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Economia colaborativa: o que é, como funciona e 8 exemplos

economia colaborativa

Uma coisa é certa: você já utiliza a economia colaborativa, mas pode não saber.

Isso porque ela está presente em vários setores das nossas vidas, sendo muito usada no dia a dia para tornar a rotina mais cômoda e tranquila.

Grande tendência dos últimos anos, chegou para ficar e tem alterado bastante o mercado consumidor de forma global.

Segundo um estudo da PwC, somente cinco setores-chave da economia compartilhada – viagens, automóveis, finanças, contratação de pessoal e streaming de músicas e vídeos – movimentam US$ 15 bilhões, atualmente, podendo chegar a US$ 335 bilhões até 2025.

De acordo com uma pesquisa feita pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e pela Confederação de Dirigentes Lojistas, 87% dos entrevistados acreditam que o consumo colaborativo vem ganhando espaço.

Além disso, 89% deles já usaram algum modelo de economia compartilhada e ficaram satisfeitos com o resultado.

Dentre os mais utilizados estão as caronas (41%), o aluguel de casas (38%), o compartilhamento de roupas (33%) e a locação de bicicletas (21%).

Mas, apesar disso, 51% ainda se mostram receosos e dizem que o principal motivo é a falta de confiança.

Então, com todos esses dados, vale a pena conhecer um pouco melhor o que é a economia colaborativa e como ela realmente funciona.

Com o objetivo de mostrar para as pessoas a importância de um consumo mais consciente, a fim de refletir sobre o uso mais eficiente de recursos, esse novo modelo tem revolucionado a economia.

Ficou interessado em saber mais sobre o tema? Nossa dica é: acompanhe este artigo e fique por dentro!

Boa leitura!

O que é economia colaborativa?

Também conhecida como consumo colaborativo ou economia compartilhada, a economia colaborativa é um conceito que engloba o acesso a bens e serviços por meio do compartilhamento.

Nesse sentido, ela pode ocorrer através de troca, aluguel, doação, empréstimo ou alguma negociação semelhante.

É algo bastante simples em que os consumidores obtêm o que precisam com outras pessoas ou empresas, e não necessariamente precisam recorrer a grandes organizações.

Ou seja, ela propõe não apenas um novo modelo de negócios, mas uma forma diferente de se viver e de enxergar a relação de consumo.

Além disso, trouxe uma percepção de que era necessário encontrar uma alternativa para mudar a realidade atual de consumo e o acúmulo de bens.

Nessa modalidade, portanto, as pessoas dependem umas das outras para consumir, e não mais exclusivamente de grandes empresas.

Ela consiste em dar, trocar, emprestar, negociar, alugar e compartilhar produtos e serviços por uma taxa e entre uma pessoa ou empresa que tem algo que outro indivíduo necessita.

Foi então que companhias maiores viram uma oportunidade e passaram a atuar como intermediárias nessa nova relação de consumo, ajudando a aumentar a confiança.

Alguns exemplos são a OLX, um site no qual as pessoas compram produtos usados, e a Uber, que fornece transporte para quem deseja uma alternativa mais barata em comparação ao táxi.

Então, podemos dizer que a economia colaborativa é uma nova maneira de olhar os processos de organização social que estão ligados à produção, distribuição e consumo de bens e serviços.

Ela pode ser vista como um ecossistema socioeconômico que é construído ao redor do compartilhamento de recursos humanos, físicos e intelectuais.

Como a economia colaborativa funciona?

Economia colaborativa, motoqueiro de aplicativo fazendo entregas
Como a economia colaborativa funciona?

A melhor forma de explicar como a economia colaborativa funciona é por meio de um exemplo.

Vamos imaginar que você precise limpar a área externa da sua casa ou aquela varanda que fica exposta ao sereno. O motivo é tentar retirar a sujeira que se acumulou no piso ao longo do tempo.

A primeira opção que vem à sua mente é contratar uma empresa especializada nesse tipo de limpeza e que possua os equipamentos necessários.

Mas, e se você resolver que pode realizar esse trabalho sozinho?

