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Limites entre estética e saúde: entenda o conceito e os perigos

Jovem passando por procedimento estético de aplicação de Botox no rosto

De tempos em tempos, o debate sobre os limites entre estética e saúde volta à tona.

O assunto é tão recorrente na sociedade que você pode encontrar diversos artigos na internet com redações prontas para o assunto, voltadas aos estudantes que estão se preparando para o vestibular.

Mas, afinal, por que esse debate não morre? Existe mesmo uma ditadura da beleza? Quais dados estatísticos comprovam ou refutam essa tese?

Neste artigo, você vai entender os conceitos por trás desse assunto, e os perigos que existem quando se fala de padrão estético e a obsessão pela beleza.

Você vai compreender como funcionam as percepções distorcidas, quais são os perigos das dietas e que tipos de transtornos de imagem são mais comuns na sociedade.

Antes de prosseguir, no entanto, nós recomendamos uma reflexão. Queremos que você faça um exercício para chegar às suas conclusões.

A pergunta é: a sociedade impõe um padrão de beleza? Você mesmo pode responder a esse questionamento.

Basta assistir ao intervalo comercial na televisão, enxergar os protagonistas da novela, olhar as fotos de um desfile de moda e acompanhar a publicidade em torno de produtos como cervejas, tênis, perfumes, cosméticos, bronzeadores e xampus.

Não está satisfeito? Consulte o catálogo de biquínis e sungas de uma marca que você conhece. Abra uma revista e veja as propagandas. Acesse o Instagram e dê o follow em blogueiras com milhões de seguidores.

Você vai identificar um padrão: corpos magros, tonificados e bronzeados.

A busca pela beleza não é crime. Afinal, cada um faz o que acha mais adequado da própria vida.

Mas a obsessão para chegar a um padrão inatingível pode causar sérios riscos à saúde.

E é isso que veremos a partir de agora. Vamos juntos?

O que é saúde e estética?

Saúde e estética são conceitos próximos, mas não relacionados. Saúde tem a ver com o bem-estar físico, psíquico e social, enquanto a estética se refere tão somente à aparência física e à beleza. Pode ocorrer, contudo, de procedimentos estéticos terem também implicações de saúde.

É possível nos aprofundarmos um pouco mais nessas definições.

Saúde é um conceito utilizado para caracterizar um organismo que está com todas as suas funções fisiológicas regulares, além de características estruturais normais e estáveis, considerando a forma de vida e fase do ciclo vital dessa pessoa.

Essa definição, que parece um pouco técnica demais, é a do dicionário Michaelis quando alguém busca pelo conceito de saúde.

Já a estética não tem relação direta com a saúde. De acordo com o mesmo dicionário Michaelis, ela está relacionada à harmonia das formas e das cores.

Quando se fala da estética do corpo humano, estamos falando de beleza e aparência física.

O que podemos concluir destas duas definições?

A saúde e a beleza podem estar relacionadas, mas não há uma ligação direta e necessária entre elas.

É possível ter saúde e não seguir os padrões estéticos da sociedade. Assim como é possível seguir os padrões estéticos da sociedade e não ter saúde.

O problema surge quando uma coisa atropela a outra.

Em nome da beleza e da estética, algumas pessoas podem colocar a saúde em risco, em uma clara inversão de valores.

Existe um limite, e é sobre ele que falaremos a seguir.

A ditadura da beleza e os limites entre estética e saúde

estética e saúde, Jovem em consultório de médico esteticista
A ditadura da beleza e os limites entre estética e saúde

Nós já falamos aqui do padrão de beleza imposto pela sociedade, e você certamente deve ter identificado exemplos na sua rotina, em especial na publicidade e propaganda.

Mas você sabia que há estudos que se dedicam a entender como funciona essa ditadura da beleza, e por que ela é alimentada?

A pesquisadora Camila Camacho Bohm é responsável pelo estudo Um Peso, Uma Medida: o padrão de beleza feminina apresentado por três revistas brasileiras.

No material, ela se dedica a entender como três revistas nacionais criam um padrão de beleza por meio da imposição de um peso a ser perseguido por todas as mulheres.

São corpos magros, altos e atléticos. Aquele ideal de beleza quase inalcançável para a maior parte das pessoas.

Veja um trecho do que escreve Camila em seu trabalho:

O padrão estético de beleza atual, perseguido pelas mulheres, é representado imageticamente pelas modelos esquálidas das passarelas e páginas de revistas segmentadas, por vezes longe de representar saúde, mas que sugerem satisfação e realização pessoal e, principalmente, aludem à eterna juventude.

