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Fluxo de caixa descontado: o que é, como calcular e para que serve

Mão feminina escrevendo em um caderno

Você ouve falar em fluxo de caixa descontado e já fica apreensivo, achando que esse é um conhecimento restrito aos contadores?

Se for o caso, é bom começar a rever seus conceitos.

Para quem já tem o próprio negócio, pretende ter ou está à frente de uma empresa, em um cargo de gestão, o assunto é de interesse obrigatório.

Não que você tenha que, necessariamente, se dedicar a fórmulas complexas para entender os números do negócio.

De fato, seu contador pode ser seu principal aliado para isso.

Mas o fluxo de caixa descontado é, na verdade, uma ferramenta com a qual você precisa contar.

E a primeira razão para isso é que ele revela qual o valor da empresa e traz também uma visão futura desse mesmo valor.

Ao analisar o potencial de investimento de uma organização por meio de projeções sobre o fluxo de caixa da empresa e dos descontos sofridos, ele ajuda a entender se o negócio será ou não viável daqui para a frente.

Ou seja, dessa forma, serve como subsídio para a tomada de decisões importantes.

Se o cenário previsto é ruim, há tempo de fazer os ajustes para evitar o naufrágio.

Por outro lado, se ele é positivo, você pode definir melhor os investimentos a partir de agora para aproveitar o bom momento e expandir as operações ou os lucros dela.

Neste artigo, vamos falar mais sobre essa metodologia que permite avaliar qual será o valor do seu capital no futuro, levando em conta as alterações do tempo.

Ficou interessado em saber mais sobre o fluxo de caixa descontado? Então, você está no lugar certo!

Boa leitura!

O que é fluxo de caixa descontado?

O fluxo de caixa descontado, também conhecido como FDC, é uma metodologia de valuation avaliação de empresas – que possibilita analisar a capacidade da organização de gerar riquezas no futuro.

Ou seja, ele trabalha com o valor do dinheiro no tempo.

Mas como?

Para realizar seus cálculos, o fluxo de caixa descontado leva em consideração os investimentos realizados pelos ativos operacionais da empresa, os seus custos de capital e os riscos do empreendimento.

Normalmente, a projeção realizada pelo fluxo de caixa descontado é analisada pelos próximos cinco anos e pode ser projetada por mais tempo, variando segundo a previsibilidade da receita da empresa.

Ou seja, é uma técnica de orçamento de capital empregada para determinar o valor atual da empresa, o seu ativo ou um projeto.

Tem como base o capital que a organização pode gerar no futuro.

Para tanto, considera duas importantes variáveis financeiras: o risco e o retorno.

Ele trata de uma projeção daquilo que a empresa poderá produzir no futuro, considerando os descontos do tempo que isso levará – e todos os riscos assumidos.

Portanto, o fluxo de caixa descontado faz uso de projeções de fluxo de caixa da empresa e considera ainda os seus descontos para conseguir uma estimativa do valor presente.

Parece complicado? Não se preocupe! Ainda neste artigo, vamos explicar como fazer esse cálculo e daremos exemplos de como ele funciona.

Para que serve o fluxo de caixa descontado?

Fluxo de caixa descontado, Mulher passando cartão em um estabelecimento comercial
Para que serve o fluxo de caixa descontado?

O fluxo de caixa descontado, como vimos anteriormente, serve para avaliar a saúde financeira da empresa e a sua capacidade futura para investimentos.

Nesse sentido, ele é muito utilizado por investidores que desejam comprar ações de uma empresa ou para a tomada de decisão gerencial.

Ele permite que os gestores tenham uma visão mais abrangente da capacidade da empresa em gerar riquezas e se manter no mercado.

Com isso, a decisão por realizar um investimento ou a escolha entre dois ou mais deles será feita de forma mais assertiva e segura.

O fluxo de caixa descontado também serve para que a empresa tenha uma imagem mais precisa do seu verdadeiro valor de mercado.

