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O que é intraempreendedorismo: a importância e 5 exemplos reais

Pessoas conversando, em uma mesa

O que você sabe sobre intraempreendedorismo? Conhece a importância dele para seus negócios?

Pode ser novo em termos conceituais, mas o fenômeno ao qual ele se refere não é nada recente.

Mas, antes de avançarmos nesse assunto, cabe uma breve análise do empreendedorismo brasileiro que, nos últimos anos, deu um salto dos mais expressivos em toda a história.

Como motivadores, poderíamos destacar as taxas de desemprego persistentemente elevadas e a flexibilização das leis do trabalho.

Isso criou um panorama no qual boa parte da mão de obra de reserva, ou seja, aquela que está sem emprego, buscasse no negócio próprio um meio de subsistência.

Uma prova disso é o crescimento da categoria Microempreendedor Individual (MEI), a menor modalidade de empresa do país.

De acordo com o Portal do MEI, em julho de 2019, o número de inscritos na condição já alcançava 8,6 milhões.

Isso representa crescimento de 20,9% em relação ao mesmo período de 2018, quando a categoria somava pouco mais de 7 milhões de MEIs.

Não é difícil imaginar que boa parte desse contingente pensou o próprio negócio enquanto trabalhava com carteira assinada.

Portanto, é justo dizer que, com o crescimento do empreendedorismo, vem a reboque o crescimento da sua versão menos estudada, o intraempreendedorismo.

Esse fenômeno é abordado neste artigo completo, elaborado para você que tem interesse em começar um negócio tomando como base o seu emprego atual.

Tenha uma ótima leitura!

O que é o intraempreendedorismo?

A concepção de intraempreendedorismo é recente porque o primeiro teórico a abordá-lo de forma mais metódica foi Gifford Pinchot III e sua esposa Elizabeth Pinchot, em 1985.

Naquele ano, foi lançada a sua mais célebre obra , o livroIntrapreneuring: Why You Don’t Have to Leave the Corporation to Become an Entrepreneur” – Por que você não precisa deixar a empresa para se tornar um empreendedor.

Até então, a ideia de empreender enquanto se trabalhava formalmente para uma empresa não era muito compreendida, o que explica em parte o pouco incentivo existente.

Se comparadas com as empresas atuais, nas quais o estímulo à inovação é quase uma regra para sobrevivência, as da década de 1980 eram diametralmente opostas.

Isso porque acreditava-se que um empregado que pensava em um novo modelo de negócio ou inovasse aproveitando conhecimento adquirido em uma empresa era, de certa forma, um concorrente. No máximo, alguém mais interessado no próprio sucesso.

Felizmente, com o tempo, esse pensamento mudou e muito dessa mudança se deve à obra do casal Pinchot.

A partir disso, o intraempreendedorismo passou a ser entendido de forma mais técnica, sendo definido como “ação empreendedora circunscrita a uma empresa já formada”.

Intraempreendedorismo e empreendedorismo, qual a diferença?

Intraempreendedorismo, Jovem colando post-it em um vidro
Intraempreendedorismo e empreendedorismo, qual a diferença?

O panorama do empreendedorismo brasileiro pode ser tomado como um bom ponto de partida para entendermos a diferença elementar entre empreender e intraempreender.

Vimos no início do artigo que o aumento no número de empresas individuais, em um contexto mais amplo, tem ligação com as taxas de desemprego.

Dessa forma, embora não existam estudos que atestem com mais clareza essa relação, há fortes indícios de que a falta de emprego ou o subemprego tem motivado a adesão ao MEI.

É o que indica, por exemplo, uma reportagem publicada no portal G1 sobre o assunto, que você pode acessar depois que terminar de ler este artigo.

Então, para ser mais direto: o empreendedorismo pode ser motivado por necessidade, ou seja, a exigência por ganhar dinheiro para o sustento próprio e/ou familiares.

É diferente, portanto, do intraempreendedorismo, em que normalmente não é a subsistência que está em jogo.

Nesse caso, o que pesa mais é o senso de oportunidade.

Sendo assim, um intraempreendedor é alguém que desenvolve uma ideia ou modelo novo de negócio porque detectou uma chance de sucesso.

Embora o empreendedorismo também possa começar dessa maneira, no intraempreendedorismo, a necessidade de sobreviver tem um peso menor.

