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Enfermagem obstétrica: o que faz e as possibilidades no mercado

Enfermagem obstétrica, Enfermeira segurando bebê

Pensando em cursar enfermagem obstétrica? De fato, essa pode ser uma carreira promissora e apaixonante.

Estamos falando sobre uma área da saúde que ajuda a combater um problema muito sério e que, apesar dos avanços, ainda preocupa as autoridades nacionais: a mortalidade materna.

Segundo levantamento divulgado pelo Ministério da Saúde em 2015, a taxa de mortalidade materna no Brasil ficou na casa dos 62 óbitos por 100 mil nascidos vivos.

O número está bem acima do compromisso firmado com a Organização das Nações Unidas (ONU), em 2000, nos chamados Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.

O pacto previa a diminuição para 35 óbitos a cada 100 mil nascidos vivos.

Para quem não está familiarizado com o termo, a mortalidade materna é uma expressão usada para designar qualquer óbito que ocorre durante a gestação.

E também durante o parto e até 42 dias após dar à luz, desde que a causa seja devido a qualquer complicação gerada pela gravidez.

Entre as causas mais comuns para a mortalidade materna, podemos citar hemorragias, abortos provocados e infecções, sendo que a imensa maioria poderia ser evitada.

Ainda que combater esse grave problema de saúde pública seja um dos principais objetivos da enfermagem obstétrica, não podemos restringir a área a isso.

Afinal, ela se propõe a muitas outros cuidados, como garantir o bem-estar das mamães durante o pré-natal, exames laboratoriais, o parto e o pós-parto, bem como a preservação da saúde dos bebês.

Esses são assuntos para tratarmos mais à frente, ao longo deste artigo.

Para começar, vamos nos ater ao básico: o que, de fato, se propõe a enfermagem obstétrica e quais são as possibilidades de mercado no segmento.

Boa leitura!

O que é obstetrícia?

Para entender o significado de obstetrícia, é fundamental ir atrás da sua raiz etimológica. A palavra vem do latim e deriva do verbo obstare, que quer dizer “ficar ao lado”.

Por isso, o obstetra é aquele profissional que fica ao lado da mãe durante todo o período de gestação até o pós-parto.

É ele que garante que a gravidez ocorra sem sobressaltos.

Logo, podemos concluir que a obstetrícia é uma área da saúde que se dedica à reprodução humana.

Diversas carreiras podem capacitar uma pessoa a atuar nesse segmento.

Entre elas, o curso superior em obstetrícia, a residência médica em ginecologia e obstetrícia e a especialização em enfermagem obstétrica.

O que é a enfermagem obstétrica?

Enfermagem obstétrica, Enfermeira cuidando de uma mão com seu bebê
O que é a enfermagem obstétrica?

A enfermagem obstétrica é um dos caminhos da profissão de enfermeiro.

Nela, o profissional vai oferecer todo o suporte à mulher durante a gravidez.

Isso inclui orientar o pré-natal, garantir todas as condições para a realização de um parto normal seguro, prestar assistência pós-parto e lidar com determinadas situações de baixo risco.

O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) é o órgão que regulamenta e estabelece quais atividades da área obstétrica o profissional pode exercer.

Separamos algumas das suas principais atribuições para que você possa compreender melhor a especialidade. Confira!

  • Dirigir e chefiar o setor de enfermagem em qualquer tipo de instituição no que diz respeito à área de obstetrícia
  • Realizar consultas na área da enfermagem obstétrica
  • Fornecer assistência a pacientes obstétricos em estado grave
  • Oferecer cuidados de maior complexidade que exijam conhecimento científico na área de obstetrícia
  • Saber tomar decisões imediatas
  • Prescrever medicamentos previstos em programas de saúde pública na área obstétrica
  • Colaborar na construção de centros clínicos especializados em obstetrícia
  • Prevenir infecções hospitalares, doenças transmissíveis e danos que possam ser causados aos pacientes obstétricos
  • Acompanhar a evolução e o trabalho de parto
  • Executar partos normais
  • Emitir laudos para o procedimento de parto normal
  • Assistir a gestante e o recém-nascido
  • Realizar procedimentos específicos como a episiotomia e a episiorrafia, além de anestesia local
  • Desenvolver programas educacionais na área obstétrica para melhorar a qualidade de vida da população.

