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Comércio exterior: o que é, como é o curso e quais as áreas de atuação

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O comércio exterior é a base de uma balança comercial favorável.

Trata-se do saldo entre o que um país vende e compra de outros.

Quando se compra mais, a balança é negativa. Ou seja, há mais gastos do que receitas.

Já o sentido inverso indica o chamado “superávit” – portanto, saldo positivo.

Aliás, esse é um número divulgado semanalmente pelo MDIC, o Ministério da Economia brasileiro.

Na quarta semana de agosto, por exemplo, nossa balança comercial fechou com receitas de US$ 1,078 bilhão.

Bem menos que os US$ 2,7 bilhões registrados no mesmo período de 2018.

Portanto, podemos dizer que o nosso comércio exterior não performou tão bem, se considerarmos os resultados há um ano.

Seja como for, essa é uma rica área de atuação para quem pensa em uma carreira cheia de desafios e muitas frentes de trabalho.

Vamos nos aprofundar em sua análise a partir de agora, neste artigo em que a “arte” de negociar com outros países será destrinchada.

Continue lendo para saber ainda mais!

O que é comércio exterior?

 comércio exterior, avião de brinquedo com várias caixas ao lado
O que é comércio exterior?

Toda transação comercial entre nações faz parte do comércio exterior.

Por isso, essa é uma área de atuação profissional das mais antigas da história de humanidade.

Afinal, há indícios de que, já em 3.500 A.C., os fenícios utilizavam a navegação para chegar a lugares distantes.

É famosa a extensa rede de comércio criada e mantida por esse grande povo da antiguidade.

Já na Idade Média, é amplamente documentado o movimento das Grandes Navegações.

Elas impulsionaram não só o comércio exterior das potências europeias de então, como levou ao surgimento de novas nações nas Américas, África e Ásia.

Podemos dizer, então, que sem comércio internacional, o mundo não teria como se desenvolver.

Por isso, o comércio exterior está diretamente ligado à expansão do liberalismo econômico.

Esse modelo de organização das atividades produtivas é um pressuposto para a existência do fluxo comercial entre nações.

Isso significa que cada Estado deve ser livre para estabelecer canais de comércio com os países que desejar.

Comércio exterior brasileiro

Uma balança comercial positiva não se sustenta quando uma nação não consegue manter parcerias vantajosas com outros países.

No caso do Brasil, 2019 é um ano em que mudanças significativas estão sendo implementadas.

O novo governo vem buscando intensificar as relações com a maior potência econômica americana e ocidental, os Estados Unidos.

Sobre isso, um artigo da agência de notícias Thomson Reuters é bastante esclarecedor.

Ficam definidas, portanto, novas linhas de atuação em longo prazo para o comércio exterior brasileiro, tais como:

  • Mais independência em relação ao Mercosul
  • Intensificação dos laços comerciais com os Estados Unidos
  • Busca por novos mercados
  • Aumentar a participação do comércio exterior no PIB.

No dia a dia, o governo dá sinais de que pretende de fato abrir as portas do comércio para outros países, diversificando as parcerias.

Um exemplo disso foi a recente assinatura do Acordo de livre comércio Mercosul-Efta.

Vale destacar que o Efta é um bloco transnacional formado por Suíça, Islândia, Noruega e Liechtenstein.

Isso prova, de certa forma, que o governo está de fato empenhado na diversificação da sua “carteira” de parcerias.

Quer dizer que não há equívocos? Seguramente, não.

Afinal, diversos especialistas condenaram a aproximação com os Estados Unidos, uma vez que ela pode contrariar os interesses do maior parceiro do Brasil, a China.

Ainda não há como avaliar os efeitos e desdobramentos dessa aproximação.

Seja como for, nada indica que a China deixará de ser um forte aliado no comércio exterior, pelo menos no curto prazo.

E você, o que pensa sobre o assunto?

O curso de comércio exterior

comércio exterior, Várias pessoas, sentadas em uma mesa, em reunião
O curso de comércio exterior

Como todo curso de formação, seja em nível superior ou livre, o de comércio exterior deve ser reconhecido pelo MEC, o Ministério da Educação, conforme os termos da Lei nº 9.394, de 1996.

