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Pirâmide de Maslow: o que é e qual a hierarquia de necessidades

Pessoas sentadas em uma mesa, com uma piramide desenhada.

Já ouviu falar sobre a Pirâmide de Maslow? Acreditamos que sim.

Mas sabe como ela pode ajudar você no dia a dia?

O estudo da motivação, como tal, é pautado por teorias tomadas como referência seja no meio acadêmico, empresarial ou na psicologia aplicada.

A Pirâmide de Maslow é uma delas, em função da forma esquemática e simples com que se propõe a discutir os principais motivadores humanos.

Contudo, talvez o que mais chame a atenção para essa teoria não seja propriamente a sua consistência.

Quem concluiu ou está cursando uma disciplina na área de Humanas ou de Ciências da Saúde, cedo ou tarde, vai entrar em contato com a célebre pirâmide.

Da mesma forma que sua citação é certa nesses cursos, é também fato que não há professor que não acrescente um “mas…” à sua apresentação.

Talvez essa certa indefinição ajude a explicar por que a tese ainda desperta muita curiosidade em faculdades e cursos mundo afora.

Seja como for, vale a pena se aprofundar nos conceitos por ela estabelecidos, afinal, no campo das ideias, é inegável o seu valor.

Por isso, você é nosso convidado para avançar nesta jornada em que conheceremos mais a fundo os bastidores da teoria sobre motivação mais famosa do mundo.

Preparado? Então, vá em frente e tenha uma ótima leitura!

O que é a Pirâmide de Maslow?

A Pirâmide de Maslow não é bem apenas uma representação gráfica.

Ela é resultado das duas principais obras de Abraham Harold Maslow, psicólogo norte-americano de formação humanista que se dedicou a entender o comportamento humano.

Assim, a pirâmide é concebida a partir de dois livros seminais desse grande autor “A Teoria da Motivação Humana” e ”Motivação e Personalidade”.

Muitas inferências que poderiam ser feitas a partir da leitura dessas obras explicariam satisfatoriamente como a pirâmide se justifica e se encaixa no contexto social.

Por exemplo, pode-se dizer que uma necessidade ativa pode ser tomada como um estímulo à ação e, portanto, impulsionadora das atividades de uma pessoa.

Dessa forma, uma ou mais necessidades são determinantes para definir o que é importante para um indivíduo, moldando, assim, o seu comportamento, seu modo de pensar e agir.

É por isso que a Pirâmide de Maslow é também conhecida como teoria da motivação humana ou hierarquia das necessidades de Maslow.

Trata-se de uma segmentação hierárquica, na qual o comportamento humano pode ser compreendido a partir da satisfação de certas necessidades.

Essas necessidades estão dispostas em categorias prioritárias. Sendo assim, temos aquelas que devem ser atendidas em primeiro lugar, até chegar às mais sofisticadas.

Quem foi Abraham Maslow?

Abraham Harold Maslow nasceu em 1º de abril de 1908, em Nova Iorque. Judeu, era o mais velho de outros sete irmãos, tendo passado a infância e juventude no Brooklyn.

Maslow desenvolveu um importante trabalho no célebre MIT, o Instituto de Tecnologia de Massachussets, onde fundou o centro de pesquisa National Laboratories for Group Dynamics.

Contudo, sua formação foi concluída na University of Wisconsin-Madison, para onde se transferiu depois de não se adaptar à Universidade de Cornell.

Em 1943, ele viria a publicar aquela que seria a base da pirâmide que leva seu nome, o livro “A Teoria da Motivação Humana

Evidenciando sua forte inclinação para compreender as motivações do homem, ele desenvolveria, já em 1946, um estudo no qual buscou entender as causas dos conflitos.

Como grupos-teste, foram escolhidos membros das comunidades judaica e negra em Connecticut.

A propósito, o estado é até hoje um dos principais centros de pesquisa sobre racismo dos Estados Unidos.

Voltando a Maslow, nesse estudo, ele viria a concluir que reunir grupos servia como um “alerta” para detectar potenciais áreas de conflitos.

Ou seja, desde cedo, ele evidenciaria sua obstinação em entender o que leva as pessoas a serem como são e a agir do jeito que agem.

Qual o objetivo da Pirâmide de Maslow?

Desenho da Pirâmide de Maslow?
Qual o objetivo da Pirâmide de Maslow?

