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Ciências Econômicas: O que estuda e como um economista trabalha?

mão de um homem, digitando em um notebook

Conhecer o cenário econômico, social e político de um país se torna cada vez mais essencial e, nesse contexto, as Ciências Econômicas ganham ainda mais importância.

Com a globalização acelerada e constante, a atuação do economista tornou-se ainda mais fundamental.

Afinal, não faltam exemplos de experiências recentes para comprovar como uma crise iniciada além-mar pode ter consequências devastadoras nas economias locais.

Versátil e altamente adaptável, o profissional formado em Ciências Econômicas atua em instituições públicas e privadas ou até como consultor independente.

Em sua atuação, ações e pesquisas, ele é capaz de levantar e analisar dados numéricos a fim de tirar conclusões sobre o estado presente e futuro da economia em escala global e local.

Continue lendo este artigo para entender tudo sobre como funciona o estudo das Ciências Econômicas e atuação do profissional formado na área.

O que o curso de Ciências Econômicas estuda?

O estudo das Ciências Econômicas se debruça sobre os fatores sociais, políticos e econômicos que podem afetar as relações de troca de mercadorias entre os indivíduos.

Essas mercadorias podem ser produtos manufaturados, como também a prestação de serviços.

O curso de graduação em Ciências Econômicas – também conhecido como Economia ou Controladoria – estuda as causas e consequências dessas relações de troca, levantando dados sobre distribuição de renda em relatórios socioeconômicos e projeções de órgãos oficiais.

O economista é capaz de identificar os motivos por trás de oscilações de produção de bens, oferta de empregos, escassez de mercadorias, além de ainda desvendar as legislações que pautam o comércio exterior.

Quem deseja ingressar nessa área precisa ter em mente de que seu estudo e a atuação no mercado exigem habilidades de cálculo, assim como um entendimento amplo sobre Ciências Humanas para interpretar todos os fatores sociais que influenciam na economia.

Qual é o objetivo do estudo das Ciências Econômicas?

O principal objetivo das Ciências Econômicas é analisar problemas gerados em contextos econômicos e sugerir soluções, seja para resolvê-los ou para minimizar suas consequências.

A grande tarefa da economia como área de estudos é compreender e organizar a distribuição dos recursos produtivos, que são escassos por natureza.

Seu estudo ajuda a combater a escassez natural ao responder algumas perguntas básicas, a exemplo de:

  • O que deve ser produzido?
  • Qual quantidade deve ser produzida?
  • Qual é o momento ideal para começar a produzir?
  • Quem deve ser responsável pela produção?
  • Ao fim do processo, quem vai consumir a mercadoria produzida?

Ao encararmos essas perguntas, conseguimos compreender a real importância da economia para a vida em sociedade.

E é por meio das respostas para cada uma delas que organizamos as nossas forças produtivas em escala local e global, de modo a garantir o abastecimento das populações e o convívio saudável em comunidade.

É necessário dizer que cada sistema local – e também o sistema global – trabalha em conformidade com as regras matemáticas da lógica da distribuição de recursos, mas existem também outros fatores sociais e políticos.

Este é o aspecto intrinsecamente humano das Ciências Econômicas: ela estuda todas as relações de troca que permitiram ao homem viver em sociedade, e por isso é tão importante.

Ciências econômicas é Exatas ou Humanas?

Ciências econômicas, óculos em cima de um notebook e vários gráficos, impresso, em volta
Ciências econômicas é Exatas ou Humanas?

É comum, principalmente no Brasil, a classificação dos cursos de graduação entre as diferentes áreas de conhecimento.

Essa divisão serve ao propósito de organizar e delimitar as pesquisas acadêmicas, segmentando de acordo com a proposta e o objetivo de cada ciência.

Segundo o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), as áreas de conhecimento usadas para classificação no Brasil são:

  • Ciências Exatas e da Terra
  • Ciências Biológicas
  • Engenharias
  • Ciências da Saúde
  • Ciências Agrárias
  • Ciências Sociais Aplicadas
  • Ciências Humanas
  • Linguística, Letras e Artes.

