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Macroeconomia: o que é, para que serve e qual sua importância

Macroeconomia

Falar sobre macroeconomia parece algo complexo.

Aliás, tão complexo que pode afastar as pessoas e dar a impressão de que não é um assunto para qualquer um compreender e debater.

Porém, esse é um entendimento que precisa ser revisto, colocando o tema na ordem do dia.

Afinal, estamos falando sobre um conceito que nos afeta diretamente, ao abrir a carteira, ao ir ao supermercado ou à farmácia, por exemplo.

Mas as implicações da macroeconomia vão muito além desse tipo de situações.

E é sobre elas que vamos falar a partir de agora, ao longo deste artigo.

Se você quer compreender o assunto e se sentir mais confortável quando ouve falar sobre ele, siga a leitura e confira o nosso guia sobre macroeconomia.

O que a macroeconomia?

A macroeconomia é um ramo da economia que observa, mede e tira conclusões em larga escala sobre fenômenos econômicos.

Esse estudo é feito olhando para os itens que alteram a situação econômica de uma cidade, estado, região ou país.

A partir daí, ocorre a análise e interpretação do seu desempenho.

As análises da macroeconomia são pautadas e se relacionam com indicadores econômicos diversos.

Entre eles, Produto Interno Bruto, renda nacional, nível de preços, taxa de juros, desemprego, investimentos, consumo, comércio internacional, entre outros.

Mercados da macroeconomia

A macroeconomia acompanha o movimento de cinco mercados.

Agora, vamos trazer detalhes sobre cada um deles:

  • Bens e serviços: indica os preços de produtos serviços, além da quantidade da produção nacional.
  • Mercado de trabalho: mede quanto as pessoas estão conseguindo participar no mercado de trabalho, quanto tempo estão levando para isso e o número de pessoas fora dele. Além disso, regula também os valores dos salários e se a oferta de profissionais de uma certa profissão está aumentando ou diminuindo.
  • Monetário: analisa a inflação do país, assim como a oferta (impressão de papel pelo Banco Central) e a demanda da nossa moeda.
  • Títulos: observa quem lucra ou tem prejuízo com investimentos.
  • Divisas: avalia a balança comercial do país, ou seja, os volumes de importações e exportações, além das transferências de dinheiro associado a essas transações.

Qual a finalidade da macroeconomia?

A finalidade da macroeconomia é entender quais elementos alteram a realidade econômica do país.

Também o quanto eles estão fazendo isso e quais são os efeitos dessas mudanças para o desenvolvimento nacional.

Dessa forma, é possível controlar as variáveis e reagir, estabelecendo políticas para frear possíveis ameaças e garantir ao país as condições necessárias para que ele se desenvolva.

Para chegar nesse desenvolvimento, existem alguns objetivos que a política macroeconômica vai desenvolver e perseguir.

É sobre eles que vamos falar na sequência.

Quais são os objetivos da macroeconomia?

São quatro as principais metas da macroeconomia no Brasil: o crescimento da economia, o pleno emprego, a estabilidade de preços e o controle inflacionário.

Abaixo, veja um pouco mais sobre cada uma delas e sua relevância.

Crescimento da economia

A ideia é estimular o aumento da capacidade de gerar riquezas, o que se dá através de um controle das tendências de macroeconomia e com a observação dos seus efeitos na microeconomia.

Pleno emprego

O pleno emprego acontece quando todos aqueles que estão aptos a trabalhar conseguem encontrar uma oportunidade em pouco tempo.

Essa é uma das metas da macroeconomia pela sua forte influência sobre outros fatores econômicos.

Em um cenário de desemprego, a população perde poder de consumo porque está sem uma fonte de renda.

Com isso, as empresas deixam de faturar e, por consequências, o PIB cai.

Observe que há um efeito cascata na economia.

Ou seja, há menos dinheiro para ser reinvestido em setores estratégicos, como educação e saúde, por exemplo.

Para evitar essa sequência de perdas, a macroeconomia estuda maneiras de combinar fatores econômicos de forma a levar ao pleno emprego.