Vantagens e desvantagens de fluxo de caixa descontado

Uma das principais vantagens do fluxo de caixa descontado é o fato de ele apresentar uma estimativa do valor como resultado.

Isso faz com que ele sofra pouca influência das condições de mercado a curto prazo ou fatores não econômicos.

Além disso, o FDC utiliza diversas estratégias de negócios em sua avaliação. Com isso, o investidor pode agregar aos seus cálculos um programa de redução de custos implementado na empresa.

Mas, mais do que isso, essa metodologia é de grande utilidade para realizar a precificação de empresas que têm fluxo de caixa estável e previsível.

Outra grande vantagem do fluxo de caixa descontado é permitir, ao gestor, reduzir um investimento para que ele passe a gerar dinheiro. Ou escolher aquele que melhor irá se encaixar com o seu cenário e trará mais lucros.

Por ser uma metodologia orientada para o futuro, depende muito mais de expectativas sobre o que ainda virá do que de resultados históricos do mercado.

Sendo assim, ele é muito menos influenciado por fatores externos.

Entretanto, o FDC possui suas desvantagens. Ou, no mínimo, pontos de atenção.

O principal deles é justamente o fato de lidar com projeções, o que pode causar alguns gaps de assertividade.

Quando as estimativas não representam a realidade, o valor previsto pelo fluxo de caixa descontado será equivocado. Assim, o resultado poderá trazer falsas impressões e, em consequência, gerar problemas para a empresa.

Além disso, ele é um modelo muito sensível às mudanças que podem ocorrer nas premissas dos investidores.

Por isso, qualquer alteração realizada na taxa de crescimento ou no desconto pode acarretar em grandes modificações no valor final encontrado por meio do fluxo de caixa descontado.

Como calcular o fluxo de caixa descontado

Fluxo de caixa descontado, Pote com moedas dentro
Como calcular o fluxo de caixa descontado

O processo de cálculo do fluxo de caixa descontado, como vimos anteriormente, envolve a projeção de resultados futuros da empresa.

Por isso, ele leva em consideração fatores como:

  • Estimativas de crescimento do faturamento, custos e despesas operacionais
  • Crescimento do mercado
  • Cadeia produtiva
  • Tendências.

Mas, para realizar o cálculo, é preciso ter em mente quatro elementos-chave da gestão financeira da empresa.

São eles:

  • Estimativa de fluxo de caixa: montante recebido e gasto por uma empresa em um período específico
  • Taxa de desconto: determinada pelo custo médio ponderado entre o capital e os riscos do investimento
  • Valor residual: valor estimado do ativo ao final da sua vida útil
  • Cálculo de valor da empresa: valor final.

Com esses dados, é possível realizar uma projeção do que a sua empresa poderá produzir no futuro, já levando em conta os descontos do tempo necessário para isso ocorrer e os riscos assumidos.

Então, como realizar esse cálculo?

Métodos de cálculo

Existem dois métodos principais para o cálculo do fluxo de caixa descontado:

  • Valor Presente Líquido (VPL): calcula o valor presente líquido de um investimento em potencial, considerando o custo de capital da empresa como taxa de desconto
  • Taxa Interna de Retorno (TIR): calcula a taxa interna de retorno de um investimento em potencial.

Agora que você já sabe quais são os principais métodos de cálculo do fluxo de caixa descontado e seus principais elementos, que tal descobrir como colocá-lo em prática?

A seguir, descubra qual é a fórmula utilizada e veja ainda um exemplo prático para ilustrar melhor como fazer a conta.

Fórmula do fluxo de caixa descontado

Fazer o cálculo do fluxo de caixa descontado pode parecer um bicho de sete cabeças. No entanto, não se preocupe, a fórmula é relativamente simples.

Na prática, o essencial é saber dividir os fluxos de caixa futuros pelo número de anos estimados (períodos) multiplicados por uma taxa de desconto, mais um.