O tempo, como sabemos, é inexorável.

É impossível resistir à ação dos dias, meses e anos.

Mas, mesmo assim, o padrão de beleza prega a juventude eterna.

E quais são os interesses econômicos por trás disso?

Produtos de emagrecimento, remédios milagrosos, pílulas e sucos, comidas e bebidas light e zero, além de todos os tipos de aparelhos de ginástica e a profusão das academias.

Cosméticos e cirurgias se somam a esses serviços e fecham a lista da indústria que se alimenta do culto à beleza.

E, como você já deve ter notado, a imposição desse padrão tem sido lucrativa.

Os números da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) não deixam dúvidas: o Brasil é o segundo país do mundo no ranking de cirurgias plásticas, e esse número só tende a crescer.

De acordo com o censo mais recente da SBPC, foram realizadas 1,7 milhão de cirurgias plásticas no Brasil em 2018. Dessas, mais de um milhão foram estéticas, e o restante reparadoras.

A curva de crescimento mostra que as cirurgias não param de aumentar, com as estéticas subindo em ritmo mais rápido do que as reparadoras

E é exatamente aqui que começam a surgir os riscos no dilema entre estética e saúde.

Diante do crescimento de cirurgias estéticas, algumas pessoas sem capacidade técnica e formação têm oferecido esses serviços, em condições precárias e inadequadas – e perigosas, claro.

Em busca do corpo perfeito, há quem se sujeite a essas cirurgias, colocando em risco a própria saúde.

Você lembra um caso recente envolvendo uma cirurgia realizada de forma clandestina? Talvez este nome refresque a sua memória: “Doutor Bumbum”.

Em julho de 2018, a mato-grossense Lilian Calixto, de 46 anos, morreu após uma sessão de bioplastia no apartamento do médico Denis Furtado, conhecido nas redes sociais como “Doutor Bumbum”.

Ela tinha 1,8m, e parecia linda e magra aos olhos de quem a conhecia.

Mesmo assim, não estava satisfeita com a própria aparência, e decidiu se arriscar em uma cirurgia com um médico sem autorização para exercer os procedimentos.

Ela morreu em decorrência de uma embolia pulmonar por conta do uso excessivo de PMMA (polimetilmetacrilato).

Outro caso de procedimento estético que quase terminou em tragédia envolveu a atriz e ex-modelo Andressa Urach. Em 2015, quatro anos depois de uma bioplastia e de aplicação de hidrogel nas coxas, ela quase morreu em decorrência de uma infecção no local do procedimento.

Como se vê, a busca por procedimentos estéticos é um resultado da obsessão pelo corpo perfeito.

Mas os procedimentos estéticos sem reconhecimento, realizados por profissionais sem autorização e que não atendem a condições básicas de segurança não são os únicos riscos que envolvem a ditadura da beleza.

Também há transtornos de imagem e dietas alternativas que colocam a saúde em risco. É disso que falaremos a seguir.

Percepções distorcidas

Quando falamos de percepções distorcidas, estamos nos referindo exatamente à maneira como algumas pessoas passam a analisar o próprio corpo e a relação do corpo com a passagem do tempo.

Existe algo que pode ser mais frustrante do que lutar contra a passagem do tempo?

É como tentar secar a própria água, ou congelar o fogo. São forças da natureza, contra as quais a força humana nada pode fazer.

Mas, mesmo assim, você vai conhecer pessoas que não revelam a própria idade, que vivem uma vida que não é delas e que lutam de forma incansável para amenizar a passagem do tempo.

A percepção de que o envelhecimento não é um processo natural da vida, e sim um inimigo a ser combatido, fazer parte das percepções distorcidas causadas pela ditadura da beleza e pelo culto ao corpo perfeito.

A juventude é vinculada ao sucesso e alegria, enquanto a velhice se relaciona com o fracasso e à doença.

Onde fica a sabedoria? A experiência? Elas são sufocadas de forma conveniente pela ditadura da beleza.

Nesse contexto, o sobrepeso não é mais observado como uma característica física, ou, em casos de obesidade, como uma doença. Ele é visto como uma falha de caráter.

Fale a verdade: você já julgou o caráter e as atitudes de uma pessoa levando em consideração apenas o seu peso?

