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Bioquímica clínica: entenda o que é, conheça o curso e mercado

Bioquímica clínica, médico com estetoscópio no pescoço

A bioquímica clínica é uma daquelas áreas da saúde que todo mundo conhece na prática, ainda que pouco ou nada saiba sobre o conceito.

Como isso é possível? Não é difícil de entender.

Afinal, todo mundo, em algum momento da vida, realiza algum tipo de exame laboratorial, não é mesmo?

Seja em um check-up anual ou para analisar a origem de certos sintomas e oferecer um diagnóstico médico mais preciso.

E veja só: investigar processos metabólicos do nosso organismo através da coleta de sangue, urina, fezes, entre outros materiais orgânicos, é competência de um bioquímico clínico.

Entendeu agora a relação?

Mas é claro que isso não é tudo sobre bioquímica clínica.

Se você deseja se aprofundar mais no tema para investir na carreira, este artigo pode ser útil.

Entenda o que é, conheça o histórico, os exames de sua competência e como funciona o curso e o mercado de trabalho nessa área da saúde tão importante.

Confira ainda dicas de leitura sobre o tema que vão ajudar você a conhecer um pouco mais da parte técnica da especialidade.

Ficou curioso? Então, fique com a gente e boa leitura!

O que é bioquímica?

Biomédicos manipulando exames clínicos.
O que é bioquímica?

De maneira bastante simples, a bioquímica é a ciência e tecnologia que estuda os processos metabólicos que acontecem nos organismos vivos.

No caso da bioquímica clínica, todos esses conceitos são aplicados na investigação de materiais orgânicos para a percepção de mudanças moleculares que acontecem nas células humanas que geram doenças.

Ou seja, ela é uma grande aliada da medicina na prevenção, no diagnóstico e no tratamento de enfermidades, oferecendo dados relevantes acerca da saúde do paciente, através de exames laboratoriais.

História da bioquímica

Assim como todas as demais ciências, a bioquímica passou por diversos processos, estudos e descobertas até chegar ao status de hoje.

Muito provavelmente, daqui a alguns anos, com o incremento de novas tecnologias, mais pesquisas vão ser desenvolvidas e o patamar da química da vida vai evoluir ainda mais.

Para você acompanhar um pouco mais essa linha do tempo, separamos alguns marcos importantes na história da bioquímica, confira:

O início de tudo

É claro que há mais de 5 mil anos, ninguém tinha a menor noção do que era bioquímica.

Para se ter uma ideia, o termo foi cunhado no final do século XIX e popularmente difundido já no século XX.

No entanto, isso não quer dizer que conceitos como respiração, fotossíntese e fermentação, por exemplo, demoraram todo esse tempo para serem estudados.

Por volta de 3 mil a.C, os aldeões já produziam pão com leveduras (fermento natural), em um trabalho rudimentar que mais tarde seria aprofundado por Louis Pasteur, em meados dos anos de 1900.

A alquimia, uma das das bases da química moderna e que utilizava poções extraídas de plantas e minerais, também surgiu nos primórdios da civilização, mais precisamente, na Grécia Antiga.

E era apenas o início de tudo na bioquímica clínica.

O estudo do metabolismo

Com o passar do tempo, outros fenômenos químicos começaram a ser estudados, como o metabolismo, por exemplo.

Em seu livro “Ars de statica medicina”, lançado em 1614, Santorio Santorio registrou toda a sua alteração de massa corpórea.

O autor fez anotações de como o seu peso ia mudando a medida em que se alimentava, bebia, ia ao banheiro, dormia, jejuava por longos períodos e praticava exercícios.

Logo, Santorio concluiu que boa parte do que comia era eliminado pelo o que ele chamou de “perspiração insensível”.

Outro pesquisador a contribuir com escritos sobre metabolismo foi Franciscus Sylvius, detalhando o processo digestivo humano.

Sylvius determinou que o grande papel do nosso organismo era neutralizar o conteúdo ácido com bases, através dos nosso fluídos corporais, como o suco pancreático, por exemplo.

Com isso, determinou que a falta dessa neutralização pode levar a inflamações e doenças

O princípio atômico

Um dos grandes motivos que fez com que a bioquímica demorasse tanto tempo para começar a ser estudada, de fato, é que ela não é uma ciência que possa ser vista a olho nu.

Por esse motivo, o desenvolvimento do “atomicismo” foi tão importante.

Com a invenção do microscópio composto, os pesquisadores começaram a enxergar os corpos como composições formadas por pequenas partículas.

Robert Boyle foi o primeiro cientista a considerar a matéria como um conjunto de crepúsculos.

