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Design Thinking: o que é, etapas e como aplicar

Imagem com as palavras DESIGN THINKING, EMPATHIZE, DEFINE, IDEATE, PROTOTYPE e TEST

O que você imagina quando ouve a expressão design thinking?

Acredita ser mais um termo estrangeiro que represente uma metodologia que já utilizamos, mas agora com um nome mais arrojado?

Então, vale a pena repensar seus conceitos e continuar a leitura desse artigo com a mente aberta.

Isso porque design thinking é uma abordagem que pode ajudar na busca por soluções mais inteligentes e criativas para velhos problemas, de forma simples e moderna.

E ainda pode ser utilizada em diversos contextos e realidades.

Se você ficou interessado em saber mais, siga a leitura.

Nas próximas linhas, vamos explicar o que é o design thinking, suas etapas e aplicações.

O que é o Design Thinking?

O design thinking é uma abordagem que busca solucionar problemas de forma criativa e inovadora.

O foco é entregar uma solução de qualidade, tendo como base uma concepção colaborativa e empática.

Muitos acreditam que o design thinking é uma metodologia, mas isso está equivocado.

Isso porque uma metodologia implica a existência de uma receita a ser seguido, algo como uma fórmula que pode se encaixar em qualquer realidade.

E não é esse o caso.

A palavra thinking vem do verbo inglês think, que significa pensar.

E design, que também é uma palavra inglesa, tem como significados: projetar, planejar, desenhar ou esboçar um projeto.

Com isso, é possível perceber que o design thinking é uma nova maneira de pensar e abordar os problemas em busca de soluções.

Ou, ainda, para a criação de produtos novos e diferenciados.

É uma abordagem que vai além do design e do pensamento e valoriza a criatividade, a empatia, a colaboração e a experimentação para desenvolver novas soluções.

Por meio de algumas etapas – que ainda serão detalhadas ao longo do artigo – permite encontrar o problema, avaliar as alternativas, propor uma solução e testá-la.

É um processo que busca mapear a experiência e visão de mundo das pessoas para obter um cenário mais amplo e completo do problema.

Isso permite uma melhor definição para a questão, levando em conta todas as dificuldades e necessidades do público-alvo.

E design, o que é?

O conceito de design é extremamente amplo.

Segundo o Dicionário Michaelis, design é:

  1. Concepção de um projeto ou modelo; planejamento.
  2. O produto deste planejamento.

Já o Dicionário Houaiss possui uma definição bem mais ampla. Segundo ele, design é:

Rúbrica: desenho industrial.

  1. Concepção de um produto (máquina, utensílio, mobiliário, embalagem, publicação etc.), esp. no que se refere à sua forma física e funcionalidade
  2. Derivação: por metonímia.

O produto desta concepção.

  1. Derivação: por extensão do sentido (da acp. 1).

m.q. desenho industrial

  1. Derivação: por extensão de sentido

m.q. desenho-de-produto

  1. Derivação: por extensão de sentido

m.q. programação visual

  1. Derivação: por extensão de sentido

m.q. desenho (forma do ponto de vista estético e utilitário e representação de objetos executada para fins científicos, técnicos, industriais, ornamentais).

A partir dessas definições, podemos entender o design como a qualificação de diversos fatores de um produto para que ele possa atender às necessidades do consumidor.

Ou seja, significa aperfeiçoar pontos funcionais, questões ergonômicas ou aspectos visuais para melhorar o conforto, a segurança e a satisfação do cliente com aquele produto ou serviço.

O design é uma forma de acrescentar valor a produtos industrializados, para que eles alcancem novos mercados.

Existem duas formas de design que são as mais conhecidas:

  • Gráfico: desenvolvimento de projetos de criação de marca, papelaria, visual de embalagens, cartazes, folhetos, revistas, capas de livros, etc.
  • De produto: criação de projetos de diversos objetos, como móveis, aparelhos, torneiras, carros, entre outros.

Mas vale dizer que, atualmente, já existem diversas subcategorias dentro do design, como ambiental, cênico, de vitrines, de interface e o webdesign.

O que faz um profissional de Design Thinking?

Homem escrevendo em um vidro e outro homem e uma mulher observando
O que faz um profissional de Design Thinking?