Enfermagem ginecológica e obstétrica

Esse é outro nome dado à enfermagem obstétrica, mas que possui uma ênfase um pouco maior na saúde da mulher. Por isso, o acréscimo do termo ginecológica.

Na prática, não muda muito.

Afinal, ao prestar todos os cuidados necessários ao bebê, automaticamente, o profissional está prezando pelo bem-estar da mãe e vice-versa.

O pré-natal, os exames laboratoriais e uma assistência humanizada durante toda a gestação são potencializados aqui.

Somam-se a eles, a gestão de políticas e os serviços de atenção à saúde da mulher, como o incentivo ao parto normal e humanizado, por exemplo.

Assistência de enfermagem na emergência obstétrica

Por mais que sempre se incentive o parto normal, ele nem sempre é possível.

Existem emergências obstétricas que podem ocorrer e fazer com que uma cesariana seja o procedimento mais indicado.

Nesses casos, é mais do que necessário contar com a assistência de um enfermeiro especializado para contornar bem a situação.

A seguir, veja seis situações em que a cesariana é indicada:

Contrações não efetivas

Para que o bebê possa descer de maneira natural, não basta que haja contrações. Elas precisam, de fato, empurrá-lo para baixo.

Esse tipo de movimento, normalmente, acontece quando tem início no fundo do útero e desce de forma sincronizada.

Agora, quando isso não acontece, a mãe pode ficar horas em trabalho de parto e a criança não vai se movimentar de forma adequada.

Má administração da ocitocina

A ocitocina é a substância que colabora para o surgimento das contrações.

No entanto, quando usada de maneira incorreta, ela pode mais atrapalhar do que ajudar.

Se administrada em excesso, por exemplo, ela pode causar sofrimento do feto ou impedir que ele desça de maneira mais natural.

Por isso que é tão importante a presença de um profissional obstetra capacitado para seguir os protocolos e usar a dosagem adequada.

Cabeça do bebê muito maior do que o canal vaginal

Às vezes, não importa o quanto o colo do útero está dilatado, não há como um bebê chegar ao canal vaginal. É o que os especialistas chamam de “desproporção encéfalo-pélvica”.

No entanto, nem sempre esse quadro é possível de ser diagnosticado com antecedência, cabendo ao profissional perceber isso durante o procedimento.

Nesses casos, não há o que fazer. O parto normal se torna impossível e a cesária, a única opção.

Sofrimento do bebê

A mãe da criança não é a única a sofrer durante o parto. Para o bebê, cada contração é um incômodo.

Felizmente, esse sofrimento pode ser monitorado pelo profissional que conduz o parto, por meio da cardiotocografia.

Assim, quando os batimentos cardíacos da criança estão muito baixos, pode ser um sinal de que ela esteja sofrendo. Ou, como os especialistas costumam definir, há um quadro de queda da vitalidade fetal.

Nesses casos, para agilizar o processo e acabar com a dor e a angústia, recomenda-se a cesária.

Posição equivocada do bebê

A natureza humana é incrível – e isso aparece já no nascimento.

Existe uma posição certa para o bebê vir ao mundo no parto normal, que é aquela na qual está com o queixo encostado no tórax.

Quando há um problema de ângulo, chamado tecnicamente de “defletida de 2º grau”, optar pelo parto convencional pode ser muito arriscado, sendo altamente recomendada a cesária.

Felizmente, esses casos não costumam ser recorrentes.

Anestesia em excesso

A dor do parto é quase insuportável e está entre as mais fortes.

Por isso, a anestesia exerce um papel muito importante. Ela permite à mãe ficar mais confortável, na medida do possível, para realizar os movimentos e fazer a força necessária para o procedimento do parto normal.

No entanto, se aplicada em excesso, a anestesia pode acabar com a sensibilidade da cintura para baixo, fazendo com que a mulher perca o controle do próprio corpo.

Novamente, a presença de profissionais capacitados se mostra imprescindível.

Somente eles têm a capacidade de saber a dosagem ideal de medicação em cada caso.

Mercado de trabalho

Enfermeira, Enfermeira realizando exame de ultrassom em mulher gestante
Mercado de trabalho

Segundo o documento “Diretrizes nacionais de assistência ao parto normal”, publicado pelo Ministério da Saúde em 2017, a cada ano, ocorrem 3 milhões de nascimentos no Brasil.

