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Uso racional de medicamentos: o que é, a importância e a lei

Uma mão segurando comprimidos

O uso racional de medicamentos é uma tema que merece toda a nossa atenção.

Muito provavelmente, você se preocupa com ele de forma indireta – e vamos explicar o porquê.

Todo mundo conhece alguém que, ao primeiro sinal de dor garganta, corre até a farmácia para comprar um anti-inflamatório.

Tomar um comprimido aqui e outro ali pode até parecer uma atitude inofensiva e criar um alívio instantâneo, mas a verdade é que também pode causar uma série de problemas que nem sempre consideramos.

Você lembra, por exemplo, daquelas manchetes que volta e meia aparecem nos jornais falando sobre o surgimento de superbactérias, capazes de resistir aos mais variados fármacos?

Então, esse é um assunto que causa preocupação, não é mesmo?

Mas o que talvez você não saiba é que, na origem de tudo, está a falta de moderação na ingestão de medicamentos.

Parece que temos aí um bom motivo para que o uso racional deles entre na pauta, certo?

O primeiro passo você está dando agora, ao iniciar a leitura deste artigo.

Se quer saber mais sobre esse tema e conhecer melhor o que a legislação brasileira diz a respeito disso, acompanhe até o final.

Boa leitura!

O que é o uso racional de medicamentos?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define que o uso racional de medicamentos parte do princípio de que o paciente deva ter acesso ao fármaco certo para o seu quadro clínico.

Em outras palavras, isso quer dizer o seguinte: que o remédio precisa ser ingerido na dose adequada, durante um período dimensionado e com o menor custo possível.

Ou seja, na teoria, os recursos disponíveis devem ser utilizados de um modo eficiente, sempre considerando a adequação à realidade de cada indivíduo.

No entanto, a entidade demonstra grande preocupação quanto ao consumo abusivo de fármacos, sem controle ou prescrição.

Isso acontece quando um mesmo paciente utiliza inúmeros remédios de forma concomitante, nem sempre com o devido acompanhamento médico ou farmacêutico.

Outro problema frequente é a automedicação, que leva ao consumo de ativos inadequados, em doses incorretas e durante um tempo ora insuficiente, ora excessivo.

Segundo o Conselho Federal de Farmácia, 77% dos brasileiros admitem que se automedicam.

Importância do uso racional de medicamentos

Uso racional de medicamentos, mão segurando cartela de comprimidos.
Importância do uso racional de medicamentos

O que nem todo mundo sabe é a dimensão do problema que o uso irracional de medicamentos pode causar.

De acordo com pesquisa divulgada neste ano pela Organização das Nações Unidas (ONU), a estimativa é de que as doenças resistentes a medicamentos possam ser responsáveis pela morte de 10 milhões de pessoas por ano até 2050.

Mas nem ao menos é preciso olhar adiante para encontrar números ainda mais preocupantes: o estudo mostra que, atualmente, pelo menos 700 mil pessoas perdem a vida a cada ano por conta de doenças desse tipo.

Desse total, 230 mil mortes são causadas por tuberculose multirresistente, capaz de suportar a ação dos mais variados fármacos.

Além disso, a tendência é de que, cada vez mais, doenças hoje tidas como banais ou de fácil cura medicamentosa tenham seu tratamento dificultado.

Você já parou para pensar no impacto gerado por esse problema?

Um problema tão grande que, segundo a ONU, deve alcançar fortemente até mesmo o campo econômico, com danos tão fortes quanto os gerados pela crise global ocorrida entre os anos de 2008 e 2009.

Todo esse cenário tem como origem um único ponto: a utilização excessiva e inadequada de remédios para o tratamento de doenças.

E aqui, vale ressaltar, não estamos falando apenas de seres humanos, mas também de plantas e animais.

O motivo não é difícil de compreender.

Além de ser uma questão de saúde pública, a chamada resistência antimicrobiana também é capaz de comprometer a produção agrícola e a criação de animais.

Isso porque, na prática, os agentes causadores de doenças e as pragas passam a se tornar cada vez mais resistentes a medicamentos até então eficazes no seu controle.

