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Enfermagem em nefrologia: o que é e o que faz o profissional

Enfermeiros em procedimento cirúrgico

Enfermagem em nefrologia pode até dar a ideia de um campo bastante específico e restrito de atuação, mas não se engane.

A verdade é que existe uma demanda crescente do mercado por profissionais com esse nível de especialização, que se mostra bastante promissor.

Para se ter uma ideia, a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) estima que existam no mundo 850 milhões de pessoas com doença renal, cuja origem aponta para causas variadas.

Além do aumento no número de pacientes com insuficiência renal, o aprimoramento das técnicas de transplante e de diálise são fatores que ajudam a explicar a expansão vivida na área, sobretudo para os enfermeiros.

Cada vez mais, esses profissionais precisam qualificar o cuidado com os pacientes e dominar o manejo de equipamentos complexos.

Está pensando em se especializar na área? Então, não deixe de nos acompanhar até o fim do artigo.

Durante a leitura, você vai conhecer um pouco mais sobre as atribuições do enfermeiro nefrologista, alternativas de formação e remuneração oferecida pelo mercado.

Também separamos dicas que livros que vão ajudar você a se tornar um profissional ainda mais completo.

Pronto para começarmos? Boa leitura!

O que é enfermagem em nefrologia?

A nefrologia é uma especialidade médica que atua na prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças relacionados aos rins.

No entanto, o médico está longe de ser um único profissional necessário para dar suporte ao paciente nefrológico.

Nesse sentido, o enfermeiro nefrologista é o responsável por oferecer assistência direta a esse paciente e também à família dele, muitas vezes fragilizada por um um tratamento que pode ser longo e desgastante.

Em termos de formação, é possível cursar tanto uma pós-graduação quanto uma residência multiprofissional focada na área de nefrologia.

Ainda neste artigo, vamos falar mais sobre essas opções.

Diagnósticos de enfermagem em nefrologia

Pacientes com insuficiência renal estão sujeitos a procedimentos considerados invasivos, a exemplo da hemodiálise.

Ao mesmo tempo em que são tidos como essenciais para a manutenção da vida, eles também podem se transformar em fatores de risco para o desenvolvimento de outros sintomas ou casos de desconforto que precisam ser acompanhados de perto.

Ou seja, na hora de aplicar o raciocínio diagnóstico, o enfermeiro precisa considerar quais efeitos adversos estão entre as mais frequentes.

Embora muitos outros possam se apresentar, os mais comuns incluem:

  • Hipertensão e hipotensão arterial
  • Cãibra
  • Vômito
  • Dores nas regiões lombar e torácica
  • Náusea
  • Cefaleia
  • Arritmia cardíaca

Se, em alguns casos, essas complicações são de fácil manejo, em outras, podem até mesmo ser fatais.

Tudo depende das condições clínicas do paciente, o que só reforça a importância de que o enfermeiro ofereça uma assistência atenta ao longo de todo o processo.

Quanto mais familiarizado ele estiver com as particularidades das doenças renais, mais preparado vai se mostrar para lidar rapidamente com o quadro e para se comunicar com a equipe de maneira precisa e objetiva.

É algo que facilita bastante a definição do melhor plano de ação para cada momento específico.

Cuidados de enfermagem em nefrologia

enfermagem em nefrologia, Enfermeira segurando uma seringa
Cuidados de enfermagem em nefrologia

De maneira geral, tanto auxiliares e técnicos em enfermagem quantos enfermeiros são responsáveis por oferecer o acolhimento, o acompanhamento e a medicação aos pacientes.

Também desempenham papel importante na promoção do bem-estar.

Quando falamos da nefrologia, todo esse cuidado precisa ser redobrado, considerando tanto o nível de esgotamento dos pacientes quanto a complexidade dos tratamentos de hemodiálise, diálise peritoneal e mesmo do transplante – procedimentos comuns à nefrologia.

Um das grandes dificuldades encontradas pelos enfermeiros é acompanhar de perto a angústia vivida por aqueles que se encontram na fila de espera por um transplante.

Isso porque, diferente do que costuma ocorrer em outras especialidades, na nefrologia, a rotatividade no atendimento é pequena e os pacientes já são velhos conhecidos de toda a equipe.

São tratamentos que podem se estender por anos, fortalecendo o vínculo profissional e até mesmo afetivo.

