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Farmacocinética e farmacodinâmica: entenda o que é e suas etapas

Lupa com a palavra Pharmacodynamics em destaque

Você pode até nunca ter ouvido falar sobre farmacocinética e farmacodinâmica, mas, quando está doente e ingere algum medicamento, por exemplo, esses dois fenômenos acontecem dentro do seu organismo.

Isso porque tanto um conceito quanto o outro têm a ver com o percurso que a droga faz no seu corpo.

Não quer dizer, neste caso, que os dois significam a mesma coisa. Eles têm aplicações bem diferentes.

Ao longo deste artigo, vamos explicar direitinho o que são farmacocinética e farmacodinâmica e suas etapas.

Este é um conteúdo de interesse de alunos de farmácia e também daqueles que cogitam fazer dessa a sua carreira.

Se é o seu caso, fique conosco e boa leitura!

O que é farmacocinética e farmacodinâmica?

farmacocinética e farmacodinâmica, Comprimidos em cima de uma mesa formando duas setas
O que é farmacocinética e farmacodinâmica?

Para entender os conceitos de farmacocinética e farmacodinâmica, é preciso, primeiramente, compreender a resposta terapêutica, que é dividida em três partes: fase farmacêutica, fase farmacocinética e farmacodinâmica.

Por resposta terapêutica, entenda-se o efeito causado pela droga no organismo de quem a consumiu.

É importante destacar, também, que um mesmo medicamento pode apresentar efeitos terapêuticos diferentes em outros indivíduos.

Isso porque fatores como gênero, idade, peso, uso de álcool e/ou tabaco, além de condições patológicas, como problemas hepáticos, cardíacos, anemias, entre outros, interferem no resultado final.

Feitas as ressalvas necessárias, vamos falar um pouco sobre cada uma das três fases já mencionadas.

Fase farmacêutica

Também conhecida como biofarmacêutica, essa primeira fase da resposta terapêutica estuda desde a liberação da droga a partir da forma em que foi sintetizada (comprimido, cápsula, xarope, entre outros) até a absorção pelo nosso organismo.

Ou seja, a fase farmacêutica é, basicamente, dividida em duas etapas.

Liberação

Essa etapa pode ser complexa e até mesmo demorada, dependendo da forma de sintetização (xarope, cápsula, supositório, entre outras) e a sua via de administração.

A liberação ocorre com a ajuda do meio biológico no qual o fármaco é administrado.

Por exemplo, o nível de pH e os movimentos peristálticos presentes nas vias de entrada (boca e ânus), responsáveis, principalmente, pela quebra das drogas sólidas (comprimidos).

Depois, libera-se o conteúdo ativo propriamente dito.

Ou seja, nesse caso, a liberação é um processo um pouco mais demorado e complexo, pois exige a dispersão do medicamento em sua forma sólida.

Somente depois é que ele passa para o meio aquoso.

É por isso que medicamentos intravenosos, por exemplo, têm uma ação muito mais rápida, uma vez que já estão no estado líquido, facilitando a absorção.

Dissolução

É a etapa que ajuda a determinar o quão rápido e intenso o produto ativo vai entrar em nosso organismo.

Chama-se de dissolução porque realiza uma mistura líquida.

A água é adicionada para dissolver o medicamento e, então, ser posteriormente absorvido.

Novamente, quanto mais sólido e compacto for a forma de administração, mais demorada será a entrada do produto ativo em nosso organismo.

Fase farmacocinética

Agora, sim, podemos partir para a explicação da fase farmacocinética.

Primeiramente, devemos citar quem criou a expressão. Foi o pediatra alemão Friedrich Hartmut Dost, em 1953.

Ele usou o termo para detalhar o movimento que um medicamento faz em nosso organismo.

A conceituação é bastante simples, uma vez que a palavra cinética provém do grego kinetikós, que significa em movimento, móvel.

Ou seja, é o caminho percorrido pelo fármaco desde a sua via de administração até a sua posterior excreção.

