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Stricto Sensu: O que significa e qual a diferença para Lato Sensu?

stricto sensu

Você já deve ter ouvido falar em stricto sensu, mas o que a expressão significa?

Para explicar, precisamos abordar o latim.

Embora seja um idioma restrito apenas ao Vaticano, ele deixou todo um legado de expressões e terminologias usadas ainda no século XXI.

No Direito, Medicina e, em especial, no meio acadêmico, há termos sui generis (em latim: “único em seu gênero”), ou seja, aplicáveis para definições muito específicas.

Um deles é justamente o stricto sensu, utilizado tanto no meio jurídico quanto nas universidades.

Por mais que pareça apenas uma simples expressão herdada do latim, entendê-la pode ajudar em aspectos fundamentais para o desenvolvimento de uma carreira.

Em outras palavras, a partir da compreensão de seu significado, é possível definir critérios de escolha para a sequência da vida profissional.

Isso porque, como veremos ao longo deste artigo, existem cursos de formação strictu sensu e outros lato sensu.

Conhecer as diferenças entre eles, portanto, faz toda a diferença em termos de objetivos profissionais e projetos.

Afinal, uma pós-graduação lato sensu não é a mesma coisa que um mestrado stricto sensu.

Ficou confuso para você?

Nossa intenção é justamente mostrar um panorama completo sobre o assunto, o que certamente será útil ao definir as próximas escolhas em seu percurso.

Vá em frente e tenha uma ótima leitura!

O que é stricto sensu?

A tradução direta de stricto sensu, para o português, é “em sentido restrito”.

Aliás, você pode até substituir restrito por sinônimos, como “específico”, “limitado” e “circunscrito”

Todos podem ser empregados na sua tradução.

Sendo assim, ao usar essa expressão, fica evidente a intenção de expressar que o objeto em questão se limita ao seu campo de conhecimento ou de atuação.

É aí que podemos começar a entender melhor como o termo se aplica em diferentes áreas e segmentos profissionais.

Sempre que algo for caracterizado como stricto sensu, estará restrito necessariamente àquela função específica.

No universo acadêmico, por exemplo, esse tipo de definição é necessária, já que a produção de conhecimento deve ser orientada por certas normas.

A primeira delas é saber se um curso se destina a um campo em especial ou se é de formação mais abrangente.

Afinal, um pesquisador em busca de referências tem objetivos diferentes de um graduado que queira se especializar para dar aulas. Percebe a diferença?

O que é formação stricto sensu?

Por isso, se você deseja mesmo se especializar, o ideal é partir para uma formação em sentido restrito.

Nesse tipo de curso, que não engloba os de graduação, você ganha a autonomia acadêmica e intelectual necessária para formar profissionais e desenvolver as suas próprias teorias.

Logo, é indispensável para quem quer ser um verdadeiro especialista no assunto, ou seja, um mestre ou doutor.

A propósito, você sabe por que, no Brasil, advogados também são tratados por “doutor”?

A versão mais conhecida remonta aos tempos do Brasil Colônia. Como não havia escolas de nível superior por aqui, os filhos da população mais abastada seguiam para estudar em Portugal.

Muitos deles, por sinal, se formavam na Universidade de Coimbra.

Nessa instituição, a tradição de sete séculos de história manda que advogados formados em seu curso de Direito sejam chamados de doutor.

Tradição à parte, doutor propriamente dito é todo aquele que conclui um curso de Doutorado.

Junto ao mestrado, essa é uma das pós-graduações do tipo stricto sensu.

Ou seja, nelas, são formados pesquisadores e professores, que podem se dedicar à vida acadêmica ou ingressar no mercado de trabalho.

Esses são os cursos de stricto sensu por excelência.

Suas grades curriculares, métodos e sistemas de ensino são totalmente dedicados a uma área de conhecimento em particular.

Qual a diferença de lato e stricto sensu?

stricto sensu, Imagem de um boneco com quepe de formatura, segurando um diploma
Qual a diferença de lato e stricto sensu?

Enquanto stricto sensu se define como o sentido mais específico de algum tipo de conhecimento, o lato sensu vai em direção contrária.