Por outro lado, a sensação de fazer a diferença na vida de uma pessoa também é recompensadora.

Afinal, é a partir do suporte oferecido pela equipe multidisciplinar que os dialíticos podem renovar as suas esperanças e visualizar uma nova oportunidade de viver.

Quanto mais preparados estiverem esses profissionais, mais segurança vão passar. Um desafio e tanto, não é mesmo?

O profissional de enfermagem em nefrologia

Enfermeiros em procedimento cirúrgico
O profissional de enfermagem em nefrologia

O profissional de enfermagem em nefrologia tem diferentes opções para sua atuação.

Pode trabalhar em hospitais, ser contratado para atuar de forma particular, na assistência de apenas uma pessoa ou mesmo optar por clínicas especializadas no atendimento ao paciente com problemas renais.

Independente da escolha, existem algumas competências que fazem parte do perfil do profissional de enfermagem em nefrologia.

Vamos ver quais são elas?

O que faz um enfermeiro nefrologista?

As atribuições do enfermeiro nefrologista abrangem as áreas administrativa, educativa e assistencial.

No caso da primeira, que envolve a organização de escalas e a elaboração e implementação de protocolos, tudo vai depender do local de atuação e do posto ocupado pelo profissional.

A parte educativa, que não pode ser negligenciada, envolve aspectos como:

  • Tirar dúvidas de pacientes e de seus familiares sobre a doença renal
  • Solicitar que seja feita avaliação psicológica, nutricional ou mesmo social do paciente
  • Oferecer orientação e também supervisão sobre os processos de desinfecção dos equipamentos e também de reprocessamento dos dialisadores

Por fim, as competências de ordem assistencial são aquelas que preenchem a maior parte da rotina de trabalho do enfermeiro.

Não por acaso, são também as mais complexas.

Uma das mais importantes é manipulação correta e asséptica dos cateteres e fístulas.

Afinal, a manutenção adequada dos acessos garante que o procedimento possa ser realizado sem complicações.

Além disso, também cabe a esse profissional  – em conjunto com o médico responsável  – fazer a interpretação de exames laboratoriais e definir qual é o método dialítico mais adequado para o caso de cada paciente.

Antes, durante e também após o procedimento dialítico, é imprescindível ainda que a assistência oferecida cubra a prevenção, a identificação e o tratamento de complicações que eventualmente surgirem, conforme já descrevemos anteriormente.

Em resumo, o trabalho como enfermeiro nefrologista envolve ser capaz de avaliar a situação, sistematizar qual é a conduta mais apropriada e colocá-la em prática, garantindo um resultado efetivo e evitando o desperdício de recursos.

Por conta disso, ter capacidade de liderança também é uma competência valorizada e que pode fazer toda a diferença no dia a dia de trabalho.

Quanto ganha um enfermeiro nefrologista?

Assim como acontece em qualquer outra área, o salário do enfermeiro nefrologista vai depender do porte da empresa em que ele atua, do seu nível de especialização e do tempo de experiência no mercado de trabalho.

Para ajudar a entender o que isso representa, reunimos alguns dados fornecidos pelo Trabalha Brasil, site especializado na área de vagas de emprego.

De acordo com a pesquisa, baseada em uma amostragem de 112 profissionais, um enfermeiro nefrologista pode começar ganhando o equivalente a R$ 1,9 mil (trainee em empresa de pequeno porte) e chegar perto dos R$ 8 mil (master em empresa de grande porte).

Ou seja, existe bastante espaço para crescer na carreira.

Aproveite para conferir mais alguns números, que ajudam a traçar a evolução salarial conforme a progressão do profissional:

  • Júnior em empresa de pequeno porte: R$ 2,4 mil
  • Júnior em empresa de grande porte: R$ 4,1 mil
  • Pleno em empresa de médio porte: R$ 3,9 mil
  • Pleno em empresa de grande porte: R$ 5,1 mil
  • Sênior em empresa de médio porte: R$ 4,9 mil
  • Master em empresa de pequeno porte: R$ 4,7 mil.

Os dados também permitem perceber que, quanto maior for a empresa, mais alto também é o salário.

Muitas vezes, o porte prevalece até mesmo em relação ao nível do profissional.