A etapa farmacocinética é composta por cinco fases:

  1. Absorção
  2. Distribuição
  3. Biotransformação
  4. Biodisponibilidade
  5. Excreção.

No entanto, vale ressaltar que, a partir do momento em que o medicamento é absorvido pelo organismo, todas as demais fases acontecem ao mesmo tempo.

A divisão apresentada, portanto, é meramente didática.

Mais à frente, falaremos individualmente de cada uma das fases que compõem a farmacocinética.

Fase farmacodinâmica

A farmacodinâmica, por sua vez, vai um pouco além.

Mais do que estudar o caminho da droga dentro do nosso organismo, ela analisa também os efeitos que determinado medicamento causa em seu tecido alvo.

Ou seja, quais são as consequências terapêuticas e tóxicas que o fármaco em questão gera no local em que se propõe agir.

Quando você toma um remédio para dor de cabeça, por exemplo, ocorrem alterações no interior do seu corpo para que, como em um passe de mágica, sua enxaqueca vá embora sem deixar saudades.

A farmacodinâmica também é dividida, didaticamente, em fases. Mas, em vez de cinco, como na farmacocinética, tem três: local de ação, mecanismo de ação e efeito terapêutico.

A seguir, traremos mais detalhes sobre cada uma dessas etapas.

Etapas da Farmacocinética

Mãos segurando um rato e aplicando remédio com uma seringa
Etapas da Farmacocinética

Conforme comentamos anteriormente, a farmacocinética é, didaticamente, dividida em quatro etapas: absorção, distribuição, biotransformação, biodisponibilidade e excreção.

Veja agora o que acontece em cada uma delas:

Absorção

É a passagem do fármaco do local onde foi administrado até a circulação sanguínea.

Existem, basicamente dois tipos de vias de administração: a enteral e a parenteral.

  • Enteral: oral, sublingual ou retal
  • Parenteral: intravenoso, subcutânea, intramuscular e intradérmica.

As vias de administração parental costumam ser de mais fácil absorção que as enterais.

Distribuição

Todo o caminho percorrido pelo fármaco depois que ele é absorvido e chega à corrente sanguínea recebe o nome de distribuição.

No entanto, isso não quer dizer que a parada final é onde ele deveria chegar.

Aliás, o medicamento pode atingir outros locais que não o desejado:

  • Local onde deveria chegar e vai cumprir os efeitos que promete
  • Tecidos, onde ficará acumulado e não trará efeito algum
  • Local indesejado – em vez de cumprir o efeito terapêutico, vai causar efeitos colaterais
  • Fígado ou outro local onde será metabolizado, onde a ação pode ser aumentada ou diminuída
  • Rins e outros órgãos excretores, a partir dos quais será eliminado.

Biotransformação/metabolismo

Esse é o processo no qual o fármaco sofre uma biotransformação, passando a ser um composto solúvel em água para facilitar a extração.

Boa parte do metabolismo ocorre no fígado, onde existem três cenários possíveis de acontecer:

  • A substância fica inativa, e não acontecem maiores consequências, que é o cenário mais comum
  • A excreção é facilitada, pois metabólitos mais polares são formados, tornando-se hidrossolúveis e, consequentemente, favorecendo a sua eliminação
  • Acontece uma ativação de compostos inativos, o que altera o perfil farmacocinético, podendo levar a reações adversas ao medicamento.

Apesar de boa parte do processo metabólico de medicamentos ocorrer no fígado, nada impede que, em uma frequência menor, ele ocorra em outros órgãos.

Nesse caso, rins e pulmões são mais prováveis.

Biodisponibilidade

Diz respeito a quão disponível a droga fica ao atingir a circulação sistêmica e chegar ao local de ação.

Por que você acha que quando um medicamento é administrado intravenosamente ele faz efeito mais rápido? Porque a sua biodisponibilidade é de 100%.

Ou seja, não há nenhum tipo de desperdício pelo caminho.