Isso posto, é importante ainda destacar que há uma intensa procura por formação nessa área.

O aumento na demanda tem a ver com o próprio desenvolvimento do comércio exterior brasileiro.

Afinal, como já vimos, a diversificação das parcerias e formação de novas rotas comerciais é uma das prioridades do governo.

Logo, há um ambiente favorável para investir nessa carreira.

Algumas instituições oferecem cursos livres, como a Abracomex, a Associação Brasileira de Consultoria e Assessoria em Comércio Exterior.

Já outras, como o Senac, oferecem cursos de graduação em Administração, com especialização em comércio exterior.

Trata-se de um bacharelado do tipo tecnológico que pode até ser feito no modelo EAD.

Para quem já trabalha no ramo, então, um curso livre pode ser mais indicado.

Já para os que querem se tornar especialistas, o melhor é investir na graduação.

Grade curricular

É correto dizer que as disciplinas dos cursos de comércio exterior têm forte ligação com as de cursos de administração.

Veja, por exemplo, o curso da Abracomex para despachante aduaneiro.

Segundo o programa do curso, nele, o aluno terá contato com disciplinas do tipo:

  • Normas Gerais: legislação aduaneira e administrativa no comércio exterior: Portaria SECEX e regulamento aduaneiro.
  • Habilitação de empresas para exportação e importação: radar limitado e ilimitado PJ
  • Contratos internacionais e incoterms (cláusulas)
  • Câmbio: modalidade de pagamentos e riscos financeiros
  • Financiamentos no comércio exterior
  • Classificação fiscal de mercadorias (NCM)
  • Tributos e taxas. Conceitos e aplicação
  • Regras gerais do comércio internacional (dumping, medidas compensatórias e barreiras comerciais, câmara de comércio internacional, OMC)
  • A logística internacional
  • Desenvolvimento de casos reais

Já a graduação, como tal, é organizada por períodos, cada um formatado para prover formação partindo dos aspectos básicos da profissão.

No caso do já citado curso do Senac, os últimos períodos são reservados para formar gestores.

Afinal, trata-se de um curso de administração, com foco em comércio exterior.

Quanto tempo dura?

Dependendo do tipo de curso escolhido e da instituição, é certo que os conteúdos e a carga horária vão variar.

Os da Abracomex, por exemplo, são cursos livres com duração, segundo o site da instituição, de 6 meses e 360 horas/aula.

Entre os tópicos e disciplinas abordadas estão atividades profissionais do analista de comércio exterior, perfil e conduta do profissional de sucesso e mercado de trabalho global.

Já a graduação do Senac, por ser estruturada como um curso de graduação, conta com uma grade curricular mais extensa.

Nesse aspecto, cada semestre (ou período) trata de uma etapa da formação do futuro profissional de comércio exterior.

Ou seja, tudo vai depender dos seus objetivos em termos profissionais e de carreira.

Se a sua ideia é se especializar ainda mais, então os cursos livres são a alternativa mais curta.

Em contrapartida, a graduação tomará mais tempo, mas o tornará um profissional completo.

Qual é a sua necessidade?

Mercado de trabalho para comércio exterior

Navio cargueiro com vários contêineres
Mercado de trabalho para comércio exterior

Uma vez que você tenha identificado o tipo de curso ideal para as suas pretensões, precisará, naturalmente, acompanhar a evolução do mercado de trabalho.

Como o novo governo assumiu no começo de 2019, temos pela frente ao menos 4 anos para a continuidade do atual projeto.

É o tempo para você prestar vestibular, fazer a matrícula e se formar em uma graduação.

Mas se a sua intenção é investir em cursos livres, então, desde já, deve manter seu “radar” ligado.

Assim sendo, conheça as diversas funções e especialidades de um profissional em comércio exterior.

O que faz um profissional de comércio exterior?

O profissional de comércio exterior não deixa de ser, por analogia, um diplomata extra-oficial.

Isso porque a essência do seu trabalho é intermediar e negociar.