Por exemplo, um enfermeiro nefrologista sênior, que atua em uma empresa de médio porte, pode receber mais do que outro que já é considerado master, mas que trabalha em um empreendimento de pequeno porte.

Residência de enfermagem em nefrologia

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Residência de enfermagem em nefrologia

Assim como já ocorre tradicionalmente na medicina, outras áreas da saúde também contam com a chamada residência como opção para complementar a formação e se especializar em uma área.

Conhecidas como residências multiprofissionais e em área profissional da saúde, elas foram criadas em 2005, a partir da Lei nº 11.129.

A sua oferta é baseada na realidade local e nas suas necessidades, além das diretrizes de programa que segue os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS).

Ao todo, profissionais de 13 áreas são contemplados pela modalidade:

É importante ressaltar que a residência é definida como treinamento em serviço.

Ou seja, além dos grupos de discussão, dos estudos de caso e das reuniões científicas, a formação do profissional também se dá na prática, atendendo a casos reais  – seja em ambiente ambulatorial, comunitário ou mesmo hospitalar.

Em geral, são dois anos de formação, que exigem dedicação diária.

Uma das principais vantagens para o enfermeiro que escolhe realizar a área da nefrologia a partir do modelo de residência, aliás, é a possibilidade de unir conhecimento técnico e científico, aprendendo enquanto treina e desenvolve as suas habilidades.

Entre as dificuldades, por outro lado, está o número reduzido de programas de residência que atendam especificamente a área de nefrologia.

Além disso, eles estão concentrados nos grandes centros, o que pode dificultar a formação de quem mora em cidades menores e mais afastadas.

Pós de enfermagem em nefrologia

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Pós de enfermagem em nefrologia

A pós-graduação de enfermagem em nefrologia é outra opção para o profissional que deseja se especializar na área.

Ela pode, inclusive, ser realizada como um complemento à residência.

Uma das principais vantagens é o acesso a conteúdos atualizados e também o contato com profissionais que atuam em diferentes locais.

Por isso, a troca de experiências e o networking são aspectos valorizados.

Na pós-graduação de Enfermagem em Nefrologia da UPIS – Faculdades Integradas, por exemplo, a proposta é permitir a atualização e o aperfeiçoamento do aluno tanto em relação aos conhecimentos teóricos quanto às técnicas mais avançadas da área.

Não só os métodos dialíticos são vistos em detalhes, como também abordados de forma a permitir o domínio completo do seu emprego, de modo a oferecer o melhor atendimento ao paciente.

Outras habilidades desenvolvidas incluem diagnóstico, planejamento, prescrição e implementação dos cuidados de enfermagem, essenciais para o tratamento.

O modelo de ensino ofertado pela UPIS reforça ainda competências de liderança, que vão ser fundamentais para quem deseja se destacar na atuação em uma unidade de terapia dialítica.

Lembrando que esse é um espaço que exige comprometimento, boa comunicação, empatia e capacidade de agir rapidamente.

Com 420 horas de duração, o curso de pós-graduação da UPIS está dividido em 13 disciplinas.

Confira quais são algumas delas:

  • Formação de líderes
  • Princípios, gestão do SUS e a criação de protocolos aplicados na área da saúde
  • Compreendendo a vigilância epidemiológica na área da saúde
  • Gerenciamento e legislação dos serviços de diálise e da enfermagem em nefrologia
  • Anatomia e fisiologia renal e das nefropatias
  • Assistência ao paciente renal sob tratamento na insuficiência renal aguda e crônica
  • Assistência de enfermagem ao paciente submetido ao transplante renal
  • Assistência nos diferentes tipos de diálise e de suas complicações.

6 dicas de livros de enfermagem em nefrologia

Pronto para trilhar o seu caminho de especialização na área da nefrologia?

Então, antes de finalizarmos o artigo, anote aí alguns livros que vão fazer toda a diferença no seu processo de aprendizagem e aprimoramento profissional.

Enquanto alguns são específicos para a atuação do enfermeiro, outros são multidisciplinares e reforçam um modelo integrado de atuação que é prática na nefrologia.

Manual de Hemodiálise Para Enfermeiros

Literatura básica para enfermeiros que desejam atuar na área, a obra da Fresenius Medical Care abrange diversos aspectos da doença renal, como anatomia, fisiologia, fisiopatologia, tratamento, nutrição e transplante, para citar alguns dos principais.