Na sequência da sua carreira, Maslow publicaria, em 1954, a obra que deu forma final à sua teoria da motivação, o livro “Motivação e Personalidade”.

Vale, inclusive, destacar o prefácio da obra na sua edição em 1970, na qual Maslow diz:

“Quando este livro apareceu em 1954, foi essencialmente um esforço para construir uma teoria tomando como base as teorias existentes sobre psicologia ao invés de refutá-las ou construir uma teoria rival. Tentou-se ampliar nossa concepção sobre a personalidade humana, alcançando os mais altos níveis de sua natureza”.

Isso indica a linha humanista adotada por Maslow ao longo de sua carreira, segundo a qual ele buscou introduzir em suas obras elementos como espiritualidade e o modelo psicoterápico Gestalt.

De certa forma, esses elementos ajudam a entender o caráter generalista da própria pirâmide.

Isso também pode ser entendido no prefácio da edição de 1970, em que Maslow dá uma espécie de dica:

“(…)e se eu tivesse que condensar a tese deste livro em uma única sentença(…)”

Além disso, ele evidencia uma abordagem voltada à compreensão da motivação e comportamento humano em seus aspectos mais elevados.

Tanto é assim que o primeiro título concebido para a obra que dá origem à pirâmide era “Os Tetos Mais Altos da Natureza Humana”.

Sendo assim, o objetivo ao criar a pirâmide das necessidades poderia ser descrito como a formação de uma teoria geral do comportamento.

Essa teoria, por sua vez, se desenvolve a partir do estudo da motivação e satisfação das necessidades em níveis hierárquicos até chegar aos “tetos mais altos”.

Hierarquia de necessidades da Pirâmide de Maslow

Desenho da Pirâmide de Maslow
Hierarquia de necessidades da Pirâmide de Maslow

Com os estudos de Maslow, formou-se uma pirâmide na qual o ser humano só se sentiria plenamente realizado e satisfeito quando cinco categorias de necessidades fossem atendidas.

Na sua base, estão as demandas mais imediatas e ligadas ao funcionamento do organismo, sem as quais não se pode sobreviver.

Garantida a sobrevivência, então, o ser humano pode prosseguir na sua caminhada rumo a escalões mais nobres.

Assim, ele chegaria à compensação de necessidades mais complexas, alcançando então os níveis mais altos de desenvolvimento pessoal.

Veja agora quais são essas categorias e como elas se relacionam entre si.

Necessidades fisiológicas

A Pirâmide de Maslow se assenta nas chamadas necessidades homeostáticas, explicadas no capítulo 4 da Teoria da Motivação Humana.

Elas têm o objetivo de promover a manutenção do equilíbrio orgânico, regulando os níveis de sais minerais, água, açúcar e todas as substâncias indispensáveis ao funcionamento dos sistemas corporais.

São, portanto, o ponto de partida do modelo da Hierarquia das Necessidades de Maslow.

Aplicada ao contexto empresarial, servem como referência para implementar ações no sentido de motivar equipes e pessoas.

Afinal, um empregado com fome ou sede não pode de forma alguma se sentir motivado para trabalhar, certo?

Segundo a teoria das necessidades, a satisfação dessas demandas orgânicas é determinante para o comportamento humano.

Quando não atendidas, podem se manifestar comportamentos destrutivos, ou seja, desaparecem outros tipos de necessidades mais sofisticadas ou ligadas ao contexto social.

O interessante nesse nível básico, entretanto, é que as necessidades nela inscritas são, em geral, multideterminadas. Em outras palavras, a partir delas, outras necessidades devem ser satisfeitas.

Necessidades de segurança

Uma vez satisfeitas as necessidades mais básicas, surgiria, então, um outro tipo de necessidade, a de se sentir seguro e protegido.

Essa segurança, por sua vez, se desdobra em diversos níveis, como o financeiro, alimentar e a própria segurança física.

Assim sendo, é uma necessidade que está vinculada com a existência de leis e regras que impõem ordem ao tecido social.

A não satisfação das necessidades de segurança geram percepções e sentimentos negativos, com destaque para o medo.

Esse medo, em geral, gera imobilismo, afinal, a insegurança anda de mãos dadas com a incerteza.

Quando não estamos certos do que vamos encontrar, a tendência natural é permanecer onde estamos.