Primeiro, vale pensar que comprar o equipamento necessário para essa limpeza não valeria a pena, já que ele custa caro e você o utilizaria poucas vezes.

Então, surge a ideia de alugar o lava-jato de alta pressão. Essa seria uma ótima opção ,já que o custo será menor do que comprar um equipamento novo, não é mesmo?

É nesse momento que você busca alguém que já possua esse aparelho e que toparia compartilhar o seu uso em troca de uma compensação financeira. Um aluguel, no fim das contas.

Ou seja, você acabou de praticar a economia compartilhada. E tanto você quanto o dono do equipamento saíram ganhando.

É exatamente esse o espírito do compartilhamento.

E esse exemplo pode ocorrer nos mais diversos contextos, seja com uma prestação de serviço ou na compra de algum produto.

Não existem limites para esse modelo de negócio.

Tanto que, atualmente, condomínios já passaram a utilizar esse conceito, oferecendo serviço de compartilhamento de bicicletas, lavanderia, entre outros.

Em suma, a economia colaborativa é uma maneira encontrada para reduzir o mercado de consumo e os gastos, mas sem que as pessoas sejam privadas dos serviços.

A diferença entre economia colaborativa e tradicional

economia colaborativa, Imagens de várias bicicletas, amarelas, para uso coletivo
A diferença entre economia colaborativa e tradicional

Agora que você já entendeu melhor o conceito da economia colaborativa, vamos relembrar o que é a economia tradicional para entender melhor as diferenças entre ambas.

A economia tradicional, ou clássica, utiliza os recursos naturais e, consequentemente, industriais, para a produção de bens e serviços.

Além de satisfazer as necessidades humanas por meio do consumo, o lucro é outro de seus principais objetivos.

Nesse contexto, o maior dilema da economia tradicional é que os recursos que ela explora são limitados. A consciência ambiental, portanto, é restrita.

Ao questionar esses conceitos, a economia colaborativa propõe alternativas à premissa do crescimento constante por meio da utilização de recursos.

Claro que ela também visa o lucro, mas, ao mesmo tempo, parte de um modelo que valoriza mais o acesso aos bens e serviços.

Além disso, ela muda a organização hierárquica dos papéis econômicos, propondo uma organização em rede.

Assim, o fornecedor e o consumidor podem alternar suas funções.

Diferente da tradicional, a economia colaborativa promove uma conexão maior entre as pessoas ao estimular mais a cooperação, e não somente a competição.

6 benefícios da economia colaborativa

Varias pessoas trabalhando juntas em uma mesa
6 benefícios da economia colaborativa

Você já deve estar ciente de ao menos dois dos benefícios da economia colaborativa: a praticidade e a contenção de despesas.

Mas não são apenas essas as suas vantagens.

A seguir, confira outras!

1. Poder social

Um dos movimentos sociais mais marcantes do século XXI, a Primavera Árabe foi impulsionada por um constante senso de coletividade cibernética.

Nesse caso, a economia colaborativa está representada pelas redes sociais.

Por meio de uma cooperação simultânea, milhares de manifestantes se reuniram na Praça Tahrir, na cidade do Cairo, capital do Egito, para pedir a queda do ditador Hosni Mubarak.

Esse movimento é considerado o principal em termos de ciberativismo em todo o mundo. Mostra o poder das pessoas quando elas se juntam em busca de um grande ideal.

2. Redução de desperdícios

Compartilhar é uma maneira de diminuir os desperdícios e permitir que mais pessoas possam usufruir de um mesmo produto ou serviço.

Além disso, ao compartilhar um espaço, é possível diminuir os custos com energia, água, aluguel, internet, entre outras despesas.

3. Acesso a serviços e produtos

A cooperação permite que se tenha acesso a serviços ou produtos que exigem um investimento maior, como um carro, uma casa na praia etc.

Por meio da economia colaborativa, esses produtos ou serviços estão ao alcance de mais pessoas, pois existem formas de alugar carros por períodos mais curtos ou uma casa de praia por alguns dias ou semanas.