Por mais que alguém empregado possa empreender movido pela urgência, no geral, é a oportunidade que o leva a se arriscar em nome de um negócio com “a sua cara”.

Por que o intraempreendedorismo é importante?

Segundo o IBGE, as empresas brasileiras apresentam uma forte propensão a inovar.

Como exemplo, no período entre 2011 e 2014, houve um aumento de 3,7% na quantidade de de empresas que implementaram inovações de produto e/ou processo.

Contudo, a inovação por si só não garante bons resultados. Ao contrário, se mal orientada, pode até levar uma empresa à falência.

É por isso que, nesse aspecto, tão importante quanto inovar é fazer a gestão da inovação.

Em outras palavras, é tomar as rédeas para que o negócio se ajuste às demandas de seus clientes e stakeholders (todos as partes interessadas nele) sem com isso perder identidade e foco.

Nesse aspecto, o intraempreendedorismo se revela a forma mais segura de inovar.

Afinal, quem melhor do que as pessoas que já conhecem o negócio para levar adiante ideias e modelos inovadores que gerem resultados positivos mas acima de tudo, consistentes?

Há vantagens evidentes em estimular a iniciativa inovadora por parte de quem já está empregado.

Vamos listar algumas delas:

  • As inovações tendem a considerar as exigências dos clientes da empresa
  • Os obstáculos internos são superados com menos dificuldade
  • As forças da empresa são melhor aproveitadas
  • Há menos riscos quando a inovação é orientada por uma oportunidade
  • Custa menos para a empresa, já que a demanda por profissionais de fora é menor.

Quais as competências de um intraempreendedor?

Vetor, um homem trabalhando em um notebook e outro voando, com uma capa
Quais as competências de um intraempreendedor?

A rigor, um intraempreendedor precisa de competências muito parecidas àquelas de que um empreendedor precisa para ser bem sucedido.

Nesse aspecto, vale recorrer à ferramenta CHA (Competências, Habilidades, Atitudes) para avaliar se de fato um profissional apresenta os atributos indispensáveis para empreender dentro de uma empresa.

E o que isso significa?

Quer dizer que um intraempreendedor precisa acumular conhecimento e experiência suficiente que o credencie a levar uma ideia inovadora adiante.

Também quer dizer que, sem as habilidades técnicas e comportamentais necessárias, não se pode executar aquilo que se projeta no campo teórico.

Por fim, as atitudes são o “estopim” para as ideias tomarem forma.

De nada adianta identificar uma oportunidade e saber como aproveitá-la sem uma certa dose de ousadia e coragem, certo?

Com esses três elementos, estará formada a base para desenvolver a verve intraempreendedora.

Claro que a coisa não para por aí. Ter conhecimento de causa, dominar as técnicas e ter atitude é apenas o começo.

Empreender, seja dentro ou fora de uma empresa, é como percorrer uma estrada.

Para começar, é preciso planejar, saber onde se quer chegar e de que forma isso será feito.

Durante o trajeto, é possível que apareçam ajustes a se fazer, o que demanda acompanhamento constante.

Por fim, a chegada ao destino implica o começo de uma nova viagem, a de volta.

Assim, o ciclo de aprendizado contínuo se repete. Em essência, é assim que se forma um intraempreendedor.

Plano de ação para o intraempreendedorismo

intraempreendedorismo, Homem, em pé, em cima de um foguete
Plano de ação para o intraempreendedorismo

Outro ponto em comum com o empreendedorismo externo consiste em basear-se sempre em um plano de ação.

Embora o intraempreendedorismo, como diz Pinchot, deva ser sempre estruturado em torno de uma boa ideia, há aspectos práticos e operacionais que precisam ser abordados.

Vejamos como isso funciona

Passo 1: Ter ideias

O começo da jornada intraempreendedora não se dá na empresa, mas dentro da cabeça de quem pensa em desenvolver uma ideia.

Assim sendo, o primeiro passo para inovar é escolher a proposta com maior chances de êxito, dadas as condições.

Não por acaso, é sugerido nessa fase que o potencial intraempreendedor promova um brainstorming com colegas de trabalho.

Dessa forma, será capaz de identificar possíveis falhas, inconsistências ou pontos a desenvolver em uma ideia inicial.