Alguns exemplos de comportamentos e sentimentos que evidenciam que as necessidades de segurança não estão satisfeitas:

  • Deixar de frequentar lugares porque são considerados perigosos
  • Reclamações quanto às condições ou estrutura de trabalho
  • Conflitos domésticos causados pela falta de recursos e dinheiro
  • Impotência diante de assédio moral no trabalho ou mesmo na rua.

Logo, para avançar ao terceiro “andar” da Pirâmide de Maslow, é preciso conquistar a segurança em diferentes níveis de existência material e subjetiva.

Só assim, o ser humano revela a sua natureza social, explorada por outros pesquisadores e teóricos de humanidades.

Necessidades sociais

Um dos princípios elementares da sociologia diz que o homem é um ser gregário, portanto, vive em sociedade.

Contudo, essa existência social deve partir de pressupostos individuais básicos. Entre eles, estão a satisfação das necessidades já destacadas de segurança e equilíbrio homeostático.

Essas são as bases para o atendimento à terceira necessidade fundamental da Pirâmide de Maslow: a de se relacionar com pessoas.

Nesse sentido, tudo começa com o relacionamento com os mais próximos, os pais.

Satisfeita, ela serviria como base para a motivação de conseguir companhia e, em última análise, a de gerar filhos.

São desdobramentos, por assim dizer, de uma outra necessidade social, a de afiliação, materializada no ato de receber e dar afeto.

Deve-se destacar que os tipos de relacionamento mais valorizados são compatíveis com a faixa etária ou o nível de desenvolvimento individual.

Assim, a necessidade de se relacionar com os pais é maior na infância, e a de ter companhia, na fase adulta.

É também contemplada nessa categoria de necessidades a de se relacionar com grupos. Vizinhos, colegas de escola e de trabalho contribuem para a sua satisfação.

Problemas de relacionamento, por sua vez, podem desencadear comportamentos como a tendência de se isolar ou mesmo psicopatias, das mais leves às mais graves e perturbadoras.

No entanto, quando há satisfação no terceiro nível da pirâmide, temos então as condições necessárias para avançar ao seu penúltimo estágio.

Necessidades de estima

Quando o ser humano está fisiologicamente satisfeito, sente-se seguro em todos os aspectos e tem um vida social saudável, está em vias de elevar sua autoestima.

Essa é uma necessidade ligada à percepção de que outras pessoas reconhecem nossas qualidades pessoais, profissionais e as valorizam como tais.

Têm a ver, nesse sentido, com a sensação de se sentir prestigiado, acolhido e senhor ou senhora de uma boa reputação.

No âmbito pessoal, tem relação com a necessidade de se perceber como independente em relação ao meio que o cerca.

Isso traria, então, o sentimento de que somos realmente apreciados, respeitados e detentores de algum poder.

Já no meio profissional, a necessidade de estima está ligada à motivação para ser bom em uma determinada atividade ou área de atuação.

Uma pessoa com baixa autoestima, portanto, não se sente reconhecida e valorizada por outros.

Em contrapartida, quem tem esta necessidade satisfeita está preparado para satisfazer o mais alto grau das necessidades humanas, segundo Maslow.

Necessidades de realização pessoal

No último nível de realização, o ser humano pode ser definido como relata Maslow no capítulo 11 de “Motivação e Personalidade”:

“Em pessoas saudáveis, essas dicotomias foram resolvidas, as polaridades desapareceram e muitas oposições consideradas intrínsecas fundiram-se e se aglutinaram entre si para formar unidades.”

Nessa parte da pirâmide, somos capazes de aceitar as coisas como são, não aderir a preconceitos, desenvolver a criatividade e espontaneidade, além de agir conforme preceitos morais.

Dessa forma, torna-se possível desenvolver todo o potencial para determinadas atividades, habilidades ou uma profissão.

É onde o homem consegue de fato ser o que é, sem máscaras ou crenças limitantes.

As necessidades de realização pessoal, portanto, são aquelas relacionadas ao próprio desenvolvimento como pessoa ou profissional.

Diversas atividades e práticas podem contribuir no sentido de sua satisfação.

Seja um curso acadêmico ou a introdução na prática religiosa, tudo que tenha como meta o autodesenvolvimento é válido.

Críticas à teoria de Maslow

Desenho da Pirâmide de Maslow
Críticas à teoria de Maslow

Toda teoria, cedo ou tarde, acaba por ser contestada ou mesmo ter agregadas as contribuições de outros pensadores.