O perigo das dietas

Dieta low carb, dieta sem glúten, dieta do jejum intermitente…

Se você começar a pesquisar por dietas e adentrar no submundo dos blogs que prometem resultados incríveis em um tempo recorde, vai se espantar com a quantidade de opções disponíveis.

Além dessas três, que são mais comuns, você vai encontrar centenas de outras opções, como dieta Dukan, dieta paleolítica, dieta DASH, dieta genética e dieta cetogênica, entre outras.

Não tem como todas essas dietas fazerem sentido, concorda?

Mesmo assim, elas se multiplicam porque a tentação por emagrecer é enorme, e muita gente ainda entende que vale a pena correr os riscos de seguir dietas que não foram formuladas por um nutricionista especialmente para você.

O grande perigo das dietas está relacionado à possível falta de nutrientes para o seu organismo.

Boa parte dessas dietas prega a restrição a alguns alimentos, sem que haja uma comprovação científica ou um rebalanceamento nutricional.

Na prática, quem se arrisca em dezenas de dietas pode começar a perceber a falta de nutrientes importantes.

A consequência disso no médio e longo prazo? Doenças que prejudicam o funcionamento do organismo.

Dietas criadas por pessoas sem capacitação podem levar à fraqueza, perda de massa muscular, desidratação, cansaço, aumento de colesterol e doenças cardiovasculares, entre muitos outros problemas.

Por isso, a recomendação é simples. Quer fazer uma dieta? Procure o acompanhamento de um nutricionista, faça exames e inicie uma reeducação alimentar com base nas informações que o profissional fornecer.

Assim, você não coloca a sua saúde em risco.

Transtornos de imagem

Agora, chegamos aos transtornos de imagem, que talvez sejam a face mais perceptível dos perigos da ditadura da beleza e dos limites entre estética e saúde.

O transtorno de imagem também é conhecido como “transtorno dismórfico corporal”, e ocorre quando a pessoa enxerga no próprio corpo – ou no espelho – uma imagem que não corresponde à realidade.

Ela acaba focando em características que considera negativas, ou tem dificuldade para observar a realidade propriamente dita.

Esses transtornos de imagem são curados apenas com tratamentos como terapia, além de medicamentos semelhantes aos antidepressivos.

Mas há outros tipos de transtornos relacionados ao nosso corpo. Em geral, eles são conhecidos como transtornos alimentares.

Os mais comuns são a aneroxia nervosa e a bulimia nervosa.

Ambos têm pontos em comum, como a obsessão com o peso e o medo excessivo de engordar.

Vamos analisar esses principais transtornos?

Anorexia nervosa

A anorexia é o mais famoso distúrbio alimentar.

Ela é caracterizada pela obsessão pelo peso e por aquilo que a pessoa come.

O principal sintoma da anorexia é a tentativa de se manter em um peso abaixo do normal, daquilo que é considerado saudável.

Para fazer isso, quem tem anorexia recorre a jejuns prolongados ou à prática excessiva de exercícios físicos.

Bulimia nervosa

A bulimia tem semelhanças com a anorexia, mas é ainda mais complexa.

No caso da bulimia, existe a compulsão por comer, que é seguida por medidas para evitar o ganho de peso.

Normalmente, quem tem bulimia acaba comendo grandes quantidades de comida de uma só vez e, depois, provocando vômitos para expelir a comida.

Ao mesmo tempo em que há compulsão por comer, há uma uma obsessão pelo próprio peso.

Ortorexia nervosa

A ortorexia é um termo utilizado para definir a compulsão pela alimentação saudável.

Pois é: até mesmo aquilo que é naturalmente saudável pode se transformar em problema quando há algum tipo de transtorno alimentar.

Quem tem ortorexia adota comportamentos extremistas em relação à própria comida, e não permite a si mesmo consumir qualquer tipo de produto que não seja considerado saudável.

A diferença para os outros transtornos reside no fato de que, aqui, a preocupação do doente não é exatamente com a forma física, e sim com a qualidade dos alimentos.

Vigorexia

Finalmente, a vigorexia é mais um transtorno relacionado à forma física. Ele é caracterizado pela compulsão pelos músculos.

Os sintomas são a prática excessiva de atividades físicas e o uso de substâncias para o aumento da massa muscular, como anabolizantes.

A exemplo de quem tem anorexia e bulimia, quem tem vigorexia nutre uma imagem irreal a respeito da própria aparência física.

O equilíbrio entre estética e saúde

estética e saúde, Jovem em consultório de médico esteticista
O equilíbrio entre estética e saúde

O segredo para encontrar o equilíbrio entre estética e saúde está justamente no respeito aos limites da estética e da saúde.

