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Veículos aéreos não tripulados: legislação e uso na agronomia

Jovem pilotando um drone

Veículos aéreos não tripulados, mais conhecidos pelo acrônimo Vant, são a última palavra em automação no campo.

Com eles, é possível realizar tarefas para as quais a mão humana não tem o alcance necessário ou seria incapaz de realizar.

Os Vants podem ser utilizados de forma complementar às aeronaves tripuladas, em especial em regiões remotas ou de difícil acesso.

E há ainda muitos outros usos que podem ser feitos dessa incrível tecnologia.

Quem trabalha ou pretende trabalhar no agronegócio, não pode deixar de conhecer esse avanço do setor, que tanto tem a beneficiar a vida no campo e a produtividade das lavouras.

A ideia deste artigo é justa a de trazer um panorama sobre a utilização dos Vants na agricultura.

A partir de agora, você vai entender o que são os veículos aéreos não tripulados, seu uso civil e militar, a legislação relacionada e muito mais sobre o assunto.

Se o tema interessa, acompanhe até o final.

Boa leitura!

O que são os veículos aéreos não tripulados (Vant)?

Embora a sigla Vant possa não ser muito familiar, o meio de transporte ao qual ela se refere existe há bastante tempo.

Isso porque, como o seu significado já deixa explícito, todo veículo capaz de sobrevoar uma área sem a necessidade de um piloto pode ser assim considerado.

Os primeiros balões de que se tem notícia no século XIX são exemplos desse tipo de aeronave.

Na Primeira Guerra Mundial, esses balões foram inclusive empregados como armas em bombardeios aéreos.

Com o passar do tempo mudou o formato, combustível, dimensões e o próprio uso do Vant.

Enquanto os primeiros eram balões, uma outra geração, já na década de 30, era projetada no formato de mini-aviões.

Na verdade, ainda hoje os Vants são uma espécie de aviões em miniatura.

Não por acaso, eles são largamente empregados por militares, seja em missões de observação ou mesmo para ataques.

Alguns modelos ganharam até uma relativa fama, em função do seu uso com propósitos bélicos.

É o caso do Ryan Firebee, utilizado na década de 60 em diversas missões de espionagem do governo norte-americano, em plena Guerra Fria.

Já no meio civil, o uso de Vants é recente.

No início dos anos 2000, alguns Vants com fins não-militares ganharam notoriedade no Brasil.

Adivinhe qual foi o setor em que isso aconteceu?

Se você disse agricultura, acertou.

Chamado de projeto Arara, o Vant desenvolvido foi empregado na agricultura de precisão, resultando de uma parceria entre a Embrapa e a Universidade de São Paulo (USP).

Você sabia dessa?

Drone x Vant: tem diferença?

Os veículos aéreos que dispensam tripulação, como se vê, não chegam a ser uma novidade.

O que é mais recente é a confusão que se faz entre drone e Vant.

Aliás, drone é uma palavra inglesa que significa “zumbido”, nesse caso específico.

É uma espécie de apelido para esse tipo de Vant, ou seja, um nome extra oficial.

Sendo assim, um drone é uma categoria de veículo aéreo não tripulado.

Além dos drones, temos os Vants do tipo RPA (Remotely-Piloted Aircraft), que é o Vant usado em atividades produtivas ou no meio militar.

Sendo assim, no contexto brasileiro, a diferença fundamental é o uso que se faz.

Em nosso território, drones só podem ser utilizados de forma recreativa, ou seja, para aeromodelismo.

Já o Vant pode ser empregado na agricultura, pesquisa e outros usos nos quais ele tenha a chamada carga útil embarcada.

É o caso de um aparelho para uso na lavoura carregado com pesticidas, por exemplo.

Os Vants da Amazon, utilizados para entregas, também são um bom exemplo de RPA.

Uso civil dos veículos aéreos não tripulados

Veículos aéreos não tripulados, Jovem pilotando um drone
Uso civil dos veículos aéreos não tripulados

A utilização de Vants para propósitos não militares é bastante difundida.

No nosso caso, é preciso considerar as diferenças já expostas em relação aos drones.