Até a psicanálise de Freud, por mais consagrada que seja, foi e é alvo de críticas.

Trata-se de um processo normal e até salutar de desenvolvimento da ciência.

Afinal, se tem algo que não existe é verdade absoluta.

Dito isso, cabe destacar algumas das contestações que se fazem à teoria de Maslow em seus aspectos mais práticos e alguns conceituais.

Falta de provas científicas

Embora ambas as obras de Abraham Maslow sejam trabalhos acadêmicos e, portanto, construídos com base em rígidos padrões de pesquisa, restam lacunas a serem preenchidas.

Por isso, o que se diz sobre a pirâmide é que não há evidências suficientes que comprovem que a satisfação das necessidades depende da sequência proposta.

Empiricamente, é fato que há exemplos de pessoas que sacrificam necessidades mais básicas em nome de aspirações ou desejos mais elevados.

É o caso, por exemplo, dos indivíduos que se privam de sono ou de diversão para obter aprovação em concurso ou mesmo um upgrade na carreira, fazendo uma faculdade ou pós-graduação.

Há dúvidas sobre a hierarquia

Diante da falta de provas mais contundentes ou inquestionáveis, surgem dúvidas sobre a aplicabilidade da hierarquia no contexto clínico ou social.

Há até trabalhos acadêmicos que colocam em xeque a teoria da motivação, como o artigo “Maslow reconsidered: A review of research on the need hierarchy theory”.

Publicado em 1971, tem como autores os pesquisadores Lawrence Bridwell e Mahmoud Wahba e seu ponto central consiste na relação pouco provável entre as necessidades.

Aplicando a Pirâmide de Maslow no trabalho

Desenho da Pirâmide de Maslow
Aplicando a Pirâmide de Maslow no trabalho

De qualquer forma, ter sobrevivido por mais de meio século às críticas não deixa de ser uma prova de que a pirâmide tem o seu valor.

Ademais, ser criticada e contestada não significa que seu conteúdo seja totalmente inválido.

Não por acaso, os conceitos defendidos por Maslow servem ainda como base para que empresas desenvolvam ações e estratégias motivacionais.

Transposta para o ambiente corporativo e laboral, a Teoria da Motivação pode servir como base na definição de métodos e orientar decisões de gestores e líderes.

Por exemplo, ao definir ações com objetivos de motivar, é possível partir de Maslow para avaliar se os colaboradores têm necessidades mais imediatas atendidas.

Seria o caso de uma empresa que decidisse fazer um grande evento corporativo com os salários atrasados. Sem uma necessidade básica satisfeita, o efeito de uma ação assim poderia até ser o oposto do desejado, ou seja, menos motivação ainda.

A Pirâmide de Maslow é recomendada porque, a partir dela, é possível identificar pontos de insatisfação mais básicos a serem trabalhados até chegar aos mais altos.

Teorias complementares ou relacionadas

É válido ainda citar rapidamente duas teorias apontadas como complementares à da motivação.

A primeira delas é, de certa forma, polêmica.

Teorias de motivação X e Y

Segundo a teoria de motivação X e Y, criada por Douglas McGregor, há dois tipos de trabalhador: os que são avessos ao trabalho e aqueles que o desempenham com naturalidade e sem esforço.

Cada grupo, portanto, deve ser motivado por mecanismos e estratégias adequadas ao seu grau de desenvolvimento.

Teoria dos dois fatores

Por sua vez, a teoria desenvolvida por Frederick Herzberg diz que a motivação deve ser avaliada por dois fatores distintos.

Um é o fator intrínseco, ou seja, o conjunto de aspirações e valores individuais que não dependem do meio externo e, portanto, são controlados individualmente.

Portanto, o outro fator, o extrínseco, diz respeito às condições ambientais, relacionais e de infraestrutura que afetam a motivação para o trabalho.

Conclusão

Neste artigo, você teve contato com uma das teorias mais consagradas da psicologia e desenvolvimento humano.

A Pirâmide de Maslow é ainda amplamente utilizada como referência por empresas e acadêmicos na aplicação de ações motivacionais e no estudo dessa matéria.

Esperamos que o conhecimento que acaba de assimilar seja útil em sua jornada e, porque não dizer, o deixe ainda mais motivado para os próximos desafios.

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