Logo, sua tradução mais fiel é “em sentido amplo”.

Na prática, os cursos desse tipo funcionam de forma muito parecida com os de stricto sensu.

Como os de mestrado e doutorado, tratam-se de cursos de especialização.

No Brasil, integram a categoria de cursos lato sensu os do tipo Master Business Administration (MBA).

Mais à frente, entenderemos melhor como eles se organizam em termos de carga horária e nível de certificação.

Por agora, basta saber que o ingresso nesses cursos depende de aprovação em processo seletivo por instituição de ensino credenciada pelo MEC, conforme a Lei nº 9.394/1996 em seu Artigo 44, inciso III.

Também são considerados cursos de pós-graduação, portanto, para obter uma vaga é preciso ter concluído um bacharelado ou licenciatura.

Contudo, há diferenças consideráveis entre esses cursos e os do tipo stricto sensu.

Mas antes de nos aprofundarmos nelas, vamos conhecer uma outra aplicação das duas expressões latinas em questão em um segmento fundamental para uma democracia.

O que é lato sensu e stricto sensu no direito?

Além do meio acadêmico, o segmento jurídico também emprega as expressões lato sensu e stricto sensu com frequência.

Nesse caso, ambas são usadas para se referir a atos jurídicos.

Sendo assim, define-se como ato jurídico “lato sensu”, aqueles que decorrem da vontade humana manifestada, pura e simplesmente, que possam gerar efeitos jurídicos previstos ou não.

A adoção, por exemplo, pode ser considerada um ato jurídico lato sensu.

Sua principal consequência é gerar direitos subjetivos, ou seja, aqueles em que é necessária uma contraprestação por parte de outra pessoa.

Já o ato jurídico stricto sensu é aquele que também gera efeitos, desde que estejam previstos pelo ordenamento jurídico.

O reconhecimento de paternidade, nesse aspecto, é um exemplo de ato jurídico stricto sensu.

Isso porque as decisões tomadas por um pai, sejam quais forem, geram consequências previstas em lei.

Contudo, ambas as definições são objeto de debate no meio acadêmico e alvo de estudos que tratam dos conceitos envolvidos.

Por isso, existem muitas teorias sobre os atos jurídicos, que não nos cabe aqui julgar se são ou não verdadeiras.

Qual a diferença do mestrado acadêmico e profissional?

Várias pessoas segurando um diploma
Qual a diferença do mestrado acadêmico e profissional?

Já sabemos que toda pós-graduação que não seja mestrado, nem doutorado, é do tipo lato sensu.

No entanto, os mestrados também se subdividem, conforme a sua aplicação tão logo sejam concluídos.

Por isso, existem os cursos de mestrado acadêmico e profissional.

No primeiro, o foco é o desenvolvimento de novas teorias, conceitos ou o aprofundamento de saberes já consagrados pelo meio acadêmico.

Por sua vez, o mestrado profissional, embora também seja focado em pesquisa, se diferencia pelo enfoque em soluções aplicáveis à sociedade ou ao mercado de trabalho.

Uma pesquisa que tenha como objetivo desenvolver um novo combustível é, nesse sentido, um exemplo de resultado que pode ter como origem uma pesquisa de mestrado profissional.

Enquanto o acadêmico produz efeitos no âmbito do ensino, o profissional pode repercutir fora das universidades nas quais são concebidos.

Portanto, se você busca por um curso stricto sensu que o prepare para o mercado de trabalho, então, prefira o mestrado profissional.

Por outro lado, se você tem fascinação por pesquisa e difundir conhecimento, então, o acadêmico é mais indicado.

Lembre, ainda, que, para o MEC, os títulos se equivalem. Ou seja, não há superioridade de um sobre o outro.

O que é uma especialização stricto sensu?

Possivelmente você já deve ter lido ou ouvido falar de algum curso de especialização stricto sensu, certo?

Embora toda definição possa ser discutida e até redefinida, na verdade, esse termo não é aplicável, pelo menos não da forma como são categorizados hoje os cursos de pós-graduação.

Isso porque, como vimos, cursos stricto sensu são, necessariamente, os de mestrado ou doutorado.