Estabilidade de preços

Esta meta está relacionada a não deixar que a população perca poder de compra, o que acontece especialmente quando os salários não estão aumentando na mesma medida que a inflação.

Quando os preços sobem com frequência, as pessoas acabam comprando cada vez menos.

É o típico caso que o salário “perde valor” de um mês para o outro.

Com isso, a economia desacelera e, novamente, o PIB cai.

Controle inflacionário

O controle inflacionário também se relaciona intimamente com o poder de compra da população.

Afinal, o principal sintoma de inflação alta é o aumento nos preços.

Mas os efeitos vão além disso e, mais uma vez, são quase uma cascata: a redução do consumo prejudica as famílias e faz com que os empresários tenham medo de investir aqui, já que a demanda por produtos está caindo e os custos de produção sobem.

Com isso, o cenário no mercado é de instabilidade, o que faz com que projetos sejam congelados e muitos possam perder empregos por causa disso.

O controle inflacionário também influencia na força da moeda nacional perante o mercado internacional.

Inflação alta faz com que a moeda se desvalorize, então, o país passa a gastar ainda mais para importar os artigos que precisa, o que também desequilibra a balança comercial e os gastos do governo.

O que é uma política macroeconômica?

macroeconômica - homem de terno tocando tela touch com desenho de uma lupa
O que é uma política macroeconômica?

Uma política macroeconômica é um apanhado de ações e decisões tomadas por um governo para garantir que ele irá cumprir as metas e alcançar os objetivos que traçou para o desenvolvimento econômico de um país.

Para isso, agentes como o próprio governo e o Banco Central vão usar de instrumentos para garantir que isso aconteça.

São eles:

  • Política cambial: controle da taxa de câmbio da nossa moeda
  • Política comercial: facilitação ou não das importações e exportações
  • Política de renda: controle de preços e de salários
  • Política fiscal: impostos cobrados da população em geral e de empresas
  • Política monetária: quantidade e disponibilidade de moeda e títulos públicos para serem comprados, incluindo ainda a política de juros, como a Taxa Selic.

As decisões são tomadas em cima de estudos e análises dos fatores que são observados pela macroeconomia.

Entre eles, o nível dos preços, desemprego e outros já vistos ao longo deste artigo.

Quais são os três pilares da economia?

A política macroeconômica é dividida em três grandes pilares, estabelecidos como uma forma de reger a macroeconomia no Brasil.

São eles:

  1. O controle da inflação do país
  2. Uma taxa de câmbio flutuante
  3. Uma meta fiscal de arrecadação e gastos.

A união das políticas criadas para controlar cada um desses fatores ficou popularmente conhecida como tripé econômico brasileiro.

Falaremos mais sobre ele agora.

O que é o tripé econômico brasileiro?

São as medidas que começaram a ser aplicadas no Brasil em 1999, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, baseadas nos pilares da economia.

Nesse tripé, cada um dos pilares tem uma função macroeconômica diferente.

A meta de inflação, por exemplo, define um limite máximo e mínimo para a taxa.

É um número com o qual o governo deve se comprometer.

A partir dele, o Banco Central vai tomar as decisões necessárias para se manter dentro do limites.

Dessa forma, é esperado que a estabilidade da inflação possa garantir mais investimentos no país, maior geração de atividades produtivas, entre outros fatores.

Já o câmbio flutuante permite que a força da moeda nacional seja regulada em relação às demais moedas pelas leis da oferta e demanda.

E, por fim, a meta fiscal é um objetivo que o governo assume para cumprir com suas receitas e gastos.

Baseando-se nela, são calculados os impostos cobrados e também é definido o quanto de investimento será feito em cada setor.

Sempre que esse objetivo é cumprido, o país ganha mais credibilidade junto aos credores.

E, claro, podendo pegar mais dinheiro emprestado, conseguimos investir mais no nosso desenvolvimento.

O que é um fluxo circular de renda?

O fluxo circular de renda é um modelo da macroeconomia utilizado para explicar como funcionam as trocas econômicas entre famílias e empresas.