Vale destacar, ainda, que no Brasil é proibido o uso de um terceiro tipo de Vant, a Aeronave Autônoma, que dispensa piloto.

O voo desse tipo de Vant é pré-programado, ou seja, antes de decolar já se sabe o seu destino e a rota a seguir.

Sendo assim, o uso civil de veículos aéreos sem tripulação, em nosso país, exige a participação de um piloto.

Seja como for, mais à frente trataremos da questão legal com mais detalhes.

Essa é uma questão importante, dada a crescente demanda pelo uso de drones e Vants por aqui.

Eles têm sido utilizados em larga escala na agricultura, vigilância e segmento de delivery.

Já pensou fazer uma encomenda pela internet e receber o seu pedido por meio de um drone?

A primeira entrega (segundo a própria empresa responsável) de um produto via drone foi registrada há apenas poucos meses, em Petrópolis, Rio de Janeiro.

Um drone modelo MVAD4-01 levou um frasco de Leite de Rosas encomendado via aplicativo junto à Drogaria Venâncio.

O tempo decorrido entre o pedido e a entrega foi de apenas 3 minutos e 48 segundos.

Uso militar dos veículos aéreos não tripulados

Drone militar, sobrevoando cidade
Uso militar dos veículos aéreos não tripulados

Como vimos, foi no meio militar que os Vants foram empregados pela primeira vez, na forma de balões.

Na atualidade, os veículos aéreos não tripulados continuam a servir a propósitos militares nas mais variadas formas.

Seja para espionagem, apoio logístico ou como arma, os Vants estão aí, marcando presença cada vez mais frequente junto às forças de segurança de diversos países.

No círculo militar, eles recebem inclusive outras denominações, conforme a sua destinação.

Por exemplo, os Vants destinados ao combate são chamados de Unmanned Combat Aerial Vehicles (UCAV).

Existem ainda os Mini Veículos Aéreos Não Tripulados (MUAV), Veículos Aéreos Não Tripulados Táticos (TUAV), entre outros de emprego exclusivo pelas Forças Armadas.

No Brasil, a Força Aérea Brasileira (FAB) por meio do Esquadrão Hórus, usa o RPA Hermes 450 em missões de reconhecimento e vigilância.

Outro Vant já conhecido é o Carcará, usado pelo Exército também em missões de reconhecimento.

A propósito, o mercado brasileiro não pode reclamar em relação à oferta de Vants.

Temos um parque industrial considerável para esse tipo de veículo, no qual pelo menos 15 empresas disputam a preferência dos clientes da caserna e civis.

Um bom exemplo de utilização de Vants pelos militares em nosso país é em missões nas quais pistas de pouso clandestinas são localizadas.

Essas pistas, em geral, servem como local de pouso de aeronaves usadas no tráfico de drogas ou mesmo para escoar a produção de madeira ilegal.

Sendo assim, o uso do Vant ajuda as instituições militares brasileiras não só ao tornar as missões mais ágeis como ao poupar as tropas de deslocamentos em territórios hostis.

Veículos aéreos não tripulados no Brasil

Veículos aéreos não tripulados, Jovem pilotando um drone
Veículos aéreos não tripulados no Brasil

Você sabe qual foi o primeiro drone brasileiro?

A história dos drones e Vants, em nosso país, começou em 1983.

Foi nesse ano que a extinta Companhia Brasileira de Tratores (CBT), desenvolveria o BQM1BR, cuja finalidade era servir como alvo.

Sua vida foi curtíssima, tendo sido registrado apenas um vôo.

Depois dele, a Embravant produziu o Gralha Azul, um Vant de grandes dimensões, contando com 4 metros de envergadura e capacidade de carga útil de 40 quilos.

Desde então, esses veículos vêm ganhando cada vez mais espaço, na medida em que vão sendo descobertas novas formas de empregá-los em atividades produtivas.

Vale destacar, ainda, o uso recreativo dos drones, que já contam até com uma competição regular, a Fórmula Drone.

Saindo um pouco do Brasil, o emprego de Vants e drones está se difundindo a tal ponto que até mesmo a Uber já está se preparando para entrar no mercado.