Ao todo, são 20 capítulos de conteúdo teórico-prático.

Nefrologia na Prática Clínica

Pensado para qualquer profissional que atua no manejo de doenças renais e suas complicações, desde médicos e enfermeiros até nutricionistas, farmacêuticos e psicólogos.

O livro de Francisco Veríssimo Veronese, Roberto Ceratti Manfro, Fernando Saldanha Thomé e Elvino Barros reforça o caráter multidisciplinar do tratamento em nefrologia.

Com isso, também demonstra a complexidade e os desafios envolvidos.

Trata-se de um compêndio de 880 páginas, divididas em 52 capítulos.

Bases Fisiológicas da Nefrologia

De aspecto interdisciplinar, o livro que tem Roberto Zatz como editor integra a fisiologia, que está voltada para o funcionamento dos sistemas e órgãos, com a prática clínica e os seus desafios na interpretação dos dados e no desenvolvimento do raciocínio diagnóstico.

Ainda acompanha um CD, que traz gráficos, simulações e planilhas eletrônicas que facilitam a rotina profissional.

Enfermagem em Nefrologia – Atualização e Preparatório Para o Título de Especialista

O profissional que deseja ter um reconhecimento adicional de sua atuação como enfermeiro em nefrologia pode buscar o título de especialista, concedido pela Sociedade Brasileira de Enfermagem em Nefrologia (Soben).

Se é o seu caso, este livro vai ser fundamental.

Formulado pela própria Soben, com a autoria de Dulce Aparecida Barbosa, Angélica Belasco, Maria de Fátima Vattino e Luciana Kusumota, ele foi pensado para auxiliar os candidatos no processo de aprendizagem e de estudos para a prova de títulos.

Além disso, também é uma excelente fonte de consulta para o profissional que já atua na assistência ao paciente renal.

Dividido em cinco módulos, o conteúdo enfatiza temas como glomerulopatias e métodos de avaliação renal, fisiologia e anatomia renal e terapia renal substitutiva (TRS).

Enfermagem em Nefrologia: Interfaces do Cuidado na Doença Renal Crônica

Focado nos profissionais de enfermagem, a obra traz material didático para o manejo do paciente renal.

Ao todo, são oito capítulos, organizados da seguinte forma:

  • Fisiopatologia e fatores de risco
  • Infância e a adolescência na enfermidade renal crônica (ERC)
  • Prevenção da ERC em hipertensos e diabéticos
  • Tratamento conservador na doença renal
  • Cuidado de pessoas em tratamento por hemodiálise
  • Avaliação das vantagens e das desvantagens da diálise peritoneal
  • Cuidado de pessoas com transplante renal
  • Instrumento de sistematização da assistência de enfermagem aplicado à prevenção, promoção, recuperação e reabilitação.

Seus organizadores são Eda Schwartz, Fernanda Lise e Bianca Pozza dos Santos.

Manual de Transplante Renal

Com uma abordagem completa sobre os processos que envolvem o transplante renal, a obra de Roberto Ceratti Manfro, Irene Lourdes Noronha e Alvaro Pacheco e Silva Filho permite ao profissional revisar os detalhes de cada uma das etapas do procedimento.

Vai desde os aspectos imunológicos do paciente até as possíveis complicações cirúrgicas e os protocolos de atuação.

Também são abordadas novas drogas, perspectivas de intervenções imunológicas, tratamento da rejeição aguda e cuidados específicos de enfermagem e de nutrição que devem ser dispensados ao paciente.

Conclusão

Este artigo apresentou um guia sobre a enfermagem em nefrologia.

Como destacamos lá no início do texto, essa é uma área em crescimento e com boas possibilidades de atuação.

No entanto, para que você possa ter acesso às melhores oportunidades, é necessário investir em uma formação sólida e na constante atualização.

Ela é responsável por garantir ao profissional a base necessária para que faça a diferença na realidade de quem vive um tipo de tratamento que costuma ser longo e exaustivo.

Aliás, esse é o tipo de recompensa que o motiva a seguir em frente todos os dias.

Se você concorda, junte-se à UPIS – Faculdades Integradas e garanta a sua vaga na pós-graduação de Enfermagem em Nefrologia.

Aproveite para visitar o site e conhecer todos os nossos cursos.

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