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Saúde ocupacional: veja o que é e quem são os profissionais da área

médica atendendo uma paciente

A saúde ocupacional tem ganho cada vez mais espaço nas organizações. E não é para menos.

Afinal, já faz algum tempo que o colaborador deixou de ser visto apenas como mais uma engrenagem qualquer dentro do todo.

Na visão de empresas modernas, ele assumiu um patamar de um verdadeiro capital intelectual, participando ativamente da rotina produtiva e até mesmo das tomadas de decisões.

Mas para que os colaboradores possam exercer esse papel tão importante, eles precisam estar dispostos, motivados, com a qualidade de vida em dia e, sobretudo, saudáveis.

E é justamente aí que entra a saúde ocupacional, que compreende um conjunto de ações com foco no trabalhador.

Ao longo deste artigo, vamos explicar o conceito e seus objetivos, apresentar um panorama do setor no país, destacar as principais iniciativas envolvidas e também abordar questões relacionadas à carreira e mercado de trabalho na área.

Interessado? Então, fique conosco e boa leitura!

O que é saúde ocupacional?

Saúde ocupacional é uma área que lida especificamente com o bem-estar e a qualidade de vida do colaborador no desempenho da sua função profissional.

Formada por uma equipe multidisciplinar, composta por médicos, enfermeiros e auxiliares, tem como objetivo desenvolver ações para que o ambiente de trabalho se mantenha seguro e saudável.

Aliás, não é apenas uma questão pontual, relacionada ao ambiente, mas uma preocupação que aparece na própria cultura organizacional de empresas que valorizam o seu bem de maior valor.

Além disso, o setor também é responsável pela realização de exames admissionais e demissionais dentro da empresa.

Para que serve a saúde ocupacional?

saúde ocupacional, médica atendendo paciente.
Para que serve a saúde ocupacional?

Colaboradores saudáveis, motivados e que se sentem seguros produzem mais e melhor.

O aumento na produtividade chega a 12%, segundo pesquisa da Gallup.

E para atingir esse patamar, a saúde ocupacional exerce um papel fundamental.

Afinal, é ela uma das principais responsáveis pela prevenção de doenças laborais e adoção de cuidados a fim de evitar acidentes no trabalho.

Mais à frente, vamos detalhar as medidas que a saúde ocupacional pode tomar no sentido de melhorar a qualidade de vida dos colaboradores.

Saúde ocupacional no Brasil

A saúde ocupacional no Brasil é um setor que não para de crescer.

Segundo o levantamento “Anuário de Saúde do Trabalhador”, publicado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a área da saúde voltada ao bem-estar dos colaboradores cresceu cerca de 9,2% ao ano nos dez anos que antecederam a pesquisa.

Ainda de acordo com o relatório do Dieese, nesse mesmo período, o número de profissionais registrados na área também aumentou, passando de 57.867 para 139.652.

Outro indicador importante que nos ajuda a entender a importância do desenvolvimento de medidas que promovam a saúde ocupacional é o número de acidentes de trabalho, acidentes de trajeto e doenças ocupacionais no país.

Conforme estudo divulgado pela Secretaria da Previdência e o Ministério da Fazenda, nos últimos dez anos, foram registrados, no Brasil, 16.455 mortes e 4.5 milhões acidentes de trabalho.

Diante desse panorama, os números retratam uma tendência: as empresas passaram a se dar conta que, para atingir os resultados pretendidos, é preciso investir no bem-estar dos seus empregados.

E os profissionais da saúde, por sua vez, viram no setor ocupacional uma carreira promissora, em que existe uma demanda grande de especialistas a ser preenchida.

Saúde ocupacional e medicina do trabalho

Saúde ocupacional, capacete, luva, protetor auricular e óculos de proteção, em cima de uma mesa.
Saúde ocupacional e medicina do trabalho

Muitas pessoas confundem saúde ocupacional e medicina do trabalho.

Apesar de ambas estratégias se preocuparem com o bem-estar dos colaboradores dentro de seus ambientes laborais, elas possuem diferenças.

A primeira delas é histórica. A medicina do trabalho nasceu na Inglaterra, no século XIX, durante a Revolução Industrial.

O seu surgimento tem a ver com as jornadas exaustivas de mais de 12 horas de trabalho às quais os empregados eram submetidos.

Esse regime intenso provocava problemas de saúde diversos e, então, se percebeu que, com aquele ritmo, logo, o sistema econômico se tornaria impraticável.