Em 2020, a gigante do segmento de transporte começará testes, na Austrália, dos seus primeiros veículos aéreos destinados ao transporte de passageiros.

Parece ficção, mas é verdade. O futuro já chegou.

Em solo brasileiro, isso não deve demorar muito a acontecer.

O agronegócio está aí para mostrar todos que os veículos aéreos não tripulados são um tremendo avanço.

Legislação brasileira

Avançando em nosso artigo sobre os veículos aéreos não tripulados, vamos entender agora o que diz a legislação a respeito.

No Brasil, o uso dessas aeronaves é disciplinado pela Portaria DAC Nº 207 e Instrução Circular Aeronáutica (ICA) 100-40.

De qualquer forma, as autoridades que controlam o espaço aéreo brasileiro ainda estudam novos dispositivos para regulamentar o uso de drones e Vants por aqui.

No aeromodelismo, por exemplo, falta ainda uma lei que discipline com mais clareza os limites para o uso recreativo de aeronaves não tripuladas.

Afinal, o espaço aéreo tem regras de circulação tal como as vias públicas terrestres.

O que fazer então quando drones para competição passam a disputar esse espaço com Vants ou mesmo aviões tripulados?

Talvez um ponto a ser tratado seja a própria exigência de licença para pilotar um drone.

Os Vants, por sua vez, só podem ser pilotados por quem conta com o documento específico.

Veremos que licenças são essas em mais detalhes no próximo tópico..

É preciso ter licença?

Existem dois tipos de licença especial para utilização de Vants no Brasil.

São elas:

  • Circular de Informações Aeronáuticas (CIA)
  • Certificado de Autorização De Voo Experimental (CAVE).

A primeira é utilizada para fins comerciais, consistindo em uma autorização que deve ser feita a cada decolagem.

O prazo mínimo para solicitar a CIA é de 15 dias.

Ela deve ser protocolada junto ao DECEA, Departamento de Controle do Espaço Aéreo, de forma a constar as características do equipamento, a capacidade de comunicação e o seu trajeto.

Por sua vez, o CAVE é tipo de licença para voo de Vant exigida para instituições de ensino e pesquisa.

Atividades como o mapeamento de terrenos e o estudo de condições climáticas, entre outras que utilizam Vants, devem estar cobertas com esse certificado.

Além do CAVE, o uso de Vants com fins de pesquisa deverá ser autorizado pelo Cindacta (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo) da região.

Tanto o DECEA quanto o Cindacta são braços da Força Aérea Brasileira.

Por usa vez, drones para uso recreativo não necessitam de licenças especiais ou autorização.

A única limitação é quanto à altura máxima de voo, que não pode ultrapassar 121,92 metros.

Também é proibido o uso de drones perto de aeródromos ou em áreas densamente habitadas.

Seja como for, é no setor agrícola que os Vants e drones têm sido mais largamente utilizados no Brasil.

Vamos ver na sequência de que maneira o agronegócio vem aproveitando essa fantástica tecnologia em benefício das lavouras.

Usos de veículos aéreos não tripulados na agricultura

Veículos aéreos não tripulados aplicando inseticida em plantação de milho
Usos de veículos aéreos não tripulados na agricultura

O setor que move a economia brasileira, não por acaso, foi o que primeiro “descobriu” a enorme utilidade do Vant.

Há até quem se refira aos “agrodrones” ao fazer referência às aeronaves não tripuladas utilizadas em lavouras e na pecuária.

Considerando que o agronegócio opera a partir de extensas faixas de terra, o emprego de drones é uma solução muitíssimo bem-vinda para uma série de problemas.

É a automação se consolidando também no campo.

Nos escritórios, indústria e terceiro setor, ela traz como benefícios a eliminação das tarefas repetitivas e, assim, a redução da falha humana.

Na agroindústria, o uso de Vants trazem essas mesmas vantagens.

Isso é o que se tem verificado ao utilizar drones e aviões não tripulados em atividades como as que vamos relacionar agora.

Irrigação

Quem tem jardim ou cuida de plantas sabe o trabalho que dá regá-las diariamente.

Imagine, então, ter que “molhar” uma plantação distribuída ao longo de mais de 700 mil metros quadrados?