Essas trocas acontecem, basicamente, em dois cenários: o mercado de bens e serviços e o mercado de fatores de produção.

No mercado de bens e serviços, as empresas oferecem produtos ou serviços e as famílias gastam dinheiro para consumi-los.

Já no mercado de fatores de produção, as famílias oferecem suas propriedades ou mão de obra para as empresas, que vão investir seu capital para contratá-las.

Ou seja, podemos ver que há um ciclo acontecendo, tanto de dinheiro que circula, na forma de consumo e pagamento de salários, quanto de produção, na forma de produtos ou mão de obra.

Por isso, o nome de fluxo circular de renda.

Qual a diferença entre micro e macroeconomia?

Dois bonecos de homens, feitos com massa de modelar, em cima de uma nota de dólar
Qual a diferença entre micro e macroeconomia?

Você sabia que “o que é macroeconomia e microeconomia” é um dos termos mais procurados no Google para tentar entender essas duas forças da economia?

Agora que você já viu a definição de macroeconomia, vamos entender a outra parte dessa equação.

Microeconomia

Ela estuda a formação dos preços no mercado e, por isso, é chamada de Teoria dos Preços.

Essa ciência analisa qual é o preço das coisas, a quantidade de disponibilidade dos produtos em mercados específicos e como estão os fatores de produção, como lucro e salário, nesses mercados.

Macroeconomia x microeconomia

Enquanto a macroeconomia olha para variáveis que afetam a economia de um país, a microeconomia atua mais no dia a dia das empresas e consumidores.

São dois olhares sobre um mesmo aspecto: a macroeconomia vai estudar as tendências mais abrangentes, que são criadas a partir dos movimentos que surgem na microeconomia.

Os fatores analisados pela microeconomia se dão em menor escala e são relacionados à tomada de decisão de compra pela parte dos indivíduos, além das decisões de mercado por parte das empresas.

A lei da oferta e demanda é um bom exemplo de variável econômica que a microeconomia presta atenção.

Já a macroeconomia está mais no nível do comportamento e desenvolvimento de setores econômicos, então, vai se preocupar com fatores como juros, inflação, dívida externa e câmbio.

O que é inflação na macroeconomia?

Já falamos acima como o controle inflacionário é um dos objetivos da macroeconomia e sobre as consequências que a inflação tem para um país.

Porém, você sabe o que é inflação?

A inflação pode ser identificada pelo aumento contínuo dos preços de produtos e serviços.

Por isso, ela segue as leis de oferta e demanda.

Tipos de inflação

A inflação pode ser causada por um aumento no poder aquisitivo da população, que passa a demandar mais produtos do que são produzidos.

Essa seria uma inflação por demanda.

Outra causa aponta para um aumento nos custos de produção, que fazem com que a produção caia.

Com isso, teremos as mesmas pessoas buscando uma oferta menor de produtos, daí o preço deles também sobe.

É o caso conhecido como inflação de custos.

Por fim, existe a inflação inercial, que é quando os vendedores continuam aumentando os preços porque se acostumaram a períodos prolongados de inflação por demanda ou por custo.

Medindo a inflação

Para medir a inflação, a Pesquisa de Orçamento Familiar, realizada pelo IBGE, determina o que seria uma cesta de consumo média para uma família.

Em seguida, é calculado quanto dinheiro seria gasto para comprar essa cesta.

Esse mesmo cálculo é feito em vários períodos e, assim, os índices inflacionários vão medir a variação encontrada entre eles.

Por fim, baseado nessa variação, são tomadas decisões estratégicas e definidas as metas da inflação.

Alguns índices avaliados na macroeconomia no Brasil são:

  • IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo)
  • IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado)
  • INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor)..

Qual a importância do estudo da macroeconomia?

A macroeconomia oferece uma visão geral do patamar econômico do país, tanto para dentro da sua realidade quanto diante de outros países do mesmo grau de desenvolvimento.

Com um olhar tão amplo, o governo ganha a possibilidade de antecipar os movimentos do mercado, tanto nacional quanto internacional.

Dessa forma, pode agir e reagir de forma mais rápida, especialmente no sentido de evitar crises ou aproveitar oportunidades.