4. Melhora a qualidade dos produtos

Pequenos produtores têm a oportunidade de expor e vender os seus produtos para um público mais vasto.

Isso faz com que eles conquistem novos clientes e, dessa forma, dediquem-se mais para produzir mercadorias de qualidade superior.

5. Promove a independência

O consumidor pode ser mais independente em comparação ao atual padrão de consumo mundial, baseado no capitalismo.

Dessa forma, as pessoas conseguem trocar itens, pegar mercadorias emprestadas ou alugadas, comprando somente quando é realmente necessário.

6. Diminui o impacto ambiental

Ao diminuir o consumo, a quantidade de lixo é reduzida, pois o descarte de produtos é menor.

Os 4 problemas da economia colaborativa

Até aqui, foi possível perceber que a economia colaborativa rompe com a lógica dos conceitos mais tradicionais de consumo, nas quais o lucro vem em primeiro lugar.

Mas aderir à economia colaborativa tem os seus problemas e desafios.

Você sabe quais são?

Abaixo, apresentamos uma lista com os principais.

1. Aderência do mercado

Mudar completamente o modelo econômico de uma empresa para que ela se adapte à economia de compartilhamento exige muito trabalho.

É preciso avaliar quais mudanças realmente serão requisitadas dentro do modelo de gestão e a forma como ele é conduzido atualmente.

E, principalmente, se o mercado irá aderir a essa transformação e como a empresa irá contornar a questão financeira.

2. Baixo incentivo financeiro

Itens de baixo valor, como uma furadeira, possuem um incentivo financeiro muito pequeno.

A locação de produtos e equipamentos como esse fez com que o modelo de micro-sharing se tornasse um exemplo de insucesso na economia colaborativa.

É o contrário do que acontece com itens únicos, de maior valor, dos ramos de transporte e hospedagem, como é o caso dos serviços oferecidos pelas gigantes Uber e Airbnb.

3. Regulamentação

Poucas cidades já avançaram na questão da regulamentação de diversos serviços de compartilhamento e de economia colaborativa.

Tanto que já ouvimos diversas discussões sobre a validade de trabalhos prestados por startups e plataformas de compartilhamento.

A Uber (pela disputa com os taxistas) e o Airbnb são dois exemplos, principalmente no que diz respeito ao pagamento de tributos.

Enquanto Amsterdam, na Holanda, incorporou esse tipo de prestação de serviço à legislação da cidade, Paris, na França, seguiu o caminho oposto e impôs multas às empresas que os oferecem.

Ainda há as questões que envolvem a proteção ao cliente, a coerência com as regulações do mercado de trabalho e a defesa da livre concorrência.

4. Desconfiança do consumidor

Ganhar a confiança dos clientes é um desafio para as empresas de economia colaborativa.

Por isso, muitas investem pesado em mecanismos que permitem o controle de usuários, da prestação de serviço e da qualidade do que é ofertado.

Nesse sentido, os feedbacks de clientes e a atuação direta da plataforma para lidar com os pontos negativos – como a retirada de prestadores de serviço de aplicativos – têm sido de grande valia para essas empresas.

8 Exemplos de economia colaborativa para você se inspirar

mão segurando logo do airbnb e casa ao fundo
8 Exemplos de economia colaborativa para você se inspirar

Atualmente, há diversos exemplos de economia colaborativa espalhados pelo mundo.

Para inspirar e ajudar você a entender melhor como funciona esse modelo, selecionamos 8 dos principais.

Confira!

1. Airbnb

Um dos mais famosos exemplos de economia colaborativa, o Airbnb permite que pessoas aluguem parte ou a totalidade de um imóvel para viajantes.

Por meio de uma plataforma online de buscas e reservas, o site conecta a pessoa que oferece a acomodação ao turista que busca pela locação.

Atualmente, o Airbnb já possui mais de 5 milhões de anúncios, com uma média de 2 milhões de hospedagens.

2. Uber

Essa multinacional americana presta serviços eletrônicos na área da mobilidade urbana, mais especificamente no transporte privado.

Por meio do seu aplicativo, a Uber permite que o usuário busque motoristas com base na sua localização.