Agora, quando o fármaco é administrado oralmente, por exemplo, a sua biodisponibilidade diminui.

Isso acontece porque a absorção demora mais para acontecer e as chances de ela se metabolizar parcialmente são grandes.

Por isso, a biodisponibilidade é uma das etapas mais importantes dentro da farmacocinética.

O profissional responsável pela administração do medicamento precisa calcular corretamente as doses quando a via de aplicação não for intravenosa.

Assim, diminui-se as chances de desperdício e potencializa-se a ação terapêutica.

Excreção

Etapa em que colocamos para fora todos metabólicos que não foram absorvidos pelo organismo.

Essa eliminação pode ocorrer por meio de diversos órgãos, sendo o mais comum os rins, através da urina.

A excreção também acontece:

  • No intestino, pelas fezes
  • Nos pulmões, se foram substâncias voláteis
  • Pelas glândulas sudoríparas, através do suor
  • Do canal lacrimal, por meio das lágrimas
  • Também através do leite materno.

Etapas da Farmacodinâmica

A farmacodinâmica, por sua vez, possui três etapas distintas: local de ação, mecanismo de ação e efeito terapêutico.

Quer descobrir o que acontece em cada uma delas? Então, confira!

Locais de ação

São, normalmente, os receptores, locais que ligam as substâncias endógenas, aquelas que nós mesmos produzimos, com as exógenas, produzidas pelos medicamentos.

São nesses locais de ação que as substâncias interagem, proporcionando uma resposta farmacológica.

Mecanismo de ação

É o que acontece quando o fármaco entra em contato com o organismo.

O produto ativo é liberado, gerando uma resposta terapêutica.

Efeito terapêutico

É o que se busca ao ingerir determinado medicamento.

Ou seja, os benefícios que o fármaco causa em nosso organismo.

Por exemplo, o alívio de dores, relaxamento, cura de infecções, entre outros.

Outras divisões da farmacologia

Farmacocinética e farmacodinâmica, Homem em laboratório
Outras divisões da farmacologia

A farmacocinética e a farmacodinâmica são algumas das divisões que compõem a farmacologia, área que estuda as propriedade químicas e as classificações dos medicamentos.

No entanto, as duas não são as únicas.

Então, para tornar este artigo ainda mais completo, vamos enumerar as outras subdivisões e descrevê-las brevemente.

Farmacologia pré-clínica

É a área da farmacologia que estuda e eficácia dos medicamentos, se eles cumprem os objetivos aos quais se propõem.

Também as respectivas reações adversas que, eventualmente, podem causar nos pacientes.

Os testes são, via de regra, realizados em animais mamíferos.

Farmacologia clínica

Área que possui relação direta com o uso racional de medicamentos na prevenção e no tratamento de doenças, sempre com o intuito de promover a qualidade de vida e o bem-estar dos pacientes.

Além disso, a farmacologia clínica se propõe a estudar a composição dos medicamentos, suas propriedades e se eles apresentam o efeito terapêutico esperado.

Eventuais reações adversas também são observadas e, para isso, testes são feitos em humanos voluntários saudáveis e humanos voluntários doentes.

Farmacognosia

É uma das áreas mais antigas da farmacologia.

Tem como princípio estudar os princípios ativos em substâncias vegetais, animais e minerais em seu estado natural.

O termo cognosia vem do grego e quer dizer conhecimento.

Logo, poderíamos defini-lo como a busca pelo conhecimento das drogas.

Ou seja, a origem dos medicamentos, como os fármacos chegam ao estágio em que os encontramos nas prateleiras das farmácias.

A pesquisa farmacognosia também é repleta de etapas, que vão desde o cultivo e o hábitat da substância, passando pela coleta, o preparo e a secagem, e chegando à dessecação, moagem e extração do princípio ativo.

Farmacoterapia

Refere-se ao uso de medicamentos para tratar doenças. Sobretudo, distúrbios psicológicos.