Nesse contexto, as Ciências Exatas fazem parte da formação daqueles profissionais que buscam resolver problemas dentro de um sistema fechado e imutável.

Algumas das graduações que estão alocadas nesta área são Matemática, Física, Astronomia e Computação.

O uso dos números é um lugar comum do que entendemos como Exatas, e esta definição não está longe da realidade.

De fato, eles são a ferramenta primordial que o profissional vai usar para elaborar e testar suas hipóteses a partir do raciocínio lógico e cálculo.

Paralelo a isso, as Ciências Humanas propõem um estudo reflexivo de temas subjetivos, em uma análise que é muito menos exata, mas não menos complexa, pois engloba fatores humanos que por natureza se transformam e se ressignificam de maneira contínua.

Resumidamente, essa área trata do que é conhecimento e comportamento humano, entendendo os aspectos que estão envolvidos no comportamento e na vivência do indivíduo no contexto social.

Algumas das matérias que integram as Ciências Humanas são História, Filosofia, Sociologia e a Psicologia.

A partir destas definições, podemos partir para o entendimento de que a Economia é essencialmente humana.

Você lembra quando explicamos que as Ciências Econômicas buscam solucionar problemas de produção, distribuição e consumo?

Pois todos esses são fatores definidos pelo homem e pautam todos os aspectos de sua vida da Terra.

O estudo das Ciências Econômicas é justamente o estudo das relações humanas por meio da troca de mercadorias e do consumo.

Portanto, entendemos que a Economia faz parte das Ciências Humanas.

Por que a Economia é uma ciência que estuda a escassez?

A escassez é um ponto importantíssimo nos estudos de Economia e isso já deve ter ficado implícito pelas diversas citações do termo durante este artigo.

Mas o que isso significa, afinal de contas?

Quando falamos em uma escassez, isso quer dizer que os recursos são insuficientes para atender a uma demanda.

Ainda que a primeira coisa que venha à cabeça quando falamos de Economia seja dinheiro, a escassez aqui mencionada é geral e de diversos recursos: o tempo, a natureza, as matérias-primas, a tecnologia, a mão de obra, entre outros.

O fato é que a escassez é inerente ao planeta Terra, porque estamos lidando sempre com uma quantidade limitada de recursos.

No fim das contas, toda a vida humana é delimitada pelas condições físicas e geográficas postas pela natureza

Quando falamos de tempo, o dia tem impreterivelmente 24 horas, a semana tem 7 dias, e por aí vai.

A quantidade de pessoas qualificadas e disponíveis para trabalhar na produção de bens – qualquer que sejam eles – também é limitada e depende da localização de onde pretende-se produzir.

A escassez dos recursos naturais é uma que nem precisa ser exemplificada, pois já é vivida na prática com processos de desmatamento e desertificação que causam a atual crise climática.

No meio de tudo isso, a Economia é o estudo que permite ao homem fazer as melhores escolhas para destinação de todos estes recursos escassos.

Quais são as disciplinas para o curso de Economia?

Homem trabalhando com um notebook
Quais são as disciplinas para o curso de Economia?

O curso de graduação em Ciências Econômicas tem carga horária de 3.045 horas, divididas entre oito semestres – ou quatro anos – para conclusão dentro do período regular.

No primeiro ano, são ministradas a disciplinas de menor profundidade, tais como Contabilidade Básica, Introdução à Economia e Interpretação de texto.

O graduando terá ainda a oportunidade de aprender aspectos gerais do Pensamento Econômico e sua História, Estatística e Matemática aplicadas às Ciências Econômicas, além de noções sobre Contabilidade Societária.

O segundo ano é mais específico nas matérias de Economia em si, entrando nos pormenores do que é Macro e Microeconomia, além de ir a fundo sobre a formação histórica e o contexto atual da Economia do Brasil.

No terceiro ano, o estudo avança ainda mais ao trazer os aspectos regionais que interpelam as relações econômicas, sem deixar de explorar as regras que regem a economia internacional.

A Economia Pública é colocada em pauta com disciplinas que vão falar sobre a importância de o estado atuar (ou não) como um agente regulador, dando destino aos recursos escassos – uma discussão que permeia também o campo da Sociologia.