Já a saúde ocupacional surgiria depois, já no século XX.

Com a intensificação das atividades fabris, no pós-guerra, os médicos, sozinhos, não conseguiam mais dar conta de toda a demanda. E, então passaram a receber o suporte de uma equipe multidisciplinar.

No Brasil, no entanto, o processo se deu de forma bem mais tardia.

Somente na década de 1970 é que se tornou obrigatória a presença de profissionais da saúde ocupacional nos locais de trabalho.

Portanto, de maneira prática, podemos dizer que a medicina do trabalho foi um embrião do conceito de saúde ocupacional.

Hoje em dia, os médicos, junto com outros profissionais, compõem a equipe multidisciplinar que atua no ambiente de trabalho, prezando pela saúde, segurança e bem-estar dos colaboradores.

Ações de saúde ocupacional

Saúde ocupacional, médica em pé, segurando uma prancheta
Ações de saúde ocupacional

Para que você possa entender com mais clareza a atuação dos profissionais que trabalham com saúde ocupacional, separamos algumas medidas possíveis de serem realizadas por eles dentro do contexto organizacional.

Confira!

Ergonomia

A ergonomia é um fator que está ligado diretamente com a saúde ocupacional.

Quando os colaboradores trabalham em um espaço bem idealizado, pensando no conforto dos profissionais, as chances de ocorrer algum problema de saúde diminuem.

Por exemplo, imagine uma equipe passa 90% do tempo em sua rotina sentada.

Se ela não tiver cadeiras ergonômicas, nem mesas que fiquem na altura correta, é bem possível que sofra com dores nas costas ou dificuldades com relação à postura.

O mesmo vale para aqueles profissionais que precisam levantar muito peso, em trabalhos de grande exigência física, como na construção civil.

Se eles não receberem orientações posturais, tendem a sofrer com problemas de coluna logo ali na frente.

Portanto cabe à equipe de saúde ocupacional dar o suporte necessário para prevenir riscos e promover um ambiente mais ergonomicamente correto.

Ginástica laboral

Você pode ter um espaço super ergonômico, mas, mesmo assim, devido a intensidade e a repetição das atividades de rotina, podem ocorrer problemas.

Por isso, é fundamental que existam pequenos intervalos durante o expediente para que os colaboradores possam relaxar, se alongar e fazer exercícios de respiração e fortalecimento da musculatura.

E é aí que entra a ginástica laboral.

A equipe multidisciplinar, junto às lideranças, deve estabelecer um cronograma a ser cumprido.

O ideal é que um profissional fique responsável por realizar os exercícios e que a frequência seja de, pelo menos, duas vezes por semana.

A ginástica laboral não ajuda somente a prevenir e tratar problemas articulares e musculares, mas também transtornos emocionais, como a ansiedade, por exemplo.

Semana Interna de Prevenção de Acidentes de Trabalho (Sipat)

A Sipat é uma iniciativa bastante comum dentro das empresas e também uma das principais responsabilidades dos membros da equipe da saúde ocupacional.

O evento deve acontecer, pelo menos, uma vez ao ano.

Consiste em uma ótima oportunidade para conscientizar os colaboradores da importância de seguirem as diretrizes de prevenção de acidentes.

Ações simples, como usar o equipamento de proteção adequado, evitar o contato direto com substâncias químicas e/ou tóxicas, entre outras orientações de segurança, fazem toda a diferença para preservar a integridade dos trabalhadores.

Nunca é demais lembrar que os acidentes de trabalho também são considerados doenças.

Portanto, não há distinção de uma lesão por esforço repetitivo de uma queda que resultou em um braço quebrado.

Os profissionais que fazem parte da junta de saúde ocupacional devem estimular medidas preventivas para diminuir a incidência de acidentes/doenças.

Promoção de uma alimentação saudável

Ter uma alimentação balanceada é um dos preceitos básicos para manter a saúde em dia.

Não é à toa, que muitas doenças são decorrentes de uma dieta nada equilibrada, como diabetes e hipertensão, por exemplo – as quais podem, inclusive, se transformar em problemas crônicos.

Por isso, a nutrição também deve ser uma preocupação da equipe de saúde ocupacional.

Especialmente naquelas empresas que possuem refeitório, uma dieta rica em nutrientes precisa ser servida aos colaboradores.

Isso quer dizer que as organizações que não oferecem alimentação aos seus funcionários pode deixar tudo por conta dos empregados? Não, nada disso.