Ou seja, a fórmula do fluxo de caixa descontado ficaria assim:

  • FCD = projeções de faturamento / (1 + taxa de desconto) elevado ao número de períodos

Agora, que tal utilizar essa fórmula em um exemplo prático?

Veja a seguir.

Exemplo de fluxo de caixa descontado

Vamos imaginar que a empresa em questão possui um faturamento anual de R$ 70 mil e que, para os próximos quatro anos, a estimativa é de um crescimento de R$ 10 mil ao ano.

Inicialmente, o faturamento de cada período seria:

  • Ano 1: R$ 80 mil
  • Ano 2: R$ 90 mil
  • Ano 3: R$ 100 mil
  • Ano 4: R$ 110 mil.

Mas, ao utilizar a fórmula do fluxo de caixa descontado, é possível tornar esses dados mais verdadeiros, considerando a realidade financeira da empresa e do mercado.

Isso porque não é possível ignorar as perdas que acontecem no decorrer desse período.

Então, vamos imaginar que a taxa de desconto será de 10% sobre as projeções desses três primeiros anos.

Aplicando a fórmula anual, ficaria assim:

  • FDC = valor da projeção / (1 + 0,1) elevado ao número de períodos

Ou seja:

  • Ano 1: R$ 80 mil / 1,10¹ = R$ 72.661,22
  • Ano 2: R$ 90 mil / 1,10² = R$ 81.669,69
  • Ano 3: R$ 100 mil / 1,10³ = R$ 90.661,83
  • Ano 4: R$ 110 mil / 1,104 = R$ 99.637,68

Nesse caso, segundo o cálculo do fluxo de caixa descontado, a projeção de faturamento dessa empresa ficaria em R$ 344.630,42 mo período.

Fluxo de caixa nominal e descontado

Gráfico com a palavra "Cash" e "Flow" em destaque
Fluxo de caixa nominal e descontado

Até agora, você viu o que é o fluxo de caixa descontado, para o que ele serve e quais são as suas vantagens e desvantagens.

Mas existe ainda uma outra classificação.

Os fluxos de caixa podem ser separados em reais e nominais.

Os reais são aqueles que refletem apenas o número real das unidades vendidas em uma empresa e o seu verdadeiro poder de precificação.

Ou seja, somente aquilo que é realmente palpável.

Já os nominais são os fluxos que consideram a previsão da inflação e outras variáveis, sendo expressos em moeda específica.

Isto é, o fluxo de caixa nominal e descontado é aquele que, além de levar em conta todos os fatores que já destacamos ao longo do artigo, também considera outras variáveis que podem ser importantes ou relevantes para o negócio.

Avaliação de empresas pelo método do fluxo de caixa descontado

Fluxo de caixa descontado, Vetor com várias moedas, notas e bonecos interagindo uns com os outros
Avaliação de empresas pelo método do fluxo de caixa descontado

Até aqui, observamos que o fluxo de caixa descontado permite mensurar o valor patrimonial de uma empresa.

E isso é importante em diferentes cenários.

Tido como um dos métodos mais utilizados, ele verifica, por meio de cálculos, se a empresa possui ou não capacidade para gerar riqueza futura.

Nesse sentido, a avaliação de uma empresa é feita para determinar qual é o valor justo de um negócio, seja para aquisição, para a entrada de novos sócios ou ainda para definir o retorno esperado de suas ações.

O fluxo de caixa descontado possui como lógica principal o fato de que o dinheiro, hoje, vale mais do que amanhã.

Isso porque ele consiste, basicamente, na projeção futura de uma empresa com a aplicação de uma taxa de desconto para prever uma depreciação.

Ele mostra que fluxos de caixa positivos, gerados pela empresa, acabam perdendo valor ao longo do tempo.

Por esse motivo, existe uma necessidade de calcular uma taxa para descontar esses valores à medida que o tempo avança.