Por fim, o último ano fecha o círculo ao abordar as decisões políticas que estão presentes e são determinantes em todas as relações de troca econômica.

Na reta final, o acadêmico terá um aprofundamento maior sobre a Economia Política, paralelo ao desenvolvimento do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).

O que um economista pode fazer?

O campo de atuação para um profissional das Ciências Econômicos é muito amplo, existindo espaço tanto no setor privado quanto em empresas públicas e órgãos estatais.

Na economia empresarial, ele está capacitado para trabalhar na expansão de negócios, concepção e lançamento de novos produtos, resolução de crises, viabilização de logística, elaboração de planejamento financeiro, entre outros.

O economista pode ser contratado por empresas ou trabalhar autonomamente, como um consultor para análise e estudos pontuais de mercado, divisão de investimentos e viabilidade econômica.

No setor público, esse profissional é chamado para ocupar cargos estratégico nas diversas pastas em nível municipal, estadual e federal.

O profissional especializado em Economia Pública será responsável por cálculos de déficit ou superávit, estabelecimento de alíquotas de arrecadação, divisão de gastos entre outros fatores econômicos que garantem conformidade com a lei de responsabilidade fiscal.

Na área da saúde, os preceitos da Economia podem ser aplicados na compra e venda de medicamentos e equipamentos, oferecendo insights valiosos sobre demanda e precificação.

No caso das clínicas e hospitais credenciados ao Sistema Único de Saúde (SUS), o economista também é útil para determinar o uso dos investimentos públicos para melhor atender a demanda da população de acordo com faixa etária, classe social e calendário epidemiológico.

A Economia Ambiental é outro campo de atuação para o profissional, que deve trabalhar para garantir uma exploração sustentável dos recursos da natureza.

Este perfil de economista leva em conta a finitude das matérias primas, buscando formas de evitar a destruição total e garantir o desenvolvimento econômico a longo prazo.

Por fim, a agronegócio também é uma área que tem uma demanda progressiva por profissionais das Ciências Econômicas.

Quem deseja trabalhar nessa área vai analisar o mercado para, junto com o agrônomo, determinar as culturas mais rentáveis de acordo com a demanda do mercado consumidor e projeções para a próxima safra.

Qual a diferença entre Ciências Econômicas e Economia?

Ciências Econômicas, Mãos de dois homens escrevendo em cadernos
Qual a diferença entre Ciências Econômicas e Economia?

Ainda que os termos “Economia” e “Ciências Econômicas” tenham um entendimento parecido e tenham sido usadas de forma intercambiável até agora no texto, existe entre os dois algumas nuances que os diferenciam.

Neste artigo, Carlos José Caetano Bacha, professor titular da Universidade de São Paulo (USP), explica que a economia compreende as relações de troca que pautam as atividades de produção, comercialização e transporte dentro de um contexto.

Ou seja, o termo se refere às práticas econômicas do dia a dia, as pequenas e grandes escolhas de gerenciamento da escassez que determinam a movimentação financeira de um determinado lugar.

É o caso de quando falamos da economia da cidade de São Paulo, ou até mesmo da economia do Brasil enquanto colônia de Portugal.

Este tipo de concepção está ligado a um local de espaço e tempo, podendo ser analisado por um prisma local ou até mesmo global – “a Economia mundial no século XXI”, etc.

Por outro lado, o conceito de Ciências Econômicas é mais amplo e fala sobre as teorias e as práticas teóricas que guiam e guiaram as diversas economias pelo mundo.

Estão incluídas no termo todas aquelas regras observadas pelos séculos de trocas comerciais entre seres humanos, assim como o desenvolvimento histórico e as decisões políticas que acompanham.

É dentro das Ciências Econômicas que serão elaborados os conceitos e modelos que explicam o funcionamento da Economia.

A confusão entre os dois termos surge no Brasil muito por conta de uma tradução equivocada presente em um clássico da área: Principles of Economics, de Alfred Marshall.

O que acontece é que a palavra “Economics” é o que chamamos de falso cognato, uma palavra que apresenta semelhança a outra em português (Economia, neste caso) mas não é sua melhor tradução.