Essa resposta parece simples, mas está repleta de significados. Vamos entender o que isso significa na prática?

Não há problemas em desejar ter um corpo bonito. Mais do que um benefício estético, o corpo bonito traz autoafirmação e confiança, impulsionado a autoestima.

Você se sente mais bonito, mais poderoso e mais confiante quando está bem com o próprio corpo.

O limite surge quando a busca por um corpo bonito pode acarretar em riscos à saúde. É esse o limiar que você precisa seguir.

Antes de realizar um procedimento estético, adotar uma dieta ou algum hábito pensando na própria beleza, faça o seguinte questionamento: existe algum risco para minha saúde?

Se a resposta for não, você está liberado para ir em frente. Se a resposta for sim, é hora de analisar com atenção se os riscos valem a pena.

Por exemplo, toda cirurgia estética envolve riscos.

Mas cabe a você mitigar esses riscos por meio da realização de exames preliminares e da busca por acompanhamento médico profissional e reconhecido.

Tire todas as dúvidas possíveis antes de realizar o procedimento, consulte mais de um profissional, desconfie de valores muito baratos e só tome a decisão depois de verificar as referências.

Se você tomar esse tipo de cuidado para todos os procedimentos estéticos, dietas e hábitos, o risco de que a busca pela beleza acabe afetando a sua saúde reduz bastante.

Estética e saúde no Brasil

Jovem segurando uma plaquinha escrita, cirurgia plástica
Estética e saúde no Brasil

No Brasil, o debate entre estética e saúde segue exatamente as linhas que adotamos ao longo de todo o artigo.

O país desponta nesse debate justamente porque é o segundo no ranking de cirurgias plásticas em nível mundial, o que mostra a preocupação dos brasileiros com a estética.

Além disso, esse número também revela a disposição para investir na própria beleza, já que o Brasil ainda é um país em desenvolvimento, e as cirurgias estéticas estão ao alcance apenas das camadas mais ricas da população.

Isso significa que, para estar em uma posição tão alta do ranking, os brasileiros estão fazendo um esforço maior do que os habitantes de países ricos.

Tudo isso é motivo para você refletir sobre a maneira como encara a estética e a saúde na sua vida.

Será que está dando atenção demais ao superficial? Será que está colocando em risco a própria saúde em nome de uma beleza inatingível?

A importância da formação profissional em estética e saúde

Jovem passando por procedimento estético de aplicação de Botox no rosto
A importância da formação profissional em estética e saúde

Para aproveitar dois setores economicamente pujantes (da beleza e da saúde) não faltam oportunistas tentando vender soluções fáceis a preços tentadores.

É justamente aí que reside o problema. Quem cai na tentação, vai colocar a sua saúde em risco.

Isso só reforça a importância de contar com profissionais qualificados, com a adequada formação em suas áreas de atuação.

Vale para nutricionistas, cirurgiões plásticos, biomédicos e até para personal trainers.

Todo aquele que lida com um público preocupado com a aparência e que deseja um corpo bonito deve investir em capacitação.

Ao dar preferência para profissionais com graduação ou pós-graduação na área, além de referências no mercado, o risco para o público diminui consideravelmente.

Somente os especialistas, que realmente estudaram sobre o assunto e têm sua competência comprovada por órgãos reguladores, tem capacidade para recomendar tratamentos, realizar cirurgias e sugerir dietas.

Se você quer ser um deles, a oportunidade pode estar na especialização em Saúde Estética, oferecida pela UPIS – Faculdades Integradas.

Conclusão

Neste artigo, falamos sobre os limites entre estética e saúde, com exemplos práticos de quando esse limiar é rompido.

Você compreendeu como funciona a ditadura da beleza e por que a indústria da moda, farmacêutica, de cosméticos e de cirurgias deseja mantê-la ativa.

Também descobriu quais são os riscos das dietas milagrosas e os transtornos de imagem e transtornos alimentares mais comuns.

Finalmente, compreendeu como alcançar o equilíbrio entre estética e saúde – por meio da prudência e da escolha de profissionais capacitados.

Esperamos que o artigo tenha sido útil, e ficamos à disposição para tirar quaisquer dúvidas que tenham restado.

Lembrando que, se você deseja se tornar um profissional de sucesso na área de saúde e estética, conte com a UPIS.

Visite o site e faça contato conosco.

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