Quando se faz isso em território nacional, tudo é mais simples.

Afinal, todos falam o mesmo idioma, estão sujeitos às mesmas regras e utilizam a mesma moeda.

Mas quando nenhum desses elementos está presente, aí o preparo deve ser maior.

Isso porque, além de todo um background de conhecimento sobre línguas, leis e finanças, o especialista em comércio exterior deve entender bastante da parte operacional.

Ou seja, você precisará ser, ao mesmo tempo, hábil para negociar, enquanto cuida da parte prática dos processos aduaneiros.

Um desafio e tanto, não é?

Áreas de atuação do profissional de comércio exterior

O especialista em comércio internacional, como já se pode perceber, pode atuar em muitas áreas.

Assim sendo, se você busca por uma profissão em constante movimento, saiba que essa é uma escolha acertada.

Dinamismo é a palavra que define melhor o estimulante ramo do comércio exterior.

Nele, você poderá atuar tanto como um profissional de retaguarda como um agente “de campo”.

Ou seja, tem funções e atividades para todos os gostos e perfis.

Do mais cerebral ao mais enérgico, há um extenso campo de atuação, com diversas áreas que atuam em sinergia.

Conheça as principais delas agora mesmo!

Compras Internacionais

A balança comercial é formada, de um lado, pelas compras que um país faz e, de outro, pelas vendas.

O saldo disso, como vimos, pode representar déficit ou superávit.

Nesse sentido, o especialista em compras internacionais assume um papel dos mais relevantes para uma balança sempre equilibrada.

É ele/ela quem vai ditar o ritmo das negociações, considerando os limites aduaneiros, impostos e restrições alfandegárias.

Afinal, no comércio exterior, o que não falta são regras, taxas e incoterms de conhecimento obrigatório.

Tudo isso exige do profissional de compras internacionais muita bagagem e preparo.

De um lado, existe toda uma frente de negociação direto com fornecedores estrangeiros.

E de outro, todo um custo (que é bem alto) embutido em cada compra para ser compensado nas etapas posteriores da cadeia de suprimentos.

Despacho Aduaneiro

A etapa mais crítica do comércio internacional é o despacho aduaneiro.

Trata-se do cumprimento de todas as obrigações junto aos órgãos tributários, aduana, Polícia Federal e portos para liberação de produtos importados ou para exportação.

Um simples erro, e atrasos com altíssimo potencial para causar prejuízos serão causados.

Afinal, diárias em entrepostos podem representar somas elevadas, reduzindo significativamente os lucros sobre as vendas.

Por isso, o lema “tempo é dinheiro” cai como uma luva para o profissional que atuar nessa área.

Para quem gosta de ação e desafios, está aí uma ótima opção de carreira.

A despeito da burocracia envolvida, o despacho aduaneiro é sim uma área muito estimulante.

Será que você se identifica?

Operações

A área de operações é tão desafiadora quanto a do despacho aduaneiro.

Se a liberação de mercadorias exige muito conhecimento sobre regras, processos e tributação, na parte operacional, se soma a tudo isso as demandas de logística.

Desde a escolha do modal de transporte até o porto para despacho, fornecedores e entrepostos, tudo passa pelo profissional de operações.

Naturalmente, também estão envolvidos nesse processo questões como documentação, tempo de embarque e desembarque, armazenagem, entre outros pontos.

Dessa forma, é preciso ter amplo conhecimento de toda a supply chain envolvida nas operações de comércio exterior.

Consultoria

O comércio exterior, por ser competitivo, está também sujeito ao ingresso de outras empresas no mercado.

Ter novos players significa outro terreno para o profissional de comércio exterior atuar, o de consultoria.

Nesse sentido, ele auxilia e orienta ao tratar dos incontáveis processos inerentes à atividade.

Para empresas iniciantes, a consultoria é fundamental.

Já para as que estão há mais tempo no mercado, ela é útil, por exemplo, quando se deseja obter melhores resultados.

Afinal, o que não faltam são possibilidades quando se trata de comércio exterior.

Cabe ao consultor identificar onde elas estão e o que fazer para aproveitá-las da melhor forma.