Além disso, o ditado “duas cabeças pensam melhor que uma” é sempre válido.

Quanto mais pessoas colaborarem para tornar uma ideia realidade, melhor.

Isso se aplica desde o início, naquele momento em que tudo não passa de simples abstração.

Por isso, o mais indicado é anotar todas as ideias ou registrá-las em uma planilha.

A partir disso, vá eliminando em equipe aquelas que pareçam menos promissoras.

No final, você terá certamente um bom ponto de partida para intraempreender.

Passo 2: Selecionando a ideia

A escolha da ideia a ser levada adiante deve ser pautada no tripé de necessidades definido por Pinchot na sua obra sobre intraempreendedorismo:

  • Do cliente
  • Da empresa
  • Do próprio intraempreendedorismo.

Sobre o último item, ele também poderia ser substituído por “necessidade do intraempreendedor”.

Afinal, por mais que empreender seja uma atividade em grupo, nada acontece sem a alavanca individual.

Para minimizar as chances de erro, não deixe de utilizar a lista de verificação de ideias antes de decidir.

Essa é uma ferramenta útil não só para orientar na escolha, como para definir novas ideias em caso de rejeição ou aprimorar a que for selecionada.

Passo 3: Planejando a ideia

Com a ideia no papel, é hora de passar à terceira fase do plano de ação do intraempreendedor, o planejamento propriamente dito.

Voltando à metáfora da viagem, é nessa fase que você antecipa de que forma chegará ao objetivo/destino traçado.

Também é aqui que se deve prever os custos da empreitada, os recursos físicos e humanos e, não menos importante, do tempo a ser investido.

Portanto, estipular metas e vincular a realização delas a um cronograma é fundamental para o sucesso do intranegócio.

Outro aspecto importante é manter, na medida do possível, o sigilo sobre a sua ideia, que só deverá ser revelada às pessoas escolhidas para ajudar na realização.

Por isso, deve-se evitar a distribuição de material por escrito. Afinal, nunca se sabe quando alguém tentará boicotar o plano.

Tudo no seu tempo e isso vale para a divulgação da ideia inovadora.

Passo 4: Executando

O sigilo se explica não porque o intraempreendedorismo seja algo a ser feito nas sombras.

A questão, nesse caso, é outra. Revelar a disposição em empreender fora do timing adequado pode fazer com que a ideia seja sabotada antes mesmo de ser posta em prática.

Infelizmente, há quem ainda acredite que intraempreendedores são concorrentes da empresa. Por isso o sigilo até a o término do planejamento se justifica.

Só depois do plano concluído na parte teórica que você deverá passar à ação e isso implica, logicamente, contar com o apoio dos líderes e sócios da empresa.

Sem esse respaldo, não haverá como levar uma iniciativa adiante.

Afinal, o intraempreendedorismo é sempre ligado à inovação e, sendo assim, pode mudar profundamente processos ou mesmo a cultura da empresa.

Passo 5: Angariando braços e mentes

Contar com o apoio dos líderes serve não apenas como um aval.

Na verdade, ter a alta direção ao lado é extremamente útil para a atração de pessoas que possam colaborar desde a fase inicial do projeto.

Assim, fica ainda mais clara a relação de interdependência entre empresa e intraempreendedor, na qual o objetivo é promover ganhos mútuos.

5 Exemplos de intraempreendedorismo para você se inspirar

intraempreendedorismo, Dois controles de vídeo game
5 Exemplos de intraempreendedorismo para você se inspirar

Além de seguir o plano de ação, de contar com o apoio dos líderes da empresa e de seus próprios colegas, você também precisará se manter altamente motivado.

Embora a própria materialização de uma boa ideia seja em si um motivador, o fato é que a realidade é sempre mais dura.

Sendo assim, e para ajudar a manter a moral sempre em alta, destacamos cinco casos reais.

Neles, você poderá se inspirar e até tirar forças para prosseguir nos momentos em que as coisas não caminharem tão bem.

1. Gmail (Google)

O Google é, sem dúvidas, um exemplo lapidar de empresa que aposta alto em inovação.

A propósito, o intraempreendedorismo não só é estimulado na teoria ou só com palavras.

Entre as suas práticas de gestão de pessoas, é determinado que 20% do tempo no expediente dos colaboradores seja empregado em iniciativas pessoais. Bacana, não é mesmo?