O fato é que Economia, em inglês, diz-se “Economy”, o que faz com que a melhor tradução para o título (traduzido oficialmente como “Princípios da Economia”) seja “Princípios das Ciências Econômicas”.

Qual a diferença entre Ciências Econômicas e Contábeis?

O trabalho do profissional de Ciências Contábeis é muito focado em números, sendo a área responsável pelo controle financeiro e o fluxo de recursos dentro de uma empresa.

Apesar de ser essencialmente do departamento financeiro, o contador trabalha muito próximo do setor de recursos humanos, já que é responsável pelos cálculos de rescisão contratual.

Ele também estará próximo ao jurídico, pois precisa ter um entendimento suficiente da legislação para garantir que o pagamento de impostos e encargos trabalhistas esteja de acordo com a lei.

Enquanto o economista pode oferecer uma visão mais ampla do negócio, trazendo conceitos econômicos aplicados a pesquisas de mercado e a demandas de consumo, o contador trabalha focado nos números e no cálculo exato.

Podemos dizer, então, que o economista e o contador têm um trabalho contínuo: um deles estuda os fatores externos e o outro foca na viabilidade interna da empresa ou instituição.

Quanto ganha uma pessoa formada em Ciências Econômicas?

Homem, sentado em uma mesa de escritório, trabalhando com vários computadores e gráficos
Quanto ganha uma pessoa formada em Ciências Econômicas?

A remuneração de um profissional formado em Ciências Econômicas pode variar muito, o que depende dos seguintes fatores:

  • Nível de formação: graduando, graduado ou pós-graduado
  • Setor em que trabalha: se público ou privado
  • Hierarquia do cargo na empresa: trainee, júnior ou sênior.

Confira nos tópicos abaixo as médias de remuneração nos diferentes níveis, de acordo com as informações fornecidas por usuários reais nos portais Catho, Love Mondays e Salário.

Quanto ganha um estagiário de Ciências Econômicas?

A remuneração em nível de estágio para graduando em Ciências Econômicas pode variar de R$ 1,1 mil a R$ 2 mil, a depender da vaga em questão e da empresa que a oferta.

Quanto ganha um perito econômico?

O perito econômico recebe um salário que varia entre R$ 4.600 e R$ 9.252,10.

São valores que representam o piso e o teto, respectivamente, de acordo com as convenções trabalhistas da categoria.

Quanto ganha um economista concursado?

O salário do profissional que trabalha concursado vai variar de acordo com a instituição, é claro, mas podemos dizer que oscila entre R$ 3.500 e R$ 6.000.

Quanto ganha um doutor em Economia?

A pós-graduação é uma ótima forma de elevar a remuneração.

E o profissional pós-graduado conta com um salário que varia de R$ 9.000 (nível de especialista) a R$ 13.000 (no caso de doutores).

Conclusão

Cada vez mais, a integração das economias locais em uma grande rede global tem provado a importância das Ciências Econômicas para ordenar e guiar as relações de troca da vida em sociedade.

Estamos inseridos em um contexto no qual já não faz mais sentido pensar em medidas protecionistas, porque, no fim das contas, elas se mostram inúteis em um mundo que já tem sua economia entrelaçada por desígnio.

Essa realidade evidencia o valor que o trabalho do economista tem para a manutenção dos sistemas econômicos que sustentam o convívio social.

Esse profissional tem vários espaços para sua atuação, do setor público ao privado, transitando no meio corporativo pelos departamentos de inovação, criação, marketing, finanças, controladoria, pesquisa e muito mais.

Seu trabalho polivalente é o responsável por gerenciar a escassez de recursos e desenhar fluxos que permitam a subsistência do homem por meio de um desenvolvimento sustentável e contínuo.

Seja na compra dos pãezinhos na padaria de manhã ou na aquisição de ações na bolsa de valores, todas as relações econômicas têm um economista por trás – e guiá-las da melhor maneira possível é o seu trabalho.

Gosta do tema e quer se especializar? Visita o site da UPIS, conheça a nossa graduação em Ciências Econômicas e também as opções de especialização, como a pós em Finanças.

Caso tenha alguma dúvida, aproveite para fazer contato.

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