Realidade brasileira

Alguns números locais também ajudam a compreender o quão comum e preocupante é o consumo indiscriminado de medicamentos no Brasil.

Um estudo de 2017, feito pela ONU, revela que somos o terceiro maior consumidor de ansiolíticos benzodiazepínicos do mundo, atrás apenas de Estados Unidos e Índia.

Esses são os medicamentos mais utilizados atualmente no combate a sintomas como ansiedade, agressividade, convulsões e insônia, dentre outros tantos.

Mas, apesar de sua segurança e importância, também preocupa o crescimento abrupto do consumo.

Você, inclusive, certamente já ouviu alguns dos nomes a seguir:

  • Clonazepam (1º)
  • Midazolam (1º)
  • Diazepam (1º)
  • Zolpidem (2º)
  • Fenobarbital (2º)
  • Bromazepam (2º)
  • Nitrazepam (3º)
  • Alprazolam (3º)

Sabe o número grafado ao lado do nome de cada um desses fármacos?

Ele representa a posição em que o Brasil se localiza mundialmente em termos de consumo do medicamento.

Benefícios do uso racional de medicamentos

uso racional de medicamentos, carrinho de supermercado com cartelas de comprimidos
Benefícios do uso racional de medicamentos

Quando consumimos de maneira racional, diminuímos o impacto causado no meio ambiente.

E isso também vale para o caso dos medicamentos.

Como você já deve ter percebido pelas informações trazidas até aqui, um dos grandes benefícios do uso controlado de fármacos é evitar que a resistência antimicrobiana se transforme em um problema ainda maior do que ela já é hoje para todos nós.

Ao não exagerar na dose e seguir sempre as prescrições, deixando de lado o teimoso hábito da automedicação, você só tem a ganhar.

De quebra, evita que o seu organismo tenha uma resposta ineficiente aos tratamentos realizados – o que demandaria adotar fármacos mais potentes e agressivos, aumentando, inclusive, as chances de internação hospitalar e demanda por cuidados.

Agora multiplique esse problema, por exemplo, pela população de um país continental como o Brasil.

Seria impossível manter um sistema público de saúde que desse conta de uma realidade caótica como essa.

Em resumo, adotar o uso racional significa mais saúde, qualidade de vida e economia.

A lei do uso racional de medicamentos

Farmacêutica atendendo cliente em farmácia.
A lei do uso racional de medicamentos

No Brasil, o uso racional de medicamentos já é discutido há bastante tempo. Alguns estados até mesmo institucionalizaram datas específicas para tratar do tema.

No entanto, o principal marco em relação ao assunto foi a criação da Portaria n° 834, de 14 de maio de 2013.

Ela foi responsável por redefinir o Comitê Nacional para a Promoção do Uso Racional de Medicamentos (CNPURM) – que havia sido instituído em 2007 – no âmbito do Ministério da Saúde.

De caráter consultivo, o CNPURM tem como uma de suas missões orientar e propor estratégias e ações que ajudem a disseminar o uso racional de medicamentos, sempre em acordo com a Política Nacional de Promoção da Saúde.

Confira, agora, um pouco mais sobre os objetivos do comitê e a sua organização.

O comitê e entidades participantes

Qualificar o acesso da população a medicamentos que respeitem os parâmetros de eficácia, de qualidade e de segurança: esse é o principal objetivo do CNPURM.

Para que isso seja possível, existem 17 entidades envolvidas em sua composição, além de outras tantas que participam como convidadas eventuais.

Entre elas, estão:

  • Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
  • Organização Panamericana de Saúde (Opas)
  • Ministério da Educação
  • Ministério da Saúde
  • Instituto de Defesa do Consumidor (Idec)
  • Conselho Nacional de Saúde (CNS).

Como não poderia ser diferente, também estão presentes os conselhos representativos de classes de profissões ligadas à área da saúde, como médicos, enfermeiros, farmacêuticos e dentistas.

De caráter consultivo, são inúmeras as competências do CNPURM.