Pois é esse o desafio de quem se dedica ao cultivo de grãos, como milho e soja, por exemplo.

Garantir que todas as plantas em terrenos imensos recebam a quantidade certa de água para crescer e gerar frutos não é uma tarefa simples.

Por isso, os drones na agricultura têm papel decisivo na irrigação.

Equipados com sensores hiperespectrais, térmicos ou multiespectrais, eles podem identificar que trechos de um campo estão precisando de mais água ou que sofrem com a seca.

Toda uma área de cultivo pode ser diagnosticada, bastando apenas um sobrevoo de um Vant.

Com eles, é possível extrair dados como densidade relativa, índice de vegetação e a saúde da cultura como um todo.

Outro aspecto importante para orientar na irrigação é a assinatura térmica, que consiste na quantidade de calor e de energia emitida pela cultura.

Mapeamento aéreo

Como se vê, a irrigação de uma área de cultivo depende do seu mapeamento preciso.

Nesse aspecto, Vants representam um poderoso aliado, já que são capazes de enxergar o que o olho humano não conseguiria sozinho.

Enquanto na irrigação os sensores térmicos fazem a diferença, no mapeamento aéreo, são as imagens captadas com Normalized Difference Vegetation Index (NDVI) que representam o grande salto.

Trata-se de uma das tecnologias mais aplicadas na chamada agricultura de precisão.

Ela ajuda a determinar a saúde de uma plantação, permitindo que o agrônomo aja a tempo de evitar, por exemplo, uma infestação por uma praga.

Em vez de percorrer o campo inteiro a pé ou com trator, emprega-se um Vant para sobrevoar a área.

Com um mapa obtido dessa forma, ganha-se muito mais confiabilidade ao analisar uma safra.

A tecnologia NDVI acoplada a um Vant possibilita, entre outras medidas, aferir a atividade de clorofila nas plantas.

Dessa forma, o agricultor ganha inteligência de negócios, já que pode formar um banco de dados para comparar seus resultados com safras anteriores.

Monitoramento de rebanho

Não menos complexa é a tarefa de monitorar rebanhos.

Ao contrário dos vegetais, bovinos se movem constantemente, o que dificulta o controle por parte do pecuarista.

Esse é um desafio quando se cria animais para abate em áreas não-confinadas.

Nesse caso, o drone é um excelente recurso para para vigilância de rebanhos.

Eles ajudam a identificar animais doentes, feridos, ausentes e até se algum novo espécime acaba de nascer.

O mesmo vale para o controle do próprio pasto, que é onde os animais se alimentam.

Isso é feito por meio da rotação de pastagem, que consiste em retirar os animais de um trecho até que a vegetação rasteira se recupere e volte a fornecer alimento.

Marcação de áreas para cultivo

A agricultura de precisão se caracteriza pelo uso otimizado da terra e dos recursos disponíveis para obter máxima produtividade e mínimo desperdício.

Por isso, a demarcação de áreas antes do plantio é essencial para garantir uma safra rentável.

O mesmo princípio se aplica na pulverização de defensivos, reduzindo assim a chamada “deriva” que é a dispersão do produto e o seu consequente não aproveitamento.

Já na marcação de áreas, o uso de Vants e drones permite que sejam aplicados somente os insumos necessários para o trecho identificado – nem mais, nem menos.

Essa é uma das medidas a serem adotadas na fase do planejamento do plantio, que também permite prever o comportamento topográfico da terra cultivada.

Conclusão

Este artigo abordou os veículos aéreos não tripulados e suas formas de uso.

Existem ainda muitas outras aplicações de Vants na agronomia.

Não restam dúvidas de que o uso da tecnologia traz ganhos em escala para o agronegócio em suas diversas vertentes.

Da lavoura de soja até a criação de bovinos, não há segmento que não se beneficie da sua aplicação.

Esperamos que este artigo tenha tirado suas dúvidas sobre os veículos aéreos não tripulados, seu emprego na agronomia e nas atividades produtivas.

Para avançar ainda mais em seus conhecimentos, invista na sua formação.

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Caso tenha alguma dúvida ou observação para enriquecer o conteúdo, deixe um comentário.

 

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