Podem ser chamados de cursos de especialização? Até podem, mas, pelo viés acadêmico, eles não são apenas isso.

Dessa forma, é correto dizer que uma especialização corresponde a cursos de pós-graduação, do tipo MBA.

Também se encontram nesse tipo de curso as residências dos cursos da área da saúde.

Eles são, por definição, cursos lato sensu, ou seja, de formação mais abrangente.

Logo, se você encontrar um curso de especialização, saiba desde já que estará ingressando em uma formação “sentido amplo,”, ok?

O que é currículo stricto sensu?

Colocadas as principais características dos cursos de pós-graduação, cabe perguntar: um currículo stricto sensu vale mais?

“Sim e não” é a resposta que pode ser dada de imediato.

No primeiro caso, um currículo que tenha um mestrado ou doutorado pode ser mais interessante se o objetivo em questão é a vida acadêmica.

Contudo, esse tipo de formação pode não ser a ideal, caso a meta seja a aplicação direta e específica na vida profissional.

Por exemplo, vamos imaginar que você é um executivo de uma grande empresa petrolífera.

Um MBA lato sensu em Petróleo e Finanças, nesse caso, certamente seria mais indicado do que um mestrado acadêmico.

Isso claro, se a intenção for continuar como em executivo. Se a ideia é mudar de ares, aí a coisa muda de figura.

O mais importante é perceber que um currículo stricto sensu é bem recebido pelo meio acadêmico.

Já para a vida profissional, talvez uma formação lato sensu seja mais indicada.

Quais são os tipos de pós stricto sensu?

stricto sensu, Jóvem, usando óculos, trabalhando em um notebook
Quais são os tipos de pós stricto sensu?

Destacamos até agora os mestrados e doutorados como os cursos de pós-graduação stricto sensu por excelência.

No contexto dos mestrados, vimos também que existem os do tipo acadêmico e os profissionais.

Os cursos de doutorado, por sua vez, também tem sua ramificação.

Trata-se do pós-doutorado, que consiste basicamente na continuidade da teoria desenvolvida no doutoramento.

Esse curso, ao contrário de todas as outras modalidades stricto sensu, não confere um título a quem o conclui.

Ou seja, não existe “pós-doutor”. O acadêmico continua sendo doutor, ou PhD, como se diz formalmente.

Dessa forma, podemos listar os tipos de pós-graduação stricto sensu da seguinte forma:

  • Mestrados – acadêmicos e profissionais
  • Doutorados
  • Pós-doutorados.

Seja qual for a opção, o mais importante é considerar seus objetivos em termos de carreira antes de tomar uma decisão.

Pode ser, por exemplo, que você esteja no mercado de trabalho, mas queira ampliar seus horizontes, especializando-se para atuar no meio acadêmico.

Ou, por outro lado, é possível que você tenha vontade de atuar em uma determinada área, mas não tenha encontrado espaço no mercado ainda.

Assim, portar um diploma de mestrado ou doutorado pode ter um impacto maior em seu currículo e influenciar positivamente os recrutadores nas empresas.

Pese os fatores e decida de acordo com suas limitações e aspirações.

Quanto tempo em média demora um curso stricto sensu?

Vale também destacar que esses cursos, conforme as exigências de cada instituição de ensino e de acordo com o MEC, têm duração que varia entre 2 e até 5 anos.

Tudo vai depender da composição da grade curricular e, claro, da própria disponibilidade do aluno em concluir no tempo mínimo previsto.

Dito isso, é preciso considerar o peso que um período dedicado à formação pode exercer em sua carreira.

Um mestrado ou doutorado não é um desafio simples de se encarar. Em ambos, você deverá desenvolver um novo olhar sobre a produção de conhecimento.

Isso implica adquirir um grau de autonomia intelectual que não vem sem um certo esforço e o necessário tempo reservado para os estudos.

Serão muitas horas elaborando questionários, pesquisas, fazendo cálculos e lendo muitos, muitos livros.

Uma dissertação de mestrado acadêmico, por exemplo, pode chegar a 100 páginas, incluindo as referências bibliográficas.

Já uma tese de doutorado pode alcançar 300 páginas, contando bibliografia e anexos.