Entre elas, estão:

  • Propor estratégias de monitoramento e promoção do uso racional de medicamentos
  • Criar ações que articulem órgãos e entidades dos setores público e privado, sempre em busca de promover o uso racional de medicamentos
  • Projetar o aprimoramento constante de marcos regulatórios e de vigilância de medicamentos
  • Discutir diretrizes que colaborem na consolidação de ações de farmacovigilância
  • Propor o Plano de Capacitação de Profissionais de Saúde para o Uso Racional de Medicamentos
  • Fomentar iniciativas que tenham como foco o desenvolvimento científico, profissional e tecnológico, buscando a evolução das soluções disponíveis na área.

Para cumprir com cada uma delas, o comitê criou um planejamento estruturado, que compreende quatro grandes áreas.

Veja o que cada uma delas representa e quais são as intervenções estratégicas propostas.

Educação

Educar a população é a melhor forma de evitar que os medicamentos sejam consumidos de maneira indevida.

Nesse sentido, o CNPURM busca trabalhar a perspectiva da segurança do paciente e também da construção de um sistema sustentável.

Aqui, a principal intervenção proposta é a incorporação da temática do uso racional de medicamentos ao ensino formal e também na educação permanente de profissionais da área.

Informação

Um dos papéis do órgão é também contribuir para que informações precisas e de qualidade cheguem à população, sempre com base em evidências científicas.

Para isso, é preciso fazer com que o tema circule nos espaços coletivos e também nos meios de comunicação.

Regulação

Objetiva monitorar constantemente as normativas sobre o tema.

Além disso, propor aos órgãos responsáveis o aperfeiçoamento de marcos legais, interligados ao uso racional de medicamentos, é outro aspecto fundamental do planejamento.

Pesquisa

A pesquisa, talvez uma das principais áreas quando o assunto é o controle da resistência antimicrobiana, também está entre as estratégias do comitê.

Aqui, as ações propostas têm como objetivo apoiar iniciativas capazes de impulsionar o conhecimento e promover novas tecnologias em termos de fármacos e do seu uso racional.

Como praticar o uso racional de medicamentos?

Vários remédios em cima de uma mesa
Como praticar o uso racional de medicamentos?

Ainda que entidades como a ONU e a OMS definam a resistência antimicrobiana como um desafio global, isso não significa que pequenas ações individuais não sejam capazes de gerar impacto positivo.

Pronto para anotar e colocar algumas dicas em prática? Aqui vão algumas delas!

Leve um estilo de vida saudável

A dica pode até parecer estranha, mas a verdade é que a prevenção de doenças ainda é a melhor forma de evitar o uso de medicamentos.

E quer melhor meio de fazer isso do que mantendo um estilo de vida equilibrado e saudável?

Isso significa praticar exercícios físicos, manter uma dieta balanceada, ter boas noites de sono, evitar hábitos como fumar e estar sempre bem hidratado.

Ou seja, tudo aquilo que, muitas vezes, ignoramos pela correria da rotina. Mas é hora de mudar essa realidade, ok?

Mantenha o calendário de vacinas em dia

Seguindo na mesma linha de prevenção, é importante falar das vacinas.

Responsáveis por reduzir e até erradicar a incidência de algumas doenças, elas são eficazes e garantem que o seu organismo esteja protegido na medida certa.

Não use medicamentos sem recomendação médica ou farmacêutica

Pode ser apenas uma dor de cabeça passageira, mas também pode significar um sinal do seu organismo de que algo não vai bem.

Com isso, não queremos dizer que você deve ir ao médico toda vez que precisar de um analgésico, mas sim que deve desconfiar e procurar um profissional quando um mesmo sintoma aparece repetidamente, por exemplo.

Afinal, o remédio que serve muito bem para um amigo pode não ser ideal para você e o seu quadro clínico.

Até mesmo porque cada caso exige doses específicas, assim como o tempo de tratamento.

Também esqueça aquela prática de se basear nas informações do “Dr. Google” para definir diagnóstico e tratamento a ser seguido.

Se fosse tão simples, médicos e farmacêuticos não precisariam de tantos anos de formação para receitar remédios, não é mesmo?

Outro ponto importante é garantir que o seu médico tenha em mãos todas as informações que precisa para determinar a terapia medicamentosa correta.