Nesses casos, uma orientação nutricional é o melhor caminho.

Quando o profissional se alimenta de forma saudável, ele não está apenas evitando doenças ocupacionais, mas investindo em sua qualidade de vida, o que se reflete positivamente no seu rendimento.

Campanhas de vacinação

Não é toda empresa que realiza campanhas periódicas de vacinação, até porque não é uma medida obrigatória, mas ainda assim muito válida.

Por isso, se você investir em ações de imunização, esse pode ser o grande diferencial da sua empresa, mostrando que prioriza a saúde dos seus funcionários.

Medidas como essa são ainda mais valiosas em área endêmicas ou que estão passando por algum surto momentâneo.

Assim, você diminui os riscos de contaminação, não tem abalos no seu setor produtivo e ainda, de quebra, garante a motivação da sua equipe por oferecer mais essa atenção especial.

Incentivo a realização de checkups e exames periódicos

A empresa é obrigada a realizar exames médicos periódicos, segundo a Norma Regulamentadora N° 7.

No entanto, ainda que cumpra o decreto, é difícil conseguir acompanhar tudo de perto. Afinal, existem algumas doenças silenciosas que podem demorar a apresentar os primeiros sintomas e não serem diagnosticadas durante o checkup.

Por isso, a equipe multidisciplinar de saúde ocupacional precisa também incentivar a realização de exames periódicos, sobretudo, aquelas empresas que oferecem plano de saúde.

Ou seja, como podemos ver, a atuação dos profissionais ocupacionais não se restringe apenas ao ambiente de trabalho.

Até porque, quando se ampliam as fronteiras no cuidado com a saúde, para além das empresas, o próprio colaborador se conscientiza que a preocupação com o seu bem-estar deve estar presente sempre.

Profissões da saúde ocupacional

saúde ocupacional, Mulher em pé segurando uma prancheta
Profissões da saúde ocupacional

Como já destacamos, uma equipe multidisciplinar de saúde ocupacional é compostas por profissionais de diferentes áreas, como médicos, enfermeiros e auxiliares de enfermagem do trabalho.

Agora, vamos conhecer quais são as atribuições de cada um desses grupos.

Médicos do Trabalho

É a principal autoridade dentro da equipe e é responsável por realizar, entre outras funções, as seguintes:

  • Realizar exames admissionais, periódicos e demissionais
  • Redigir atestados médicos dos resultados dos exames
  • Pôr em prática o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) e o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA), obrigações previstas na Norma Regulamentadora N° 7
  • Desenvolver ações preventivas para garantir o bem-estar dos colaboradores
  • Avaliar potenciais riscos à saúde física e emocional dos colaboradores

Enfermeiros do Trabalho

Profissional de formação superior, o enfermeiro ingressou como membro da saúde ocupacional em 1975, através da portaria n.º 3.460 do Ministério do Trabalho.

Possui como principais atribuições as seguintes:

  • Presta primeiros socorros em caso de necessidade
  • Analisa as condições sanitárias, de segurança e de periculosidade da empresa
  • Pesquisa e levanta dados estatísticos sobre acidentes de trabalho e doenças laborais
  • Administra medicamentos e tratamentos sob a supervisão do médico do trabalho
  • Realiza campanhas de prevenção de acidentes.

Auxiliar de enfermagem do Trabalho

Começou a fazer parte da equipe multidisciplinar da saúde ocupacional em 1972, através da portaria nº 3.237 do Ministério do Trabalho.

O auxiliar de enfermagem oferece suporte ao demais profissionais, em especial ao enfermeiro.

Conheça algumas de suas atribuições:

  • Faz curativos e demais cuidados ambulatoriais aos colaboradores
  • Realiza visitas domiciliares e hospitalares aos colaboradores que sofreram algum acidente de trabalho
  • Preenche relatórios das atividades dos médicos e enfermeiros do trabalho
  • Auxilia na realização de exames
  • Ajuda no desenvolvimento de campanhas de prevenção de acidentes.

Doenças ocupacionais na área da saúde

Ao longo de todo o artigo, destacamos que o principal objetivo dos profissionais que atuam na equipe multidisciplinar da saúde ocupacional é evitar doenças e acidentes ligados ao trabalho.

Mas que problemas de saúde seriam esses? É o que vamos descobrir agora:

Lesão por esforço repetitivo (LER)

É, sem dúvidas, uma das incidências mais comuns quando falamos de doenças ocupacionais.