Além disso, as metas da macroeconomia são grandes promotores de estabilidade e qualidade de vida para a população como um todo.

Só para dar um exemplo, a garantia do pleno emprego fomenta o consumo e aquece a economia, levando a um cenário geral de bem-estar e tranquilidade.

Uma vez alcançado esse bem-estar na sociedade, é possível focar os esforços nacionais em outras necessidades, como promover um crescimento industrial, planejar medidas de longo prazo para o futuro ou planejar como corrigir problemas em áreas que ainda estão deficitárias.

Quais os principais desafios da macroeconomia?

Desenho do globo terrestre, gráficos, notas e moedas de dinheiro
Quais os principais desafios da macroeconomia?

Atualmente, o maior desafio da macroeconomia no Brasil é encontrar uma maneira de reagir à desaceleração do nosso crescimento.

Sobre isso, vale conferir o que diz Antonio Corrêa de Lacerda ao site da Abemi, a Associação Brasileira de Engenharia Industrial.

Lacerda que é doutor em economia e professor do programa de pós-graduação em economia da PUC-SP, explica que o grande problema é conseguir criar e implementar um plano de desenvolvimento de curto prazo para reagir à recessão econômica.

E já que há empresas saindo do país por medo dos riscos de investir aqui em um cenário de instabilidade, o ideal é que seja pensado como trazê-las de volta.

Para isso, seria necessário desenvolver a indústria nacional, além de investir em ciência, tecnologia e inovação.

Como a macroeconomia impacta na sua vida?

As decisões macroeconômicas podem afetar diretamente no dia a dia das famílias.

Pense, por exemplo, na tranquilidade de saber que o seu emprego não corre riscos.

Uma política de promoção de empregos, que visa alcançar o pleno emprego na sociedade, faz com que o trabalhador desenvolva a sua atividade sem medo do amanhã.

Afinal, ele sabe que, caso seja demitido, logo conseguirá uma recolocação no mercado de trabalho.

Como consequência, oferece também mais chances de fazer planos para o futuro, como aquela viagem de férias que você sempre quis fazer, por exemplo.

Já o controle inflacionário é um elemento importante para evitar que haja uma redução dos investimentos e na produção do país.

E sabe o que essa redução poderia trazer?

Diminuição dos postos de trabalho e aumento do desemprego.

Ou seja, ele é fundamental para garantir a estabilidade financeira das famílias, que precisam pagar aluguel, escola e alimentação, entre outros compromissos mensais.

Com poder de compra, os consumidores têm acesso a bens e serviços que tornam o dia a dia mais agradável e trazem mais qualidade de vida para a sua rotina.

Como a macroeconomia afeta as empresas?

macroeconomia - Lupa em papel de planilha de gráficos.
Como a macroeconomia afeta as empresas?

Por melhor que sejam as decisões tomadas por empresa, nada depende apenas do seu corpo de analistas: o mercado afeta os negócios, não tem jeito.

E a macroeconomia afeta os mercados.

Observando como caminha a macroeconomia no Brasil, é possível saber, por exemplo, se a tendência é aumentar o custo da matéria-prima dos produtos por conta de inflação, o que impacta no caixa.

É possível também saber se haverá profissionais suficientes para atender o seu setor ou se os salários ficarão mais altos, já que a oferta de trabalhadores da área está escassa.

Na questão do consumidor, é possível prever se irá haver um declínio na receita por conta de restrição do consumo, decorrente de uma alta no desemprego, por exemplo.

Já em quesitos mais amplos, será possível avaliar se o país está em um momento de crescimento da economia, bom para investir e expandir os seus negócios.

Ou seja, o acompanhamento da macroeconomia permite ao gestor tomar decisões estratégicas para o futuro da empresa, e fazer isso de forma mais embasada e com uma visão mais ampla do mercado.

Conclusão

Apesar de parecer distante da realidade das empresas e das famílias, já que é algo decidido em um nível elevado do governo, a macroeconomia impacta o dia a dia de toda a sociedade e precisa ser discutida por todos.

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