Entre os pontos que você deve observar, estão:

  • Fale quais são os medicamentos que você já usa, incluindo aqueles classificados como homeopáticos e fitoterápicos
  • Alerte que é alérgico a um fármaco, se for o caso
  • Relate efeitos colaterais que você já teve por conta do uso de algum medicamento
  • Relembre o histórico de doenças que familiares próximos já tiveram
  • Comente sobre os seus hábitos, como prática de exercícios, uso de bebidas alcoólicas e de cigarro.

Respeite as indicações de uso

Fique sempre ligado no tempo de duração recomendado pelo profissional para a realização do tratamento medicamentoso.

Lembre-se de que um alívio momentâneo da dor não é capaz de definir a cura da doença – nesse sentido, a interrupção antes do prazo pode gerar ineficiência do princípio ativo ou até mesmo agravar o quadro.

Por outro lado, isso não significa que você deva seguir o consumo indefinidamente ou retomar o uso sempre que julgar necessário.

Para isso, antes, consulte um profissional habilitado.

Para garantir que as indicações de uso sempre sejam seguidas, nada mais importante do que compreender o que cada uma delas significa.

Então, nada de sair do consultório ou da farmácia com dúvidas.

Evite a sobreposição de medicamentos

Especialmente entre os idosos, é comum o uso de inúmeros medicamentos de maneira concomitante. Com o tempo, fica difícil até mesmo fazer o controle das doses.

Por isso, é fundamental reavaliar constantemente o uso dos remédios, analisando se é importante que o seu consumo siga.

Há situações, inclusive, em que um fármaco pode acabar interferindo no efeito do outro ou mesmo gerando um descompasso.

Novamente, tudo isso deve ser acompanhado de perto por um profissional.

Incentive a formação de profissionais capacitados

Frear o crescimento da resistência antimicrobiana também é uma tarefa para os profissionais da área.

Além da prescrição responsável de medicamentos, a ONU e a OMS também listam como desafios o aumento nos investimentos em inovação na área antimicrobianos.

Esse é um trabalho que exige do mercado profissionais altamente especializados e prontos para desenvolver soluções de alto impacto.

E é justamente pensando na qualificação dos profissionais que a UPIS – Faculdades Integradas oferece não apenas graduação em Farmácia, mas também três cursos de pós-graduação.

Entendemos que os modelos de assistência à saúde têm passado por transformações importantes.

Tanto pelo aumento da demanda por serviços quanto pela evolução tecnológica ou mesmo pelos desafios em criar soluções com financiamento sustentável.

E é com base nessa visão que oferecemos aos estudantes uma formação crítica e reflexiva, com suporte nos mais atuais conhecimentos da área.

Além disso, há uma preocupação em preparar os acadêmicos no desenvolvimento de um perfil de liderança – essencial para dar conta dos grandes desafios da atualidade.

Já nas especializações oferecidas, você tem a chance de aprofundar conhecimentos e ampliar as suas possibilidades no mercado de trabalho.

Vale, inclusive, se o seu desejo é empreender ou ampliar o seu próprio negócio na área farmacêutica.

Confira quais são as pós-graduações disponíveis:

Conclusão

Este artigo trouxe informações completas sobre uso racional de medicamentos.

Como mostram os números, esse é um assunto de extrema importância.

O aumento da resistência antimicrobiana é capaz de afetar a todos, tanto em termos financeiros quanto de saúde.

E essa é uma realidade mais próxima do que a maioria das pessoas costuma supor.

Por isso, se você é um profissional da área ou pensa em seguir nessa carreira, vale sempre refletir sobre o seu papel de conscientização e também sobre como a sua atuação é capaz de transformar a realidade e ajudar a salvar vidas.

No que depender da UPIS, você vai estar sempre em desenvolvimento, pronto para ir cada vez mais longe em seus desafios.

Afinal, nossa missão é oferecer ensino de qualidade que cabe no seu bolso.

Ficou com alguma dúvida sobre os nossos cursos? Aproveite para acessar o site ou entre em contato agora mesmo.

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