Nesse sentido, ela oferece um serviço semelhante ao do táxi tradicional, mas com tarifas diferenciadas, além de possibilitar a viagem compartilhada.

3. DogHero

Criada no Brasil, a DogHero opera uma plataforma online que tem o objetivo de conectar donos de cachorros com pessoas que oferecem serviço de hospedagem ou passeio (dog walker) para esses animais.

Criada em 2014, essa startup atualmente também atua na Argentina e possui uma rede de anfitriões formada por 15 mil pessoas em mais de 600 cidades brasileiras e em 20 municípios do país vizinho.

4. Crowdfunding

Muito utilizado na internet para incentivar ações que buscam arrecadar dinheiro para artistas, pequenos negócios, iniciativas, filantropia, ajuda a regiões atingidas por desastres, entre outros, o crowdfunding é mais do que isso.

Trata-se de um financiamento coletivo para obter capital para iniciativas que sejam de interesse geral – seja por meio da junção de diversas fontes de financiamento ou campanhas online.

A sua utilização permite que qualquer pessoa possa doar valores para contribuir com a causa, o que a torna mais uma opção de economia colaborativa.

5. Crediamigo

O Crediamigo é uma modalidade de empréstimo financeiro em grupo.

Oferece maior segurança para quem está gerando o crédito. Para quem quer conseguir o empréstimo, traz maior facilidade.

Para tanto, ele une de forma voluntária e espontânea pessoas interessadas em conseguir crédito, mas que assumam a responsabilidade conjunta de pagar as prestações.

6. Coworking

O coworking é uma forma de compartilhar o seu local de trabalho e recursos de escritório com outras pessoas.

Nesse espaço, reúnem-se pessoas que não trabalham necessariamente para a mesma empresa ou na mesma área.

É possível encontrar profissionais liberais, empreendedores, usuários independentes, empresas e, até mesmo, estudantes.

Além de ser uma forma de melhor utilizar um espaço que não vinha sendo bem aproveitado, o coworking possibilita a troca de ideias, o networking e ajuda a solucionar o problema de isolamento do home office.

Alguns coworkings utilizam esse modelo para estabelecer relacionamento de negócios ou contratam serviços em conjunto com os seus usuários.

7. CouchSurfing

Esse serviço de hospitalidade tem base na internet e, por meio de um site, oferece acomodações para pessoas do mundo inteiro.

Seus membros coordenam as reservas via online, e o CouchSurfing oferece diversas funcionalidades, como perfis pessoais ou coletivos.

Para garantir a segurança e a confiança de seus usuários, o projeto utiliza um sistema opcional de verificação de identidade por cartão de crédito, outro de certificação pessoal e mais um de referências pessoais.

Além disso, ele oferece várias outras funcionalidades para seus membros, como grupos de discussão, salas de conversa, possibilidade de marcar encontros e reuniões, entre outros.

8. Wikipédia

Com o objetivo de fornecer um conteúdo livre, objetivo e que possa ser melhorado, editado e adaptado por todos, a Wikipédia é um ótimo exemplo de economia colaborativa.

Ela é uma plataforma universal e multilíngue que foi criada na internet sob o princípio wiki e funciona de forma totalmente colaborativa.

Conclusão

Podemos dizer que a economia colaborativa chegou com tudo.

Ela surgiu para nos fazer repensar os hábitos de consumo e adotar uma postura mais consciente sobre o mercado e a economia como um todo.

Como vimos neste artigo, o que não faltam são exemplos inovadores de negócios que fizeram – e continuam fazendo – sucesso ao utilizar a economia colaborativa.

Claro que existem dificuldades, mas os benefícios que esse novo modelo traz representam um estilo de vida mais sustentável e comunitário.

Utilizamos melhor os recursos econômicos e, consequentemente, melhoramos a qualidade de vida das pessoas.

E você, já promove a economia colaborativa?

Se sim, então, deixe sua experiência nos comentários! Aproveite para compartilhar este artigo em suas redes sociais! Seus amigos e familiares também podem se interessar pelo assunto!

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