Desse número, a maioria (98%) dos partos acontece em estabelecimentos hospitalares.

Ou seja, existe uma necessidade muito grande de profissionais obstétricos capacitados para fazer desses nascimentos os mais seguros possíveis para as mulheres e seus bebês.

Isso, somado ao pacto dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, da ONU, é uma das razões que fazem do mercado de trabalho para o enfermeiro obstetra um cenário promissor.

No que o enfermeiro obstetra pode trabalhar?

O enfermeiro obstetra pode atuar em diferentes áreas.

Desde integrar equipes de saúde multidisciplinares em realizar partos em instituições públicas e privadas, até atender mães a domicílio e oferecer todo o suporte à gestante e ao bebê.

Além disso, o profissional pode trabalhar em hospitais, postos de saúde, laboratórios, e maternidades.

Também tem a possibilidade de seguir a trajetória acadêmica, dando aulas em universidades.

Ou seja, é uma carreira que oferece múltiplas possibilidades.

Quanto é o salário de um enfermeiro obstetra?

No que diz respeito ao rendimento de um enfermeiro obstetra, ele pode variar bastante, conforme podemos analisar em alguns levantamentos feitos em sites especializados.

Na plataforma Glassdoor, por exemplo, a média salarial da categoria é estimada em R$ 4.735 por mês.

Um cenário bem diferente é apresentado no site Catho.

Segundo pesquisa do portal, o rendimento médio de um enfermeiro obstetra estaria na casa dos R$ 3.718,80, mais de mil reais abaixo do estudo anterior.

É bem verdade que nenhuma das páginas especifica como são feitos esses cálculos. Se são levados em conta dados como a experiência do profissional e o local de trabalho, por exemplo.

Por isso, a análise feita pelo Trabalha Brasil parece ser a mais completa, pois, na hora de fazer as contas, considera o grau de senioridade do enfermeiro obstetra e o porte da empresa para a qual ele trabalha.

Enquanto um trainee em uma clínica pequena recebe, em média, R$ 1.830, um profissional de nível master, trabalhando em um hospital renomado, tem um rendimento mensal médio de R$ 7.550.

Ou seja, uma variação que pode chegar a quase seis mil reais de diferença.

Portanto, nada de desânimo. Se o seu receio para se especializar na área era a valorização profissional, podemos ver que esse não é um empecilho.

No início da carreira, você pode até começar ganhando um pouco menos, mas, com o passar do tempo e o acúmulo de experiências, a tendência natural é de que seus rendimentos passem a crescer.

Tipos de cursos de obstetrícia

Enfermagem obstétrica. Mãos, feminina, segurando pés de bebê
Tipos de cursos de obstetrícia

Caso você esteja à procura de um curso na área de obstetrícia, a boa notícia é que alternativas não faltam, tanto no ensino superior quanto na pós-graduação.

Veja alguns exemplos:

Bacharelado em obstetrícia

Segundo levantamento do Ministério da Educação (MEC), existem 16 cursos de bacharelado em obstetrícia em atividade no Brasil.

Todos eles são presenciais, sendo que 11 são do departamento de Enfermagem, quatro do departamento de Enfermagem e Obstetrícia e um do departamento de Obstetrícia.

Licenciatura em obstetrícia

Conforme o MEC, existem apenas dois cursos de licenciatura em obstetrícia em atividade no Brasil. Um na região Sul, no Paraná, e outro no Sudeste, no Rio de Janeiro.

Ambos são presenciais e têm ótima nota no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), uma das principais ferramentas de avaliação da qualidade dos cursos de formação superior.

Pós-graduação em obstetrícia

De acordo com o portal do MEC, existem 232 cursos de especialização na área de obstetrícia.

Desse total, 218 são cursos presenciais e apenas 17 de ensino à distância.

Entre as opções, podemos citar:

  • Enfermagem aplicada à obstetrícia
  • Enfermagem da saúde da mulher: obstetrícia
  • Dermatofuncional, uroginecologia e obstetrícia
  • Enfermagem em ginecologia e obstetrícia
  • Enfermagem em neonatologia e obstetrícia
  • Enfermagem em ginecologia e obstetrícia neonatal
  • Enfermagem em saúde da mulher com ênfase em obstetrícia
  • Imagem em ginecologia, mastologia e obstetrícia
  • MBA em enfermagem obstétrica
  • Nutrição em obstetrícia, pediatria e adolescência
  • Pós-graduação em ultrassonografia na ginecologia e obstetrícia
  • Programa de residência médica em ginecologia e obstetrícia
  • Fisioterapia em gineco-obstetrícia
  • Ultrassonografia em obstetrícia e medicina interna.