Também determinou que as propriedades das matérias são explicadas pelas características físicas (forma e tamanho) e dos movimentos desses pequenos corpos, os quais realizam as transformações químicas por meio de interações mútuas.

A importância de Lavoisier

Antoine Laurent Lavoisier ficou conhecido pela sua Lei da Conservação das Massas e sua célebre frase: “Na natureza nada se cria, nada se perde e tudo se transforma”.

No entanto, sua contribuição para a ciência vai além, com uma importância vital para a bioquímica.

Afinal, foi Lavoisier que demonstrou que a respiração tem suas semelhanças com a reação química da oxidação de metais e não metais.

O químico francês comprovou que os dois processos eram idênticos, pois, no caso da combustão, por exemplo, ambos têm a ingresso do oxigênio e a liberação de gás carbônico.

A Teoria da Fotossíntese

Mais ou menos no mesmo período dos experimentos de Lavoisier e muito em função das suas descobertas que, no final do século XVIII, Jean Senebier e Jan Ingenhousz criar a Teoria da Fotossíntese.

Os dois adicionaram os conhecimentos acerca da respiração celular à importância da luz do sol para a troca de gases das plantas.

A síntese da ureia

Outro marco importante para a bioquímica foi realizado pelo químico alemão Friedrich Wöhler em 1828.

Ele foi o responsável por sintetizar a substância orgânica uréia (presente na nossa urina), a convertendo a partir do sal de cianato de amônio.

A descoberta fez o químico alemão desconstruir a Teoria da Força Vital, algo muito forte na época.

Até então, os pesquisadores acreditavam que apenas seres vivos eram capazes de produzir matéria orgânica.

Isolamento da primeira enzima

Cinco anos depois, veio outra contribuição importante.

O pesquisador francês Anselme Payen descobriu e isolou a primeira enzima.

Na época, ela foi chamada de diástase, mas, atualmente, possui o nome de amilase.

Ela é encontrada na saliva, onde é denominada ptialina, e também no pâncreas, conhecida como amilase pancreática.

Para muitos estudiosos, a descoberta de Payen foi um dos principais marcos do surgimento da bioquímica moderna.

Descoberta da molécula de DNA

Em 1869, o bioquímico alemão Johann Miescher descobriu a molécula do ácido desoxirribonucleico (DNA).

Foi ao realizar um experimento para tentar descobrir quais componentes químicos integravam o núcleo das células.

Isolamento das bases nitrogenadas

A descoberta de Miescher, por sua vez, foi fundamental para o desenvolvimento do próximo passo.

Conhecidos os componentes que faziam parte do núcleo das células, outro bioquímico, Albrecht Kossel, estudou mais a fundo essas moléculas e percebeu que continuam nitrogênio em grandes quantidades.

Foi o suficiente para Kossel isolar e nomear as cinco bases nitrogenadas (adenina, guanina, timina, citosina e uracila) presentes nas estruturas do DNA e do RNA.

À volta a fermentação

Você lembra que, lá no início deste apanhado histórico, nós falamos sobre o uso de leveduras da produção de pães e que, mais tarde, a fermentação traria contribuições inestimáveis para a bioquímica?

Pois é, chegamos a este momento da história.

Primeiro, Louis Pasteur descobriu que certas leveduras faziam parte do processo de fermentação.

Portanto, não se tratava apenas de algo químico, mas também biológico, uma vez que está relacionado com a vida e a organização celular dos fungos.

A descoberta de Pasteur ajudou a acabar com o pensamento vigente da época da geração espontânea e natural de seres vivos.

Algo que Eduard Buchner, em 1896, conseguiu comprovar através de uma demonstração de um processo de fermentação alcoólica fora da célula.

O experimento rendeu a Buchner o Prêmio Nobel de Química de 1907.

O que trouxeram as novas tecnologias

A entrada no século XX foi marcada pelo desenvolvimento de novas tecnologias que revolucionaram a bioquímica.

A partir da década de 1920, técnicas como a difração de raios-X, a cromatografia, a microscopia eletrônica, a espectroscopia por ressonância magnética nuclear, entre outras, ajudaram na avaliação mais detalhada de moléculas e processos metabólicos, favorecendo descobertas como, por exemplo, o Ciclo de Krebs.

Para quem não conhece, esse ciclo descreve uma série de reações químicas que acontecem nas células.

Criação do modelo atual de DNA

Com as novas técnicas à disposição, mais especificamente a do raio-X, e contribuições de outros cientistas, como James Summer (cristalização de proteínas) e Linus Pauling (natureza das ligações químicas), três pesquisadores desenvolveram o modelo de DNA conforme conhecemos hoje.

