem que estar em 10ºC, e a máxima, em 35ºC.

Sendo que o recomendado é entre 20 e 30 graus.

Em temperaturas abaixo dos 10ºC, normalmente, o metabolismo das plantas está prejudicado, o que pode dificultar a absorção do produto.

Por outro lado, quando os termômetros beiram os 40ºC, acontece a volatilização das moléculas e, consequentemente, a evaporação do produto.

Umidade do ar

Em relação à umidade relativa do ar, quanto mais úmido, melhor.

O índice mínimo deve ser de 60%, e o máximo, de 95%.

Mas o ideal é que fique entre 70% e 90%.

Quando a umidade está abaixo dos 60%, acontece a desidratação da cutícula vegetal (camada externa responsável pela retenção de líquido e proteção da planta).

Isso desencadeia o processo de cristalização do defensivo agrícola, o que prejudica a sua absorção pelo organismo da cultura.

Velocidade do vento e precipitações

A velocidade do vento também é um fator importante.

Nunca se deve aplicar os defensivos agrícolas com uma velocidade superior a 10 km/h.

Isso pode ocasionar deriva e, assim, o produto pode não atingir o foco.

Se a água da chuva é uma amiga do produtor rural na hora de irrigar a lavoura, para a tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas, ela não é tão bem-vinda assim.

Quando há uma precipitação logo após a administração do agrotóxico, a água da chuva pode lavar as moléculas que ainda não foram absorvidas pelo vegetal.

Existem alguns herbicidas, por exemplo, que precisam de mais de cinco horas para serem captados em quantidade suficiente e apresentarem um desempenho satisfatório.

Estresse da planta

O último fato a ser observado não é exatamente uma questão climática, mas sim um estado vegetal que é agravado pelas condições do tempo.

Estamos falando do estresse da planta. Sim, os vegetais também ficam estressados.

Quando uma planta gasta boa parte de sua energia para realizar a fotossíntese, por exemplo, a sua produtividade vai diminuindo aos poucos e, então, dizemos que ela está estressada.

Normalmente, isso decorre da falta de nutrientes e água ou calor em excesso.

Ao administrar os defensivos agrícolas nessas condições, em que a planta já está debilitada, as chances do produtor reduzir ainda mais o metabolismo da cultura e até matá-la crescem.

Principais erros na aplicação de defensivos

Se você quer que a aplicação de defensivos apresente os resultados esperados, é preciso tomar alguns cuidados na sua administração.

Isso porque, segundo levantamento do Instituto Emater, quase 46% dos erros que acontecem na hora de aplicar os agrotóxicos são humanos.

Para redobrar a sua atenção, separamos os equívocos mais comuns.

Confira!

Erro na escolha do produto ideal

O problema, muitas vezes, ocorre logo no início, na compra do defensivo agrícola.

Você precisa se certificar de que está escolhendo o produto ideal e, para isso, deve ficar atento aos seguintes pontos:

  • Se o produto está registrado no Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
  • Se ele é adequado para a cultura na qual você pretende aplicar e se é eficaz contra a praga que está atacando
  • Leia a bula para checar todas as informações: doses recomendadas, classificação toxicológica, formulação e assim por diante.

Não regular o equipamento corretamente

Para evitar desperdícios e garantir o máximo desempenho do defensivo, você deve revisar todo o seu equipamento.

Os bicos devem ser analisados de forma individual para avaliar a sua pressão, se a dosagem está correta, se o volume de calda corresponde ao alvo que pretende atingir.

Ainda, se o número e o tamanho das gotas estão adequados ao procedimento, se existe a possibilidade adicionar adjuvantes (substâncias que potencializam a ação) ou se eles já estão presentes no produto.

Se as dúvidas persistirem, não faça de qualquer jeito.

Procure um engenheiro agrônomo para ajudar e prestar os devidos esclarecimentos.

Falta de cuidado na manutenção e higienização dos bicos

Os bicos são uma das partes mais importantes do maquinário na hora de aplicar os defensivos agrícolas.

Afinal, são através deles que o produto sai e os direcionamentos são feitos com as devidas pressões, tamanho e tipo de gota a ser produzido.

Por isso, todo o cuidado com eles é necessário.

Faça a manutenção periódica deles, cuidando se não há nenhuma avaria, por exemplo.

Outro detalhe importante diz respeito à higienização dos bicos.

Sempre, após uma aplicação, faça uma limpeza profunda desses componentes.

Qualquer resíduo que fique retido na ponta pode gerar contaminação e colocar a perder toda uma cultura.