Grade base dos cursos de obstetrícia

Outra questão que pode interessar ao aluno indeciso quanto a se matricular em um curso de obstetrícia, diz respeito à grade curricular.

É claro que sempre vão existir disciplinas diferentes, que variam de especialização para especialização e conforme a instituição de ensino.

Por exemplo, a residência médica em ginecologia e obstetrícia não vai ter as mesmas matérias que uma pós-graduação em enfermagem obstétrica.

Até porque são carreiras distintas, que têm suas próprias atribuições.

Ainda assim, há uma grade curricular base (listada a seguir), que abrange a saúde da mulher, os cuidados com o recém-nascido e o suporte familiar, que todo curso na área obstétrica deve contar.

Conhecimentos gerais:

  • Nutrição
  • Imunologia
  • Fisiologia
  • Genética
  • Anatomia
  • Embriologia
  • Patologias
  • Microbiologia
  • Biologia celular
  • Farmacologia.

Conhecimentos específicos:

  • Noções fisiológicas da gestação, pré-parto, parto e pós-parto
  • Aspectos clínicos da placenta e placentação
  • Fundamentos básicos da obstetrícia
  • Assistência à mulher
  • Assistência ao recém-nascido e lactente
  • Estudo detalhado da endocrinologia do sistema reprodutor
  • Fundamentos psicológicos e educacionais da criança e do adolescente
  • Sexualidade, gênero e direitos humanos
  • Terapias complementares
  • Ética
  • Assistência em urgências e emergências
  • Estágio clínico-hospitalar.

Pós-graduação em enfermagem obstétrica

Para quem está em busca de uma especialização na área obstétrica, a UPIS – Faculdade Integradas tem o curso ideal.

A Pós-Graduação em Enfermagem Materno Infantil é uma excelente oportunidade para quem deseja prestar assistência a mulheres durante o período de gestação, parto e pós-parto.

O curso tem, entre outros objetivos, diminuir os índices de mortalidade materna e infantil que, conforme vimos, ainda estão aquém dos parâmetros estabelecidos pela ONU para o Brasil, mesmo que alguns progressos tenham sido alcançados.

Com uma carga horária de 420 horas/aula, o aluno tem acesso a uma grade curricular completa, com disciplinas como:

  • Políticas nacionais de atenção à saúde da mulher e gerenciamento na área materno infantil
  • Fisiologia e controle da gestação
  • Fisiologia do desenvolvimento do bebê, da criança e complicações no recém-nascido, lactente e infantil
  • Assistência de enfermagem na gestação, parto e pós-parto
  • Assistência de enfermagem ao recém-nascido
  • Aspectos emocionais e nutricionais da gestante e da criança e controle da natalidade
  • Acompanhamento pré-natal, exames laboratoriais e complicações no pré-parto, parto e pós-parto
  • Prática simulada.

Ficou interessado? Acesso o site e saiba como se inscrever!

Conclusão

Bebê fazendo o teste do pezinho
Conclusão

Este artigo trouxe um guia sobre a enfermagem obstétrica, uma área de atuação do enfermeiro que se especializa na atenção à saúde da mulher e do bebê durante a gestação e o parto.

Como vimos, esse profissional pode atuar em diversas frentes, integrando equipes em unidades de saúde ou mesmo seguindo seus estudos na linha acadêmica, para se tornar um professor na área.

Seja qual for a sua escolha, tudo começa por uma escolha acertada da sua formação.

A UPIS se orgulha de oferecer ao aluno a melhor infraestrutura da região Centro-Oeste, com 12 opções de especializações exclusivas na área de enfermagem.

Além do curso de Enfermagem Materno Infantil, também conta com outros dois com relação direta com a obstetrícia: o de Saúde da Mulher e o de Enfermagem em UTI Neonatal.

Além disso, ao se tornar um aluno da UPIS, você irá estudar em uma instituição com quase meio século de tradição e na única faculdade de Brasília com cursos de graduação, pós-graduação e MBA, que têm certificação internacional de qualidade, a ISO 9001.

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Obrigado pela leitura e até a próxima!

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