A LER, como o próprio nome já diz, se desenvolve quando realizamos um exercício repetidas vezes e de forma prolongada.

Um bom exemplo é o da pessoa que passa horas e horas na frente de um computador sem os cuidados necessários com a ergonomia.

Se não tratada ou diagnosticada a tempo, a LER pode, inclusive, levar à aposentadoria por invalidez.

Isso acontece porque, aos poucos, essa condição vai comprometendo a estrutura muscular, o que impacta o desempenho.

Problemas de visão

São ocorrências mais comuns em profissionais que possuem contato com substâncias químicas ou biológicas tóxicas.

Por exemplo, funcionários que trabalham em metalúrgicas ou siderúrgicas são mais suscetíveis a uma doença chamada catarata ocular, que afeta o nosso cristalino.

Isso acontece porque esses trabalhadores são submetidos a exposição a altas temperaturas.

Se não tratada a tempo, a catarata ocular pode levar à cegueira parcial e até total.

Dermatose ocupacional

São aquelas doenças que atacam principalmente a nossa pele e mucosa.

Novamente, aqueles profissionais que estão em contato com produtos tóxicos são os mais propensos a ter esse tipo de intercorrência.

Entre as dermatoses ocupacionais mais comuns, estão as ulcerações, as infecções e o câncer de pele.

Surdez temporária ou definitiva

Quando uma pessoa é submetida a uma exposição aguda e contínua de ruídos, ela tem maior propensão a desenvolver a surdez temporária ou definitiva

Profissionais que trabalham na construção civil, em aeroportos, com música, na operação de maquinários e no setor de mineração representam um grupo de risco.

No entanto, mesmo pessoas que não executam essas atividades específicas, mas compartilham o mesmo ambientes, também estão sujeitas a perda da audição.

Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (Dort)

De alguma forma lembra a LER, mas os distúrbios Dort não são causados apenas pelo efeito repetitivo e prolongado de uma certa atividade, e sim também por sobrecarga de pesos e esforço físico em excesso.

Entre as ocorrências mais comuns, estão as tendinites, bursites, dores crônicas, mialgias e mialgias.

Nenhum profissional está livre de sofrer qualquer distúrbio osteomuscular relacionado ao trabalho, o que justifica ações de prevenção em saúde ocupacional.

Dorsalgias

Popularmente conhecidas como “problemas na coluna”, as dorsalgias não deixam de ser um tipo de Dort. Afinal, as causas são as mesmas.

Mas elas são tão corriqueiras que merecem um tópico próprio.

Quem nunca ouviu falar de hérnia de disco?

Ela é um tipo de dorsalgia e está diretamente ligada à falta de postura adequada para se sentar, levantar peso e ao mau uso da força do tronco.

Síndrome de Burnout

Como lembramos antes, a saúde ocupacional não se preocupa somente com o bem-estar físico o colaborador.

O lado emocional também deve receber toda a atenção dos profissionais.

Isso vale especialmente nos dias de hoje, em que há muita competição e responsabilidades em jogo no ambiente de trabalho.

A Síndrome de Burnout, por exemplo, é um dos transtornos psicossociais mais graves, que se caracteriza pelo estresse demasiado e o total esgotamento físico e emocional da pessoa.

Estresse pós-traumático

É outro exemplo de transtorno mental comum em ambientes profissionais.

Para entender melhor do que se trata, vamos a uma situação hipotética.

Digamos que uma funcionária tenha sofrido assédio moral por parte do seu chefe.

Assim, o impacto foi tão grande que aquilo vira um trauma para ela.

Então, sempre que passar por uma situação semelhante, a experiência anterior surge como um gatilho, trazendo à tona todos os sentimentos ruins vividos à época.

Vale dizer que o trauma em questão pode não ter relação com o trabalho, mas é uma preocupação de saúde ocupacional por afetar o rendimento do colaborador e prejudicar a sua qualidade de vida.

Conclusão

Com a valorização da figura do colaborador, a saúde ocupacional tem ganho cada vez mais espaço no ambiente organizacional.

Afinal, os gestores perceberam que um trabalhador feliz, motivado e saudável produz muito mais e melhor.

Tudo isso gera também novas oportunidades profissionais, sendo a saúde ocupacional um mercado promissor para construir uma carreira.

Se for essa a sua intenção, é preciso se qualificar e investir em conhecimento.

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