Como vimos, o design thinking é uma abordagem multidisciplinar e completamente colaborativa.

Por esse motivo, pode ser realizado por profissionais das mais diversas áreas.

Para ser um designer thinker, não necessariamente deve possuir formação em alguma área criativa.

Quem atua com marketing, gestão, planejamento, vendas ou qualquer outra área, pode estudar sobre o tema, adquirir conhecimentos e trabalhar com isso.

No entanto, o mais importante é compreender a necessidade do cliente para, a partir daí, gerar insights criativos e trabalhar a solução dos problemas.

É um processo que deve ser realizado em conjunto, o que leva o profissional da área a sempre buscar o diálogo e a troca de experiências.

Além disso, ele realiza pesquisa de tendências e referências, busca por colaborações, ouve outras pessoas e equipes, desenvolve testes e analisa dados.

O trabalho com design thinking lida principalmente com hipóteses e incertezas e, por isso, a realização de testes é essencial para que, em conjunto com a equipe, os profissionais consigam, de fato, propor soluções inovadoras.

Para tanto, algumas habilidades são necessárias, a exemplo de :

  • Ter noção sobre as dinâmicas e ferramentas de design thinking
  • Saber desenvolver e aplicar pesquisas quantitativas e qualitativas
  • Entender sobre análise de dados e validação de protótipos
  • Ser criativo, empático e possuir a mente aberta
  • Trabalhar em equipe – se relacionar bem com os colegas.

As etapas do Design Thinking

Como já destacado, não existe uma fórmula mágica no design thinking.

Ainda assim, há etapas consideradas obrigatórias para que o conceito seja colocado em prática.

Elas existem para organizar o processo a ser realizado e desenvolver todas as possibilidades criativas que possam existir dentro da empresa, buscando a inovação e a descoberta de novos valores e significados.

Conheça a seguir quais são essas etapas.

Imersão

Tudo começa pelo momento em que a equipe do projeto busca entender o problema e visualizá-lo de diversos ângulos.

Por meio da utilização de ferramentas, como a análise SWOT, são estudadas as forças, fraquezas, oportunidade e ameaças que possam impactar o projeto e seu desenvolvimento.

É basicamente um momento de imersão para compreender o problema, seu contexto, identificar as pessoas envolvidas, suas necessidades e desejos.

Inicialmente, são realizadas pesquisas superficiais sobre o tema. São estudos exploratórios e de referência.

Por meio deles, é possível definir o escopo do projeto, seus limites e encontrar oportunidades de inovação.

Em seguida, começa uma imersão mais aprofundada, na qual são realizadas entrevistas e trabalhos de campo para a elaboração de um projeto de pesquisa.

Todo o material produzido serve de referência para as próximas etapas.

Análise e síntese

A primeira etapa produziu materiais de estudo, mas nem tudo pode ser aproveitado.

Por isso, nesta segunda fase, é realizada a análise e organização de tudo o que foi compilado, de forma lógica e racional.

É o momento de identificar padrões e categorizar os insights para entender melhor a questão e, por consequência, caminhar em direção a novas soluções.

Algumas ferramentas se mostram bastante úteis neste estágio, a exemplo de diagramas de afinidades, mapas conceituais e organogramas.

A partir delas, é possível identificar as melhores oportunidades de inovação e, com isso, começar a definir o público-alvo e a linha de trabalho.

Ideação ou Ideation

Também conhecida como a fase de brainstorming, é a etapa em que a equipe tem o objetivo de pensar em soluções e ideias inovadoras para o problema apresentado.

É bem verdade que essa é uma busca que se repete ao longo de todo o processo, mas é neste estágio em que a ideação acontece de fato.

Muitas propostas vão surgir a partir dos elementos reunidos nas etapas anteriores.

Por isso, a recomendação é aproveitar para explorar a criatividade da equipe envolvida, estimular que todos contribuam e fiquem à vontade para apresentar ideias ousadas, sem que haja julgamentos.

É importante garantir a liberdade para opinar, errar, acertar e experimentar.

Afinal, o medo de falhar ou receber críticas pode travar a geração de possibilidades e inibir a criatividade.

Prototipação ou Prototipagem

Chegamos ao momento de colocar em prática as ideias e soluções que foram desenvolvidas pela equipe na etapa anterior.