Problemas com a calibragem do pulverizador

Com o tempo, ocorre o desgaste natural dos bicos e a descalibragem do pulverizador.

Para que você não fique na mão no momento em que mais precise ou tenha algum problema durante a aplicação, recomenda-se calibrar o equipamento periodicamente.

Para tal, siga os seguintes passos:

  • Vista o equipamento de proteção individual (EPI)
  • Abasteça o maquinário com água limpa
  • Verifique se há vazamentos
  • Caso haja, tente calcular a separação em metros entre os bicos e compare com o que diz no manual
  • Avalie o desempenho do pulverizador em um terreno que tenha características semelhantes com as vivenciadas durante uma pulverização corriqueira.

Desrespeito às condições climáticas ideais

Conforme vimos, existem condições climáticas recomendadas, a fim de garantir o máximo desempenho da tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas.

Vamos relembrá-las para você agora:

  • Velocidade do vento de até 10 km/h
  • Temperatura entre 20 e 30 graus
  • Umidade entre 70% e 90%
  • Ausência de previsão de chuva.

Qualidade em tecnologia de aplicação de defensivos

A última dica, na verdade, é basicamente um resumo.

São três elementos que ajudam a garantir a qualidade em tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas:

  1. Capacidade do equipamento de depositar as gotas no alvo: tipo e tamanho de gota, modelo do bico, velocidade, calibragem, volume da calda, entre outros
  2. Superfície de depósito: que nada mais é do que o alvo do agrotóxico (folhas, fruto, inseto, praga, solo, caule e por aí vai)
  3. Condições ambientais: temperatura, umidade relativa do ar, velocidade dos ventos, estresse da planta, precipitações, entre outros.

Como e onde aprender mais sobre o assunto?

Trator aplicando defensivos agrícolas
Como e onde aprender mais sobre o assunto?

Até aqui, falamos bastante sobre tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas.

Mas para se tornar um verdadeiro especialista no assunto, você precisa investir na sua formação.

Ingressar no Curso de Agronomia da UPIS – Faculdades Integradas é o primeiro passo para isso.

A entidade conta com uma das maiores infraestruturas do Brasil para essa graduação, com direito a uma fazenda de 800 hectares, pomar experimental e estação meteorológica.

Além disso, há modernos laboratórios de agricultura de precisão via satélite, fisiologia vegetal e fruticultura, botânica e ecologia do cerrado.

Além do enfoque na administração de agrotóxicos, controle de pragas e melhoramento vegetal – tema central e secundário neste artigo – o curso também aborda conteúdos relacionados ao manejo da produção vegetal e animal, gestão da cadeia produtiva, qualidade dos solos e biotecnologia.

Caso você já seja um engenheiro agrônomo ou um profissional de alguma área afim e gostaria de saber mais sobre planejamento agrícola e ambiental, a UPIS oferece cursos de pós-graduação que tratam sobre esses assuntos.

Inclusive, a Pós-graduação em Tecnologia de Aplicação de Defensivos Agrícolas.

Essa é uma especialização de 360 horas/aula e grade curricular completa.

Confira algumas das disciplinas do curso:

  • Implementação, Difusão, Transferência e Validação de Novas Tecnologias
  • Sistemas de Gestão da Qualidade
  • Certificação e Rastreabilidade
  • Métodos de Avaliação de Plantas Invasoras, Pragas e Doenças de Plantas
  • Tecnologia de Aplicação de Defensivos Agrícolas
  • Avaliação de Risco Toxicológico e Ambiental dos Produtos Fitossanitários

Além disso, a UPIS oferece os cursos de pós-graduação em Manejo de Pragas e Plantas Invasoras e Uso de Tecnologias de Imagem na Agricultura de Precisão, além de outros sete cursos de especialização na área.

Na hora de escolher a sua faculdade, opte por uma instituição com quase meio século de tradição, compromisso com o ensino e certificação internacional de qualidade, ISO 9001.

Conclusão

O controle de pragas é uma das maiores preocupações dos produtores rurais.

Afinal, um trabalho de um longo período pode ser perdido por conta de uma doença não curada a tempo.

Por isso, a tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas é tão fundamental.

Se você não cometer alguns dos erros mais comuns que apresentamos neste artigo e seguir todas as dicas, está no caminho certo.

Dessa forma, as chances de ter a sua cultura preservada e uma colheita sem grandes desperdícios aumentam bastante.

Você sabia que a tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas era tão importante?

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