Ou seja, uma volume considerável de material a ser produzido, o que naturalmente consome tempo e exige a necessária dedicação.

Pense nisso antes de decidir.

Quais são os tipos de pós-graduação lato sensu?

Os cursos de pós-graduação lato sensu, como vimos, são indicados para os que desejam aplicar o conhecimento adquirido diretamente em sua profissão.

Por isso, o MBA é considerado como a formação lato sensu por excelência, já que é voltado ao mercado de trabalho.

Perceba que, embora eles sejam cursos de “sentido amplo”, na verdade, consistem em especializações ainda mais focadas que os cursos do tipo stricto sensu.

Sua finalidade principal, portanto, é atender às demandas que vêm de fora para dentro das universidades.

Não por acaso, a pós-graduação lato sensu mais indicada para quem tem muita experiência no mercado de trabalho é o MBA.

Isso porque se trata de um curso com carga horária mais extensa que um de aperfeiçoamento e exigências acadêmicas maiores em relação aos de especialização.

Também é indicado para quem atua no ramo corporativo em seu segmento e deseja adquirir formação para liderar empresas ou assumir posições mais altas dentro de uma hierarquia.

Seja como for, não custa lembrar: tudo vai depender das suas aspirações, limitações em termos de tempo, recursos e, claro, de como o mercado de trabalho receberá o seu currículo.

Quanto tempo em média demora um curso lato sensu?

Além dos cursos MBA, a pós-graduação lato sensu engloba os cursos de especialização.

Como tal, tem carga de 360 horas/aula e pode ser concluída dentro de 18 meses.

Também há os cursos de aperfeiçoamento, cuja carga horária é de 180 horas/aula e não exigem a entrega de uma dissertação ou projeto para conclusão.

Essas são cargas horárias exigidas pelo MEC para que um curso seja reconhecido e, portanto, válido no mercado de trabalho.

É por isso que eles são indicados para quem quer formação mais específica, já que, comparados com um mestrado, têm carga horária bem mais enxuta.

Afinal, o grau de mestre ou doutor só pode ser obtido mediante o cumprimento de carga horária mínima de 1200 horas/aula.

Quem pode dar aula em mestrado?

vários alunos em uma sala de aula
Quem pode dar aula em mestrado?

Para dar aula nos cursos de graduação, você deve saber que é necessário, no mínimo, o grau de mestre.

Assim sendo, a formação de mestres deve ser necessariamente conduzida por doutores, que, na hierarquia acadêmica, são os que estão um degrau acima.

É importante destacar ainda que, de acordo com o Parecer CNE/CES 0079/2002, do Ministério da Educação, mestrados profissionais e acadêmicos têm o mesmo peso.

Ou seja, ambos são válidos para quem deseja lecionar em cursos de graduação, sem qualquer consequência legal ou que gere sanção por conta de fiscalização.

Contudo, para lecionar em cursos de mestrado, o título de doutor é indispensável, embora nada impeça um mestre de dar uma palestra ou uma aula na condição de convidado.

O que importa, nesse caso, é que só podem avaliar alunos e atestar a conclusão de disciplinas professores devidamente credenciados.

Sendo assim, é necessário ter grau de formação superior ao do curso stricto sensu em questão.

Conclusão

Este artigo teve como objetivo esclarecer os principais aspectos relacionados aos cursos de formação lato sensu e stricto sensu.

Também vimos aqui as aplicações desses termos no meio jurídico, que, como se sabe, emprega frequentemente expressões do latim em suas definições.

Esperamos que seja útil para que você possa escolher criteriosamente seu próximo curso e, assim, aplicar seus conhecimentos na sequência da carreira.

Seja como professor, gestor ou especialista, o fato é que todos nós, cedo ou tarde, precisaremos renovar nossos conhecimentos.

Por isso, escolher bem o curso garante que os objetivos profissionais possam ser atingidos e, dessa forma, gerar contribuição relevante, tanto no meio acadêmico como no mercado de trabalho.

Então, qual será sua formação daqui para frente? Lato sensu ou stricto sensu?

Visite o site da UPIS para conhecer as opções e fazer a sua escolha.

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