Nesta fase, é montado um protótipo, que tem o objetivo de avaliar se a criação foi um sucesso ou se precisará de ajustes.

Para tanto, é importante que a equipe utilize tudo o que foi aprendido ao longo do processo.

A criação do protótipo consiste na produção de um Mínimo Produto Viável (MVP), que deve ser uma versão simplificada do produto para utilização em um período de testes.

Testes e implementação final

Com o MVP criado, é chegada a hora de iniciar os testes.

A intenção aqui é avaliar a resposta da solução e, caso ela seja validada, partir para a fase de implementação.

Não havendo a resposta esperada, será preciso rever o que foi feito, buscar novas ideias e corrigir os erros.

Quando a proposta é aprovada, chega o momento de realizar pequenos ajustes que sejam necessários para que o produto possa ser lançado para o consumidor.

É importante lembrar que esse é um processo contínuo, então, o trabalho não acaba nesta etapa.

O foco vai para o aperfeiçoamento constante, a partir do qual são mapeadas as fraquezas e oportunidades existentes em cada projeto.

Quais os três pilares do Design Thinking?

Imagem com as palavras DESIGN THINKING, EMPATHIZE, DEFINE, IDEATE, PROTOTYPE e TEST
Quais os três pilares do Design Thinking?

Por trás do design thinking, existem três pilares essenciais.

Eles devem ser considerados pela equipe para lidar com os obstáculos encontrados, compreender os problemas envolvidos no projeto e, principalmente, analisar e experimentar as inovações soluções encontradas.

Confira quais são:

1. Empatia

A empatia é o primeiro pilar do design thinking, visto por muitos como o principal deles.

Para que seja possível propor uma inovação ou encontrar uma solução diferente e aderente ao problema da empresa, é importante saber se colocar no lugar do outro.

Ou seja, ser empático, entender as experiências vividas por essas pessoas, o contexto em que eles estão inseridos, os caminhos percorridos.

É preciso compreender os comportamentos e as decisões de cada um, o que permite um maior aprofundamento sobre as necessidades, as limitações e os desejos das pessoas.

Dessa forma, é possível adquirir uma visão multidisciplinar.

2. Colaboração

Este pilar envolve a co-criação como uma soma de experiências.

No design thinking, o trabalho em equipe é extremamente valorizado.

E para o desenvolvimento de um conhecimento criativo, é preciso que exista a colaboração ou a co-criação.

Ao se estabelecer um conjunto multidisciplinar, é possível agregar diversas áreas do conhecimento, o que permite o surgimento de ideias e insights inovadores.

Eles são resultado do amadurecimento de diferentes perspectivas compartilhadas, somadas e multiplicadas na busca por uma solução comum.

3. Experimentação

O pilar da experimentação é responsável pela transformação de tudo o que foi observado, analisado e colocado em prática.

Significa observar e analisar as ideias e soluções criadas nos mais diferentes cenários e circunstâncias.

Os contextos diversos favorecem a coleta de apontamentos e o oferecimento de feedbacks para o seu aprimoramento.

É o que faz com que o design thinking seja uma abordagem não-linear.

Ou seja, ao realizar a experimentação, é possível encontrar novos problemas e buscar outras soluções, resolvendo os questionamentos encontrados de maneira inédita.

Principais aplicações do Design Thinking

Você deve ter percebido que, ao longo do texto, usamos o lançamento de um produto como exemplo de aplicação do design thinking.

Mas a verdade é que são vários os contextos em que a ferramenta se mostra útil, podendo ajudar a todos os tipos de empresas.

O ponto de atenção deve ser pela formação de uma equipe multidisciplinar.

É interessante envolver no projeto pessoas de áreas do conhecimento diferentes, pois, dessa forma, surgirão insights mais colaborativos e criativos.

Também é essencial que a equipe tenha um bom relacionamento de trabalho e que estabeleça uma conexão, sempre levando em conta os três pilares que destacamos acima.

O design thinking é uma prática que pode ser utilizada em todos os setores da empresa, desde as vendas até o planejamento estratégico.

O importante é que exista um problema para ser solucionado ou uma inovação que precise ser criada.

Quer um exemplo?

Vamos imaginar que o setor de vendas tem desempenho estagnado e precisa de ideias criativas para atrair e engajar clientes.