A estrutura em questão é formada por camadas tridimensionais proteicas e de dupla hélice.

Estudos sobre genoma

Da segunda metade do século XX para cá, os avanços da bioquímica estão atrelados a estudos sobre o genoma humano.

Em 1983, por exemplo, foi mapeado, pela primeira vez, o gene causador da doença de Huntington, um problema genético que causa a morte de células do cérebro.

Novas pesquisas foram realizadas e mais de mil genes de outras doenças foram identificados.

Atualmente, a bioquímica conversa com outra áreas da saúde, como a genética, a biologia molecular, biotecnologia, entre outras.

Exames de bioquímica clínica

Bioquímica clínica, Médicos trabalhando com microscópio
Exames de bioquímica clínica

Conforme mencionado anteriormente, os exames de bioquímica clínica ajudam a investigar o funcionamento dos processos metabólicos dentro do nosso organismo.

Mas, na prática, quais exames são esses?

Para responder a essa pergunta, nos baseamos no livro “Exames Bioquímicos: Guia Prático para o Clínico”, de Luciana Moreira Lima.

A organizadora da obra divide os exames em 18 biomarcadores, enumerando os tipos de análises clínicas mais indicado para cada caso.

Confira o resumo que fizemos dos principais exames de bioquímica clínica:

1. Biomarcadores da função hepática

  • Albumina (sangue)
  • Fosfatase alcalina (sangue)
  • Bilirrubinas (sangue)
  • Aspartato aminotransferase (sangue).

2. Biomarcadores da função renal

  • Urina de rotina
  • Uréia (urina)
  • Creatinina (sangue ou urina)
  • Proteinúria 24 horas (urina).

3. Biomarcadores da função cardíaca

  • Creatinoquinase (sangue)
  • Mioglobina (sangue)
  • Troponinas (sangue)
  • Homocisteína (sangue).

4. Biomarcadores do metabolismo da glicose

  • Glicemia de jejum e após sobrecarga (sangue)
  • Lactato (sangue)
  • Hemoglobina glicada (sangue)
  • Insulina (sangue).

5. Biomarcadores da função da tireóide

  • T3 total (sangue)
  • T4 livre (sangue)
  • T4 total (sangue)
  • TSH (sangue).

6. Biomarcadores do metabolismo lipídico

  • Colesterol total (sangue)
  • Lipoproteína de alta e baixa densidade (sangue)
  • Apolipoproteína A-1 (sangue)
  • Apolipoproteína B (sangue).

7. Biomarcadores de fase aguda

  • Proteína C- reativa (sangue)
  • Interleucinas (sangue)
  • Velocidade de hemossedimentação (sangue)
  • Fator de necrose tumoral (sangue).

8. Biomarcadores do metabolismo ósseo

  • Ferro (sangue)
  • Cálcio (sangue)
  • Vitamina D (sangue)
  • Paratormônio (sangue).

9. Biomarcadores do equilíbrio hidroeletrolítico

  • Sódio (sangue)
  • Potássio (sangue)
  • Magnésio (sangue)
  • Cloretos (sangue).

10. Biomarcadores do equilíbrio acidobásico

  • Potencial hidrogeniônico (pH) (sangue ou urina)
  • Pressão parcial de oxigênio (sangue)
  • Pressão parcial de gás carbônico (sangue)
  • Íons bicarbonato (sangue).

11. Eletroforese de proteínas

  • Albumina (sangue)
  • Alfa globulina (sangue)
  • Beta globulina (sangue)
  • Gama globulina (sangue).

12. Biomarcadores do metabolismo do ferro

  • Ferro sérico (sangue)
  • Transferrina (sangue)
  • Hepcidina (sangue)
  • Hemossiderina (sangue).

13. Biomarcadores das anemias macrocíticas

  • Vitamina B12 (sangue)
  • Ácido fólico (sangue)
  • Homocisteína (sangue)
  • Ácido metilmalônico (sangue).

14. Biomarcadores da função reumática

  • Fator antinuclear (sangue)
  • Fator reumatóide (sangue)
  • Anticoagulante lúpico (sangue).

15. Bioquímica do líquido cefalorraquidiano

  • Proteínas totais (LCR)
  • Lactato (LCR)
  • Glicose (LCR)
  • Cloretos (LCR).

16. Biomarcadores da desnutrição

  • Albumina (sangue)
  • Transferrina (sangue)
  • Balanço nitrogenado (sangue)
  • Proteína transportadora do retinol (sangue).

17. Biomarcadores da função pancreática

  • Lipase (sangue)
  • Alfa-amilase (sangue ou urina)
  • Relação da depuração de amilase pela depuração de creatinina (sangue).