É aí que entra a metodologia do fluxo de caixa descontado, que permite projetar os valores de fluxo de caixa de uma empresa para os próximos cinco ou dez anos.

No entanto, definir o valor de mercado de uma empresa não é algo simples, como você deve imaginar.

Mas o fluxo de caixa descontado permite uma avaliação mais segura. Ele incorpora em si o pressuposto de que um investidor abrirá mão de um investimento atual por algo que trará melhores resultados no futuro.

Dessa forma, ele atua como um ponto de atração para o mercado.

É importante ter em mente que o prazo para realizar a avaliação de uma empresa deve levar em conta a sua estabilidade.

Ou seja, empresas maiores ou que atuem em segmentos que passam por menos mudanças e instabilidades econômicas (como construção, petróleo, gás, entre outros) possuem fluxos de caixa mais estáveis e com um nível de confiabilidade mais alto.

Já empresas menores, que atuam em setores que são mais dinâmicos, têm uma confiabilidade de projeções muito mais baixa.

Por isso, nesse segundo caso, o ideal é realizar o fluxo de caixa descontado poucos anos para frente, em vez de pensar em algo mais a longo prazo.

Agora, entra aqui uma etapa essencial para avaliar a empresa: analisar os valores obtidos e também os cenários aos quais a organização está sujeita.

Pense em questões como:

  • Será que a empresa já está crescendo?
  • A organização é lucrativa atualmente ou já demonstra indícios de que será lucrativa no futuro?
  • O mercado no qual ela atua está em expansão ou estagnado?
  • Ela possui fortes concorrentes no seu segmento? São empresas que buscam inovações?
  • Existe previsão de novas tecnologias que poderão ajudar a organização a crescer ou melhorar a sua lucratividade?
  • E a legislação? Ela tem uma previsão de ser mais favorável?
  • A equipe da empresa é qualificada?

Em seguida, crie cenários, realize projeções e estime probabilidades para cada uma delas.

Pense no pior cenário possível, aquele em que tudo dará errado com a empresa.

Por mais catastrófico que pareça, parta do princípio de que, se estiver preparado para a mais dura realidade, estará também para todas as outras.

Depois, crie uma opção mais realista e, finalmente, identifique qual seria o melhor cenário de todos, aqueles dos seus sonhos, onde todos os fatores analisados seriam favoráveis.

Com isso, você poderá ter uma visão mais concreta de qual é o real valor da empresa, tendo como base o cálculo realizado pelo fluxo de caixa descontado.

Conclusão

Ao longo deste artigo, você pôde conhecer e entender melhor o que é o fluxo de caixa descontado.

Vimos que ele é, basicamente, um método de avaliação de um projeto, de uma empresa, de um ativo ou investimento, por meio da utilização do conceito de valor do dinheiro ao longo do tempo.

Dessa forma, atua como uma ferramenta que permite verificar não apenas a projeção futura da empresa, mas qual é o seu valor de mercado e a sua probabilidade de gerar riquezas no futuro.

Apesar de parecer algo extremamente técnico e complexo, o cálculo do FDC é simples e de grande utilidade.

O importante é saber definir de forma segura e precisa os fatores que influenciam diretamente no cálculo do fluxo. Por quê? Para que a projeção seja a mais assertiva possível.

Além disso, pudemos observar que existem mais vantagens do que desvantagens na sua utilização. Isso faz do fluxo de caixa descontado uma metodologia muito difundida e utilizada no mercado para o valuation.

A partir de então, descobrimos como ele pode auxiliar na avaliação de empresas e na tomada de decisões sobre investimentos.

Muito mais do que apenas uma fórmula, o FDC é uma metodologia que permite uma visão mais precisa sobre o andamento do negócio.

E isso influencia diretamente no planejamento financeiro, fazendo com que ele seja realizado de forma mais tranquila e precisa, o que aproxima o sucesso da empresa.

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Obrigado pela leitura e até a próxima!

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