Foi dessa prática que surgiu talvez aquele que seja o maior serviço de e-mails do mundo, o Gmail.

A grande sacada do seu criador, Paul Buchheit, foi justamente fundir toda a excelência do buscador à caixa de entrada de um correio eletrônico.

Uma ideia aparentemente simples, mas que para ser implementada exigiu tempo e um planejamento minucioso.

Tanto foi que, no início, só poderia ter conta no Gmail aqueles que fossem convidados.

Outra inovação que o tornou praticamente imbatível foi o seu espaço para armazenamento, que no começo era de 1 GB (hoje, é de 15GB).

2. Playstation (Sony)

Nem sempre uma empresa estimula o intraempreendedorismo entre seus empregados, em especial aquelas com valores mais conservadores.

É o caso da Sony, na qual trabalhava o programador Ken Kutaragi entre as décadas de 80 e 90.

Tudo começou quando ele teve a ideia de trabalhar de forma independente em um chip de som para um futuro console de 16 bit da famosa marca de eletroeletrônicos japonesa.

Até então, a Sony se posicionava contrária à entrada no mercado de videogames. Eles acreditavam que vender walkmans e televisores era muito mais rentável.

Bom, nem precisa dizer o que aconteceu com os walkmans. Já os televisores, se não fossem as tecnologias que os integram à web, talvez já tivessem caído em desuso.

Voltando ao nosso caso inspirador, a ideia de Ken teria naufragado se um dos líderes da empresa não o tivesse apoiado quando todos iam contra.

Com o tempo, o que seria apenas um chip tornou-se um console símbolo de toda uma geração.

3. O botão “curtir” (Facebook)

Junto ao Google, o Facebook é hoje um outro exemplo clássico de empresa com forte viés inovador.

Da mesma forma, essa característica se materializa em iniciativas que estimulam o intraempreendedorismo.

Entre essas iniciativas, está o hackaton do Facebook, grande evento de escala mundial e realizado anualmente em diversas cidades na qual a empresa tem sede.

Hackaton é a junção das palavras “hacker” mais “maraton”, ou seja, trata-se de uma competição entre desenvolvedores e programadores.

Foi justamente em uma dessas que surgiu aquele que é considerado um verdadeiro ícone do Facebook, o botão Curtir.

4. Vitech

Na década de 90, a Vitech levou à frente um projeto para estimular o intraempreendedorismo e, assim, aumentar suas vendas.

A iniciativa foi tão bem-sucedida que, entre os anos de 1995 e 1997, ela se tornaria a segunda maior empresa no extremamente competitivo mercado de tecnologia norte-americano.

O boom foi possível graças a uma estratégia que aliava produtos mais sofisticados, destinados à classes de renda mais alta, força de vendas em shoppings e formas de pagamento facilitadas.

Não satisfeita, a empresa avançaria ainda mais, desenvolvendo linhas para pessoas das classes C e D.

Para esse público, a força de vendas utilizava o clássico método de vendas porta a porta e os pagamentos podiam ser feitos em intervalos semanais.

5. Havaianas

Nem só de exemplos estrangeiros vive o intraempreendedorismo. Um bom caso de sucesso a ser citado, no Brasil, é o das sandálias Havaianas.

Na década de 90, enquanto o seu produto/commodity, as clássicas sandálias com sola de borracha, declinavam em seu ciclo, teve início um ambicioso projeto de reestruturação.

Nascia então a “Havaianas Top”, modelo que quebrou o padrão bicolor das sandálias, até então fabricadas sempre com solado preto ou azul e superfície  branca.

Um verdadeiro caso de intraempreendedorismo do Brasil para o mundo!

Conclusão

Neste artigo, você teve contato com o conceito de intraempreendedorismo, entendeu porque ele é tão importante e descobriu como tornar uma ideia realidade, mesmo estando em uma empresa.

Você viu também, em um passo a passo prático e simples, como tirar aquela sua boa ideia do papel e, de quebra, conheceu 5 casos para se inspirar em sua jornada.

Assim sendo, está agora em suas mãos. Não se esqueça da importância do planejamento e do senso de oportunidade para ser bem-sucedido.

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Investir no seu conhecimento pode ser o ponto de partida para o intraempreendedorismo.

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