Nesse caso, utilizar o design thinking pode ser a solução.

Ela pode ajudar a buscar formas de persuadir os consumidores, como ao se colocar no lugar deles e entender exatamente o que buscam e quais são as suas necessidades.

Com isso, a equipe pode oferecer o produto ideal para o cliente e no momento certo.

Como aplicar em empresas

Para aplicar o design thinking em uma organização, primeiro, é importante lembrar que cada negócio possui um ramo de atividade, particularidades, cultura organizacional e objetivos diferentes.

Nesse sentido, o primeiro ponto é utilizar os três pilares – especialmente o da empatia.

Isso porque o principal objetivo do design thinking é resolver o problema de um público, que pode ser interno (colaboradores) ou externo (consumidores, investidores, fornecedores), buscando a sua satisfação plena.

Além disso, a multidisciplinaridade da equipe é um fator essencial, pois é por meio dela que será possível avaliar os problemas pelos mais diversos ângulos antes de propor soluções criativas.

Ou seja, cabe ao gestor avaliar cuidadosamente a melhor maneira de utilizar os conceitos de design thinking em sua empresa e adaptá-los à sua realidade.

No entanto, é válido incentivar uma cultura de criatividade, colaboração e cooperação dentro da empresa, na qual todos façam parte da solução do problema.

Não custa lembrar que o design thinking não é apenas de um projeto, mas uma nova mentalidade.

Qual é o objetivo principal do Design Thinking?

Mão feminina colando blocos de notas colorido adesivo em parede de vidro
Qual é o objetivo principal do Design Thinking?

Acreditamos que você já tenha percebido qual o principal objetivo do design thinking, mas não custa avançarmos nele.

É encontrar soluções para problemas de forma criativa e inovadora, tendo como foco a entrega de um produto, serviço ou experiência que seja desejado ou necessitado por uma pessoa ou um grupo de pessoas.

É desenvolver algo que alguém precisa, que seja útil e viável.

Mas, para que isso seja possível, Tim Brown, um dos maiores especialistas na área, destaca em seu livro Change by Design, de 2009, um aspecto fundamental:

“O design thinking depende da nossa capacidade de ser intuitivos, de reconhecer padrões, de construir ideias que tenham significado emocional e funcionalidade, de se expressar em outras mídias que não palavras ou símbolos.”

Nesse sentido, podemos destacar que, de modo geral, o design thinking é muito utilizado para:

  • Encontrar soluções inovadoras para problemas da empresa e para o cliente
  • Entender quais as necessidades e os desejos dos consumidores
  • Criar produtos novos e serviços que agreguem valor
  • Desenvolver novas ferramentas e originar marcas.

Significa pensar na inovação e colocá-la em prática, tendo como base as reais necessidades do mercado ou da empresa – e não apenas suposições.

Design Thinking e a experiência do usuário

Design Thinking, Dois homens olhando para um quadro branco com desenhos
Design Thinking e a experiência do usuário

A experiência do usuário também tem ganhado importância dentro das empresas.

Isso porque o usuário (ou consumidor, ou cliente) é o ponto focal para o sucesso de qualquer marca, produto ou serviço.

Mas o que a experiência do usuário, chamada de UX (user experience), tem a ver com o design thinking?

Enquanto o DT está mais focado na criação de soluções inovadoras, o UX busca a melhoria de produtos e serviços.

Ou seja, a utilização de design thinking pode auxiliar no desenvolvimento da experiência do usuário ao propor soluções para qualificar o que as empresas oferecem.

Conclusão

Agora que você já conhece o design thinking, suas etapas e aplicações, está preparado para levar essa abordagem para os seus projetos.

Ela permite o desenvolvimento de soluções criativas, agrega valor e ainda gera vantagem competitiva.

Mas é sempre importante lembrar que, ao aplicar o design thinking, um ponto essencial é montar uma equipe multidisciplinar, com profissionais que possam gerar os melhores insights e compreender os desejos e as necessidades dos clientes.

Além disso, é preciso que os três pilares dessa abordagem estejam presentes em todas as etapas.

Restou alguma dúvida sobre design thinking? Deixe um comentário abaixo ou, se preferir, entre em contato conosco.

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