Assim como a farmacologia clínica, preocupa-se e incentiva o uso racional de fármacos, bem como a venda dos mesmos somente com prescrição.

São os farmacoterapeutas que recomendam qual tipo de tratamento é o mais indicado para determinado paciente.

Por terem estudado a fundo as propriedades das drogas, esses profissionais sabem quais delas têm maior probabilidade de funcionar.

Também usam como base as informações colhidas do enfermo.

Fitoterapia

Se a farmacoterapia utiliza os medicamentos para tratar doenças, a fitoterapia estuda as propriedades medicinais das plantas em busca de respostas.

Todo remédio, que tem como matéria-prima qualquer parte do vegetal, é considerado um fitoterápico.

Também não importa a forma como ele é administrado – pode ser em tintura, pomada, cápsula, seja o que for.

Exemplos de fitoterápicos não faltam:

  • Folha de guaco: indicada para o tratamento de asma, bronquite e outras doenças respiratórias. Pode ser usada em chás
  • Gel de confrei: usado como cicatrizante, possui também propriedades anti-inflamatórias. O produto pode ser passado sobre machucados que não apresentam ferida aberta
  • Flor de camomila: calmante natural, também tem função adstringente, ajudando quem sofre de problemas estomacais. Pode ser usada em chás.

Farmacotécnica

É popularmente conhecida como a manipulação de medicamentos.

Aqui, os farmacêuticos verificam qual é a melhor forma de administração que vai garantir ao paciente a maior e a mais rápida absorção do princípio ativo desejado.

Por isso que, muitas vezes, você consulta um médico que receita uma medicação com uma quantidade determinada de substâncias.

Em uma dosagem específica e administrado de forma menos convencional, ele pede para mandar manipular o fármaco.

Faz isso porque não há, no mercado, uma substância sintetizada com aquelas características.

Em analogia, é como mandar fazer uma roupa sob medida.

Farmacoepidemiologia

É quando a farmacologia bebe das águas da epidemiologia para estudar os usos e os efeitos de determinado medicamento em um número elevado de pessoas.

Normalmente, essa é a última etapa de avaliação antes do desenvolvimento de uma droga que depois será comercializada.

Isso explica o fato, por exemplo, de um fármaco ser aprovado ou legalizado em determinado país e em outro não.

Algumas nações podem considerar a epidemiologia insuficiente para comprovar que o medicamento é, de fato, seguro e não vai trazer nenhuma reação adversa aos pacientes.

Isso acontece muito com suplementos alimentares e vitamínicos usados por pessoas que desejam ganhar massa muscular a qualquer custo.

Farmacovigilância

Como o próprio nome sugere, é a parte da farmacologia que se propõe a analisar qualquer tipo de problema que algum medicamento pode causar.

Ou seja, ela se mantém vigilante no sentido de identificar, avaliar e prevenir as reações adversas que os fármacos podem gerar.

Faculdade de farmácia

Farmacocinética e farmacodinâmica, Mulher em laboratório
Faculdade de farmácia

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Conclusão

Os termos farmacocinética e farmacodinâmica, em um primeiro momento, podem assustar e parecerem mais complexos do que realmente são.

No entanto, como vimos, não é tão complicado assim.

E é sempre muito bom quando entendemos um pouco mais sobre como o nosso corpo funciona, não é mesmo?

É como se estivéssemos naqueles filmes como “Querida, Encolhi as Crianças” e “Viagem Fantástica”, nos quais pessoas são acidentalmente encolhidas e entram no organismo de indivíduos em tamanho real, passando a descobrir os segredos do nosso interior.

Ainda bem que não precisamos passar por uma experiência dessas para entender como respondemos ao efeito terapêutico de um medicamento.

Você já tinha ouvido falar da farmacocinética e farmacodinâmica?

Aproveite para compartilhar com seus amigos em suas redes sociais! E não deixe de dividir conosco a sua experiência, comentando no espaço abaixo.

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Obrigado pela companhia, e até a próxima!

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