18. Biomarcadores da função pulmonar

  • Alfa-1-antitripsina (sangue)
  • Dímero D (sangue).

Qual o objetivo de um laboratório de análises clínicas?

Todos os exames listados acima podem ser realizados em uma laboratório de análises clínicas.

Logo, esse local tem como principal objetivo ajudar no diagnóstico de doenças e na prevenção delas.

Afinal, quando são realizados exames periódicos, os tradicionais check-ups, as chances de antecipar um problema ou detectá-lo logo no início são muito maiores.

Curso de bioquímica clínica

Bioquímica, trabalhando em um laboratório.
Curso de bioquímica clínica

Agora que você já conhece um pouco mais sobre a bioquímica clínica, que tal se aprofundar no tema?

Existem diversas faculdades que oferecem o curso de pós-graduação na área para quem deseja se especializar no assunto e trabalhar com a investigação de materiais orgânicos.

Procure por entidades reconhecidas pelo Ministério de Educação (MEC) e que, de preferência, tenham uma boa nota no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade).

Assim, as chances de você escolher uma instituição de ensino superior que preza por uma educação de qualidade aumentam consideravelmente.

Existe ainda as faculdades de ensino a distância, que oferecem toda a praticidade para você estudar quando e onde quiser.

Conteúdo do curso

Caso você decida se especializar em bioquímica clínica, você vai ter em sua grade curricular disciplinas como:

  • Introdução à bioquímica clínica
  • Processos pré e pós-analíticos
  • Principais exames bioquímicos clínicos
  • Estudo dos metabolismos de diferentes substâncias
  • Testes de investigação e de monitoramento laboratorial
  • Natureza química dos hormônios.

Mercado de trabalho

O mercado de trabalho na área de bioquímica é bem variado. O profissional formado pode, por exemplo, atuar na produção de alimentos ou na agroindústria.

Agora, quem se especializar em bioquímica clínica tem a possibilidade de seguir a trajetória acadêmica, fazer mestrado, doutorado e quem sabe pós-doutorado, se tornando um pesquisador do ramo.

Entre as várias possibilidades para esse profissional, vale destacar as seguintes:

  • Trabalhar em laboratórios de análise clínicas
  • Exercer funções técnicas em hospitais e casas de saúde
  • Realizar o controle de qualidade em farmácias de manipulação.

Top 5: os melhore livros de bioquímica clínica

Bioquímica, estudando vários livros.
Top 5: os melhore livros de bioquímica clínica

Para completar nosso guia sobre bioquímica clínica, separamos cinco leituras obrigatórios para quem deseja se especializar no assunto e investir em uma carreira de sucesso na área.

Confira o nosso top 5!

Bioquímica básica

O livro de Anita Marzzoco é ótimo para quem ainda está dando os seus primeiros passos na área.

Com uma linguagem acessível e conteúdo didático, a obra funciona muito bem como uma introdução à bioquímica.

Princípios de Bioquímica de Lehninger

Certamente, é o livro mais conhecido do segmento.

Escrito por David Nelson e Michael Cox, a obra traz a bioquímica de forma bem aprofundada e completa.

Bioquímica Ilustrada

Outro livro bem avaliado pelos bioquímicos,

Bioquímica Ilustrada, de Richard Harley e Pamela Champe, é repleto de figuras e diagramas que facilitam e muito a compreensão desse segmento denso dentro da área da saúde.

Bioquímica Clínica para o Laboratório: princípios e interpretações

É a primeira das nossas leituras obrigatórias voltada, especificamente, para a bioquímica clínica.

Se você acha que já está pronto para dar esse passo, o livro de Valter Motta é uma ótima pedida, pois traz aspectos fisiológicos interessantes, além de correlações clínicas com casos reais.

Bioquímica Clínica

Outra obra mais centrada na especialidade de bioquímica clínica é essa de Allan Gaw e outros quatro autores.

Com foco mais acadêmico, o livro é ótimo tanto para professores quanto alunos, pois traz uma série de “unidades de aprendizagem”, abordando a área sob diversos aspectos.

Conclusão

O segredo para se tornar um bom profissional em qualquer que seja a área é se capacitar.

Na bioquímica clínica, não é diferente.

Por isso, além de aproveitar as dicas que trouxemos e conferir as leituras sugeridas, invista em um bom curso superior.

E ensino de qualidade você encontra na UPIS – Faculdades Integradas.

Você pode começar com a graduação em Farmácia, por exemplo, antes de buscar uma especialização.

O importante é aprimorar seus conhecimentos para alcançar o sucesso e conquistar seu espaço no mercado.

Se o artigo ajudou, compartilhe com sua rede de contatos.

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