Região portuária
Região portuária

Por isso, é necessária grande capacidade estratégica, de liderança e de coordenação de processos.

Marketing

Como toda atividade que visa à satisfação do cliente e ao lucro, o comércio exterior não pode abrir mão de especialistas em marketing.

Essa é uma área de atuação que também demanda conhecimentos sobre leis, incoterms e operações.

Contudo, o foco aqui é mais na parte mercadológica mesmo.

Em outras palavras: cabe ao especialista em marketing no comércio internacional avaliar diferentes mercados e decidir com base em informação.

Essas decisões podem envolver a escolha de fornecedores, de mercados, de estratégias de vendas e de como alcançar o público-alvo.

Supply Chain

 

 

Seja na terra, seja no mar, a supply chain é sempre uma área das mais estimulantes para um profissional de comércio exterior.

Afinal, o sucesso nas vendas depende de uma cadeia de suprimentos muito bem azeitada e coordenada.

Imagine que uma mercadoria que sai de um outro país pode percorrer milhares de quilômetros em navios, aviões, caminhões ou vans para chegar ao seu destino.

Entre o ponto de partida até a chegada ao consumidor final, há toda uma rede  que precisa ser perfeitamente articulada.

Fazer essa articulação é a missão do especialista em comércio exterior com foco em supply chain.

Gestão

Todas as áreas das quais falamos têm uma necessidade em comum: a gestão.

Sem gerir processos, não há marketing, supply chain, despacho aduaneiro ou compras que se sustentem.

Assim sendo, o especialista em gestão será a figura responsável por manter alinhados todos os setores e profissionais de segmentos distintos.

Um bom gestor em empresas de comércio internacional é aquele capaz de fazer com que os departamentos atuem orientados por objetivos em comum.

Tudo isso considerando a parte estratégica e operacional do negócio.

Não menos importante, o gestor ou gestora será responsável por selecionar, recrutar e treinar braços e mentes para as empresas de comércio exterior.

Claro que isso vale também para os que tocarem um negócio próprio.

Afinal, nesse competitivo ramo, é igualmente necessário investir na atração e retenção de talentos.

 

Procurement

Há quem confunda a função do especialista em procurement com a do profissional de compras.

É compreensível, já que ambos, no final, tratam do mesmo assunto, a aquisição de produtos.

Outra confusão que se faz é com o termo sourcing.

Para não nos alongarmos muito nessas diferenciações, basta saber que o procurement trata da parte estratégica do processo de compras em geral.

Por isso, é também conhecido pelo termo aprovisionamento.

Consiste, então, em uma série de processos e medidas pelas quais uma empresa escolhe meios de abastecimento que potencializem os lucros.

Ou seja, o procurement antecede as compras.

O sourcing, por sua vez, é uma parte do procurement.

Ficou claro para você?

Média salarial

Com tantos desafios por superar e uma alta exigência por especialização, é esperado que a média salarial do profissional de comércio exterior seja compatível.

Nesse aspecto, precisamos considerar, ainda, o que cada um tem como padrão de vida ideal. Um salário pode ser baixo para alguns, mas satisfatório ou muito bom para outros.

Veja, por exemplo, o que diz o site Glassdoor.

De acordo com esse índice salarial, o salário médio de um especialista em comércio exterior é de R$ 3.768 mensais.

Isso significa que os salários mais baixos estão por volta dos R$ 2 mil e os mais altos batem os R$ 6 mil.

É mais ou menos o mesmo que diz o portal Catho.

Nele, a média salarial calculada é de R$ 3.220,30.

Conclusão

A carreira no comércio exterior é repleta de desafios estimulantes.

Pelo exposto neste artigo, o que se pode dizer é que a fluência em dois ou mais idiomas é um requisito fundamental.

Conhecimentos sobre impostos, incoterms, política internacional e tratados comerciais são igualmente indispensáveis.

E seja qual for a sua futura área de atuação, não deixe de investir em uma formação sólida.

Caso você tenha ficado com alguma dúvida ou queira acrescentar algo ao post, não hesite em usar o espaço para comentários.

Até o próximo artigo!

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